Aruã Tupinambás construiu uma trajetória que passa por intercâmbio, vendas de porta em porta, tecnologia, viagens e criação de conteúdo. No Bolder Podcast 113, ele conta como saiu de Itaúna, em Minas Gerais, chegou à Irlanda aos 20 anos e transformou um vlog de rua no canal Gringa e Eu.
A conversa com Bolder vai além da história de um YouTuber. Aruã explica por que parou de publicar depois de quatro anos de consistência, como uma empresa de experiências de viagem não funcionou e o que aprendeu ao retornar para vendas em empresas de tecnologia.
Quem é Aruã Tupinambás?
Antes de morar na Irlanda, Aruã havia deixado a faculdade de Relações Públicas, iniciado Psicologia e ainda procurava uma direção profissional. Ele decidiu comparar no papel quanto gastava no Brasil e quanto precisaria para tentar a vida na Irlanda.
Para financiar o projeto, recebeu ajuda dos pais e organizou duas festas de despedida. Uma delas reuniu cerca de 450 pessoas; segundo ele, as festas renderam aproximadamente três mil para a viagem. A mobilização da cidade fez parte de um começo pouco convencional.
Na Irlanda, Aruã frequentava pubs mesmo quando só podia beber água. Mais do que sair, queria socializar e praticar o idioma. Poucos meses depois, conheceu Jess, com quem construiu uma relação que também se tornaria parte conhecida de seu conteúdo.
O primeiro emprego e o retorno ao Brasil
Um dos primeiros trabalhos de Aruã foi vender alarmes de porta em porta. O emprego não tinha salário fixo: ele recebia comissão apenas quando fechava uma venda e pagava o próprio transporte para percorrer diferentes regiões.
A rotina começava cedo, incluía reuniões motivacionais e podia terminar perto das 23h30. Aruã relata que batia em aproximadamente cem casas, repetindo as visitas até três vezes. Com inglês intermediário e um discurso de vendas decorado, conseguia vender em média dois alarmes por semana.
Ele não recomenda a função, mas reconhece o valor daquela experiência para o currículo. Vender na rua durante o inverno irlandês virou uma prova concreta de persistência e ajudou a abrir portas em outras posições comerciais.
Quando o primeiro visto terminou, Aruã voltou ao Brasil para retomar a faculdade. A separação durou pouco: Jess viajou para morar com ele durante alguns meses e, depois, ele retornou à Irlanda já contratado por uma pequena empresa de tecnologia.
Como nasceu o canal Gringa e Eu
A ideia do canal surgiu ao observar que grande parte dos vídeos sobre a Irlanda era gravada dentro de casa. Inspirado pelo estilo de Casey Neistat, Aruã queria mostrar a rua, a rotina, o café, as viagens de trabalho e as pequenas cenas da vida em Dublin.
Ele comprou uma Canon 70D, um tripé e um microfone. Assim que o equipamento chegou, fez um teste decisivo: se não tivesse coragem de entrar em uma cafeteria com a câmera apontada para o próprio rosto, não conseguiria ser YouTuber. Gravou aquele café e iniciou uma rotina de quatro anos com três vídeos por semana.
O Gringa e Eu falava sobre viagens, intercâmbio, empregos em tecnologia e planejamento para conhecer o mundo. Aruã aproveitava deslocamentos profissionais, folgas e fins de semana para gravar. A consistência fez o canal crescer e levou pessoas a reconhecê-lo nas ruas.
Por que Aruã parou de fazer vídeos?
Depois de quatro anos, o ritmo deixou de ser estimulante. Aruã estava cansado, sentia-se menos criativo e queria um novo desafio. Ele descreve essa pausa sem arrependimento: o canal havia cumprido uma etapa de sua vida.
O episódio também discute o lado pouco visível da criação de conteúdo. Publicar várias vezes por semana exige pauta, gravação, edição e exposição constante. Quando não existem rotina e dias de descanso, o trabalho pode ocupar todos os espaços e aproximar o criador de um burnout.
O conselho de Aruã para Bolder é manter consistência, mas proteger a vida pessoal: organizar a produção durante a semana, reservar dias inteiros de folga e construir um calendário que seja sustentável.
Uma volta ao mundo e uma empresa que não deu certo
O canal acompanhou viagens que mudaram a visão de Aruã. Ele passou por diferentes países e destaca a Índia como uma experiência especialmente transformadora. Em paralelo, procurou formas de monetizar o conhecimento sobre viagem sem depender apenas da publicidade do YouTube.
Depois de trabalhar com afiliados e desenvolver um curso, criou uma empresa de experiências locais para viajantes. A proposta era conectar visitantes a atividades e pessoas dentro dos destinos. O negócio não alcançou o resultado esperado e encerrou antes da pandemia.
Aruã fala do fracasso sem atribuí-lo a um evento externo. A experiência mostrou que uma boa ideia não substitui execução, escala e sustentabilidade financeira. Depois disso, ele voltou ao setor de tecnologia, novamente em vendas.
Como trabalhar com vendas em tecnologia na Irlanda?
No episódio, Aruã sugere que quem ainda não tem experiência comercial comece em funções de contato com clientes e procure vagas de Sales Development Representative, conhecidas como SDR. São posições de entrada com grande volume de ligações, prospecção e aprendizado sobre o processo de vendas.
Outra recomendação é pesquisar profundamente a empresa e procurar o gestor da área, não apenas o recrutador. Aruã conta que, antes de entrar na MongoDB, conversou com vendedores, estudou produto e cultura e chegou ao gerente conhecendo o negócio.
Persistência, nesse contexto, precisa aparecer no próprio processo seletivo. Ele recomenda acompanhar os contatos de forma profissional, mencionar conversas relevantes e mostrar por que aquela empresa e aquele produto fazem sentido para o candidato.
O que fica da trajetória de Aruã Tupinambás
A história de Aruã não segue uma linha única. Ele alternou universidade, intercâmbio, vendas, tecnologia, YouTube, viagens e empreendedorismo. Em vez de esconder as mudanças, trata cada fase como uma fonte de repertório para a seguinte.
O episódio mostra que consistência pode construir um projeto, mas também que é legítimo encerrá-lo quando deixa de fazer sentido. Assista à conversa completa no topo da página para conhecer as histórias por trás do Gringa e Eu, das viagens e da carreira de Aruã na Irlanda.
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