Câncer de mama na Irlanda: o relato de Maylla Amazona

Receber um diagnóstico de câncer de mama na Irlanda mudou completamente a vida de Maylla Amazona. Ela havia chegado ao país em março de 2019 para estudar inglês e trabalhar, depois de quase dez anos no setor de restaurantes em São Paulo. Pouco mais de um ano depois, em plena pandemia, começou uma sequência de exames, cirurgias e tratamentos que ela detalha no Bolder Podcast.

Na conversa com Bolder, Maylla explica como um nódulo foi descoberto, por que precisou de uma mastectomia, como percebeu sozinha uma nova alteração na axila e o que aconteceu durante seis meses de quimioterapia. O episódio também mostra uma parte pouco comentada do tratamento: a dificuldade de pagar contas quando a pessoa fica doente, mas não pode simplesmente parar de trabalhar.

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Como Maylla descobriu o câncer de mama

Maylla conta que a descoberta começou depois de uma queda de bicicleta na Irlanda, na qual quebrou o braço. Ela decidiu viajar ao Brasil para cuidar da lesão e aproveitar a passagem para fazer exames de rotina, inclusive uma avaliação da saúde da mulher.

Um ultrassom identificou um nódulo na mama. De volta à Irlanda, ela procurou um GP e foi encaminhada para investigação hospitalar. O país entrou nas restrições da pandemia pouco depois, o que aumentou a ansiedade, mas o processo de diagnóstico continuou.

No hospital, Maylla refez exames de sangue, ultrassom e mamografia. A confirmação veio por meio de biópsia, em maio de 2020. No relato, ela destaca a rapidez com que tudo mudou: até então, trabalhava, estudava e organizava a vida de imigrante; de repente, precisava compreender termos médicos em inglês e decidir sobre uma cirurgia de grande porte.

Mastectomia e reconstrução no primeiro tratamento

A primeira etapa envolveu cirurgia nos linfonodos e mastectomia total da mama direita, seguida de reconstrução imediata. Maylla diz que sua mãe chegou do Brasil justamente no dia da mastectomia e permaneceu ao lado dela durante a recuperação. Depois, a mãe tornou-se estudante e ficou aproximadamente dois anos no país para continuar oferecendo apoio.

Nessa fase, a avaliação médica indicou que ela não precisaria de quimioterapia ou radioterapia. O plano incluía tratamento hormonal com tamoxifeno por cinco anos. Maylla retomou a vida, mas continuou observando o corpo.

Maylla Amazona durante entrevista sobre câncer de mama na Irlanda
Maylla Amazona conta a Bolder como enfrentou o diagnóstico e o tratamento do câncer de mama na Irlanda.

A recidiva percebida na axila

Cerca de um ano e sete meses depois, Maylla percebeu um novo caroço na axila. Foi ela quem identificou a alteração e procurou atendimento. Os exames confirmaram uma recidiva na região axilar.

Ela passou por um esvaziamento axilar. Segundo o relato no podcast, foram retirados 21 linfonodos e oito apresentavam comprometimento. A segunda etapa foi mais longa: primeiro vieram quatro sessões de quimioterapia com intervalo de 15 dias; depois, outras 12 sessões semanais. Em seguida, fez radioterapia.

Maylla também optou posteriormente pela retirada do implante da reconstrução. No momento da entrevista, dizia que os exames estavam limpos, que estava havia dois anos em remissão e que continuava o tratamento hormonal, incluindo uma injeção a cada 28 dias.

Como foi fazer quimioterapia na Irlanda

A rotina da quimioterapia aparece no episódio sem romantização. Maylla fala sobre cansaço, efeitos colaterais e a necessidade de ajustar a vida aos ciclos do tratamento. Em alguns momentos, mesmo depois das sessões, ela ainda precisava pedalar e fazer trabalhos de limpeza.

O contraste é importante: receber atendimento médico não significa que todos os custos da doença desaparecem. Havia despesas hospitalares e medicamentos, além de aluguel, alimentação e transporte. O maior problema era ficar sem renda quando o corpo não permitia trabalhar normalmente.

Maylla não tinha medical card naquele período e relata que sua situação de imigração e trabalho limitava o acesso a alguns apoios. Ela também menciona a ajuda de instituições e organizações ligadas ao câncer, que podem orientar pacientes e familiares sobre suporte prático e emocional.

O apoio da mãe durante o tratamento

A presença da mãe foi uma das partes decisivas dessa história. Ela não esteve apenas na cirurgia: ajudou na recuperação, na rotina da casa e nos momentos em que Maylla precisava de alguém para acompanhar consultas ou simplesmente absorver o impacto emocional do diagnóstico.

Para imigrantes, a doença frequentemente expõe a fragilidade de viver longe da rede de apoio. Uma viagem de emergência envolve passagem, documentação, hospedagem e disponibilidade de familiares. No caso de Maylla, a decisão da mãe de permanecer na Irlanda criou a estrutura que ela não teria conseguido improvisar sozinha.

Quais sinais de câncer de mama merecem atenção?

A experiência de Maylla reforça uma orientação importante: alterações novas devem ser avaliadas, mesmo quando exames anteriores foram normais. O HSE recomenda procurar o GP diante de sinais como nódulo na mama ou axila, mudança no formato da mama, alteração da pele, secreção pelo mamilo ou dor persistente.

A maioria das alterações mamárias não é câncer, mas somente uma avaliação profissional pode esclarecer a causa. Na Irlanda, o programa BreastCheck oferece rastreamento de rotina para a faixa etária elegível; quem apresenta sintomas não deve esperar o convite do programa. As orientações atualizadas estão nas páginas do HSE sobre câncer de mama e da Irish Cancer Society.

Este post apresenta uma experiência pessoal e não substitui avaliação médica. Quem estiver preocupado com um sintoma deve procurar um GP. A Support Line da Irish Cancer Society também oferece informação e apoio.

Perguntas frequentes sobre câncer de mama na Irlanda

Como funciona o diagnóstico de câncer de mama na Irlanda?

Em geral, a pessoa procura o GP, que avalia os sintomas e pode encaminhar para uma clínica especializada. A investigação pode incluir exame físico, mamografia, ultrassom e biópsia. O percurso exato depende da idade, dos sintomas e do resultado dos exames.

É possível trabalhar durante a quimioterapia?

Algumas pessoas conseguem trabalhar em parte do tratamento; outras precisam se afastar. Isso depende do esquema de quimioterapia, dos efeitos colaterais, do tipo de trabalho e da orientação da equipe médica. O relato de Maylla mostra que necessidade financeira e capacidade física nem sempre coincidem.

Onde buscar apoio na Irlanda?

Além da equipe hospitalar e do GP, a Irish Cancer Society mantém serviços de informação e apoio. O hospital também pode encaminhar para assistência social, enfermagem especializada e organizações locais.

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Uma história sobre atenção ao corpo e rede de apoio

A trajetória de Maylla não se resume a uma cirurgia. Ela passou por dois diagnósticos, mastectomia, reconstrução, esvaziamento axilar, quimioterapia, radioterapia e tratamento hormonal. Ao mesmo tempo, precisou administrar imigração, trabalho e despesas longe da família.

O episódio mostra por que perceber uma mudança no corpo, procurar atendimento e construir uma rede de apoio são partes concretas do enfrentamento do câncer de mama na Irlanda. Assista ao vídeo completo para ouvir Maylla explicar cada etapa com suas próprias palavras.