Portugal ou Irlanda: qual é o melhor país para morar? No Bolder Podcast, a comparação parte de duas experiências opostas. Marcelo Tollio é brasileiro, viveu 11 anos na Irlanda e se mudou para Portugal. André Neves nasceu em Lisboa e deixou o país para trabalhar na Irlanda em 2019.
Em vez de procurar um vencedor absoluto, os dois comparam salários, moradia, saúde, transporte, segurança, clima e oportunidades. A conclusão depende principalmente da fase da vida e da origem da renda.
Por que Marcelo trocou a Irlanda por Portugal
Marcelo chegou à Irlanda como estudante em 2013. Na primeira passagem, dividia casa, não tinha compromisso de construir carreira e usava o dinheiro para viajar — conheceu 11 países no primeiro ano. Depois voltou com cidadania europeia, mas a pressão aumentou: tinha deixado emprego e bens no Brasil e precisava fazer a mudança dar certo.
O início incluiu empregos ruins e a reconstrução da carreira como nutricionista. Anos depois, com trabalho online e a chegada de um filho, Portugal passou a oferecer o que ele procurava: clima, saúde, segurança, lazer e uma rotina mais adequada para a família.
Por que André saiu de Portugal para a Irlanda
André queria desenvolver o inglês e aumentar a renda. Já tinha experiência como auxiliar de saúde e foi recrutado para trabalhar em um nursing home irlandês. Chegou com inglês escolar e precisou se adaptar rapidamente ao sotaque dos residentes mais velhos.
Ele começou em uma vila pequena, com poucos serviços e transporte limitado. Mesmo assim, a diferença salarial pesou: no trabalho de saúde em Portugal, recebia pouco acima do salário mínimo; na Irlanda, passou a ganhar aproximadamente três vezes mais.


Salários e oportunidades: vantagem para a Irlanda
Para os convidados, a Irlanda oferece mais margem financeira para quem depende de um emprego local. André cita a emigração crescente de portugueses e a procura constante por profissionais de saúde. Marcelo observa que, mesmo depois de um imprevisto, é possível fazer trabalhos extras e recuperar o orçamento com mais rapidez.
Portugal tem custo menor em algumas áreas, mas o salário local limita o poder de compra. No episódio, eles usam como referência um salário mínimo português em torno de €840 e lembram que muitos trabalhos considerados bons ficavam na faixa de €1.500. Esses valores retratam a época da gravação e não devem ser tratados como números atuais.
Moradia: os dois países enfrentam pressão
A crise habitacional existe dos dois lados, mas a avaliação do grupo favorece Portugal. Mesmo com Lisboa e áreas turísticas muito caras, ainda seria possível procurar cidades afastadas e encontrar alternativas. Em Dublin, a combinação de pouca oferta e alta procura torna a busca mais imprevisível.
Marcelo reconhece que teve sorte com acomodação na Irlanda. Por isso, separa a experiência pessoal da realidade de quem chega hoje e passa meses disputando quartos ou se mudando para áreas sem boa conexão de transporte.
Saúde e transporte: Portugal se destaca
Na saúde, a vantagem atribuída a Portugal é ampla. André trabalhou em urgência hospitalar e defende a formação de médicos e enfermeiros portugueses. Ele reconhece as críticas feitas ao sistema público, mas considera a estrutura muito superior à experiência encontrada na Irlanda.
Lisboa também oferece uma rede mais completa de metrô, trem e ônibus. Na Irlanda, especialmente fora do centro de Dublin, a dependência do carro cresce rapidamente. Morar no interior pode reduzir o aluguel, mas aumenta o tempo e o custo dos deslocamentos.
Clima, lazer e segurança
Portugal vence com facilidade no clima e na variedade de lazer. Os convidados citam praias, museus, eventos ao ar livre e atividades gratuitas. Em Dublin, chuva e frio reduzem as opções externas, enquanto pubs ocupam uma parcela importante da vida social.
Na segurança, Marcelo e André também preferem Portugal. Eles reconhecem que a Irlanda aparece bem em índices internacionais, sobretudo por causa do interior, mas diferenciam essa estatística da experiência cotidiana no centro de Dublin, onde relatam furtos, bicicletas roubadas e agressões ocasionais.
Custo de vida: o salário muda a comparação
Supermercado e outros gastos básicos podem ter preços semelhantes nos dois países. A diferença é quanto essas despesas representam na renda. Um produto que custa quase o mesmo pesa muito mais no orçamento de quem recebe um salário português.
Por isso, Marcelo resume a questão de maneira prática: Portugal oferece mais qualidade de vida para quem já chega com renda remota, negócio próprio ou estabilidade financeira; a Irlanda oferece uma plataforma melhor para quem ainda precisa construir carreira e patrimônio.
Afinal, vale mais a pena morar em Portugal ou na Irlanda?
Na comparação por categorias, Portugal acumula vantagens em saúde, transporte, clima, lazer, moradia e sensação de segurança. A Irlanda vence justamente nos fatores que podem financiar o restante: salário e oportunidades profissionais.
André escolheria Portugal se precisasse ficar definitivamente em apenas um país, embora reconheça tudo o que conquistou na Irlanda. Marcelo, mesmo satisfeito em Portugal, afirma que voltaria para a Irlanda se a escolha fosse permanente, porque confia mais na capacidade de reconstruir a renda e sustentar a família.
O veredito do episódio não é uma tabela universal. Para uma pessoa jovem, dependente do mercado local e focada em juntar dinheiro, a Irlanda pode fazer mais sentido. Para quem trabalha online, pretende criar filhos ou já busca uma rotina mais tranquila, Portugal ganha força. Assista ao vídeo para acompanhar os exemplos e contrapontos completos.
