O bodybuilding na Irlanda mudou a rotina e o corpo de Jimmy Reis. Ele chegou de Curitiba com 85 quilos, uma bicicleta preparada para fazer delivery e o desejo antigo de ganhar massa muscular. Cerca de três anos depois, atingiu 111 quilos durante a fase de ganho e passou a planejar duas ou três competições por ano.
Na conversa com Bolder, Jimmy descreve treinos que chegaram a durar quatro horas, alimentação de até €17 por dia e a preparação para buscar o título geral de um campeonato. O episódio também aborda lesões, saúde mental e uso de anabolizantes sem fingir que alta performance é sinônimo de saúde.
Da bicicleta de delivery ao bodybuilding
No Brasil, Jimmy trabalhou com redes sociais para a empresa de uma prima, fez entregas de carro e foi recepcionista de academia. Gostava de esporte, mas considerava caro manter a quantidade de alimentos necessária para crescer.
Ao chegar à Irlanda, começou imediatamente no delivery. A bicicleta já estava montada e outros brasileiros o ajudaram a entender a rotina. Depois de um período de festas, bebida e tabaco, percebeu que estava prejudicando a própria saúde e decidiu concentrar energia na academia.
O bodybuilding não surgiu como uma extensão casual do treino. Jimmy entrou com a intenção de aumentar volume e competir. Em um ano, diz ter ganhado cerca de 23 quilos; durante outra fase de ganho, chegou aos 111.
Quanto custa a alimentação de um bodybuilder na Irlanda?
Jimmy calcula que gastava entre €12 e €17 por dia com comida durante a fase de ganho. Carne, iogurte e outros produtos lhe pareciam mais acessíveis em relação à renda do que no Brasil. Ele cita um pote de um quilo de iogurte por cerca de €2 como exemplo daquele período.
O valor diário não inclui tudo. Academia, vitaminas, acompanhamento, viagens e inscrição em campeonatos aumentam o orçamento. A dieta também exige tempo: comprar, preparar, pesar e comer várias refeições faz parte da rotina.
Em uma preparação anterior, chegou a seguir uma dieta de 7.000 calorias e treinar duas vezes por dia. Ele reconhece que comer para ganhar massa pode ser mentalmente mais difícil do que reduzir comida para emagrecer.
Treinos de duas, três ou quatro horas
Na fase de construção, Jimmy passava duas a três horas na academia e já chegou a quatro em treino de pernas. Cargas altas exigiam intervalos longos entre séries. Ele cita uma elevação pélvica com 300 quilos como exemplo.
A duração não é apresentada como regra para iniciantes. O próprio Jimmy afirma que cada pessoa responde a um método e que bodybuilding competitivo é diferente de treinar por saúde. O volume, a carga e a recuperação eram definidos em conjunto com o coach.

Disciplina e saúde mental
Jimmy descreve o esporte como um exercício de resultado adiado. A repetição diária só aparece no palco meses depois. Para ele, a motivação está em observar quanto o corpo pode evoluir quando treino, dieta e descanso são mantidos.
A academia também serviu de refúgio durante um período de saudade da família, fim de relacionamento e sintomas depressivos. Ele diz que se sentia em casa treinando. Com o tempo, a rotina passou a organizar outras áreas da vida.
Isso não significa que toda disciplina seja saudável. Jimmy reconhece que fica estressado quando está longe da comida ou do horário de treino e que o esporte pode estreitar a vida social.
Competição e objetivo de vencer o overall
Depois da primeira competição, Jimmy passou um ano em fase de construção. O plano era voltar ao mesmo campeonato em abril, vencer a categoria e disputar o overall, título que reúne os campeões das divisões.
Ele tinha como referência o atleta que havia vencido a edição anterior e acreditava que poderia competir de igual para igual se chegasse na condição correta. Uma vitória poderia abrir caminho para um evento em Madrid.
Na primeira experiência, Jimmy aprendeu que preparação não é apenas ganhar músculo. Condicionamento, pose, escolha da categoria e controle emocional pesam no julgamento.
Bodybuilding é saudável?
Jimmy faz uma distinção direta: fitness pode ter a saúde como objetivo; bodybuilding de alta performance força limites. Ele menciona incômodo no joelho associado ao excesso de carga e reconhece que atletas podem se lesionar mesmo quando executam o treino com cuidado.
A conversa também aborda anabolizantes. Jimmy afirma que a categoria em que compete é hormonizada e recomenda que pessoas sem objetivo competitivo não usem essas substâncias. Ele fala sobre exames, acompanhamento e efeitos colaterais, mas experiência pessoal não equivale a prescrição médica.
O HSE alerta sobre uso indevido de esteroides anabolizantes: eles são medicamentos sujeitos a prescrição e podem causar dependência, problemas cardiovasculares, hepáticos, renais, hormonais e psicológicos. Comprar, usar ou interromper substâncias sem orientação médica pode ser perigoso. Quem já usa ou está preocupado deve procurar um GP.
Bodybuilding natural ou hormonizado?
A Irlanda também tem competições naturais, com testes após a prova. Jimmy já acompanhou brasileiros nessas categorias e reconhece o nível dos atletas. Ainda assim, escolheu a modalidade hormonizada porque busca um volume que considera incompatível com o limite natural.
Essa escolha tem consequências de longo prazo. No episódio, ele reconhece que alterações hormonais podem persistir e diz que abandonaria o esporte se precisasse escolher entre continuar competindo e preservar a vida.
Perguntas frequentes sobre bodybuilding na Irlanda
É mais barato treinar na Irlanda?
Para Jimmy, academias e alimentos eram mais acessíveis em relação à renda. O custo real depende de cidade, dieta, treinador, suplementos, trabalho e objetivos.
É preciso usar anabolizantes para competir?
Existem campeonatos naturais e categorias testadas. Em categorias não naturais, o uso é comum, mas envolve riscos sérios. Nenhuma competição torna automedicação segura.
Quanto tempo leva para ganhar massa muscular?
Jimmy relata mudanças grandes em cerca de um ano, mas o resultado dele não é parâmetro universal. Genética, alimentação, treino, sono, experiência e uso de substâncias alteram o processo.
O preço da alta performance
A evolução de 85 para 111 quilos chama atenção, mas o episódio é mais útil quando mostra o que existe por trás dela: trabalho, refeições repetidas, treinos longos, descanso, dinheiro e decisões médicas que carregam risco.
O bodybuilding na Irlanda deu a Jimmy uma meta e uma comunidade. Ao mesmo tempo, ele deixa claro que o físico do palco não deve ser confundido com uma recomendação de saúde para o público geral.
