O custo de vida de uma arquiteta na Irlanda envolve um aluguel alto, mas também salário, rotina profissional e poder de compra muito diferentes dos que ela encontrou em Portugal. Neste episódio, uma arquiteta brasileira mostra a casa onde vive com o namorado em Portmarnock e abre os números de moradia, mercado, transporte e lazer.
A conversa também explica como ela saiu do Brasil, trabalhou nos Estados Unidos, passou por Portugal e escolheu a Irlanda depois de pesquisar não apenas vagas, mas a rota de imigração mais adequada à profissão. O resultado foi uma mudança planejada, feita com emprego, inglês avançado e reserva financeira.
Contexto: valores, salários, aluguel e condições migratórias representam a época da gravação. Preços e regras de employment permits podem mudar e devem ser conferidos em fontes oficiais antes de qualquer decisão.
Da faculdade de arquitetura no Brasil ao trabalho no exterior
A convidada cursou arquitetura durante seis anos no Brasil. No fim da graduação, conseguiu uma oportunidade profissional nos Estados Unidos e concluiu o curso a distância. Depois da experiência americana, mudou-se para Portugal e trabalhou numa empresa internacional, onde o inglês era usado diariamente.
O trabalho em Portugal não era ruim em si. Ela gostava da empresa e reconhecia projetos interessantes, mas sentia que o mercado da construção civil estava menos dinâmico do que esperava. Em sua avaliação, havia menos espaço para métodos construtivos inovadores, sustentabilidade e projetos capazes de acrescentar algo realmente novo ao portfólio.
O salário pesou ainda mais. Ela estima que recebia aproximadamente €14 mil anuais, valor que limitava tanto a vida cotidiana quanto a possibilidade de viajar pela Europa. Mesmo empregada na área, precisava controlar cada despesa e não enxergava uma progressão financeira clara.
Por que trocar Portugal pela Irlanda?
A decisão não veio apenas do salário. A arquiteta relata episódios de preconceito contra brasileiros no cotidiano português. Pessoas presumiam que ela não conseguiria trabalhar na própria profissão e faziam comentários associando imigrantes brasileiros somente a funções de baixa remuneração.
Ela faz questão de não generalizar: tinha amigos portugueses e sentia reconhecimento dentro da empresa. O problema era o clima encontrado em interações comuns, como conversar com proprietários ou atendentes. Aos poucos, isso se somou à insatisfação profissional.
Em vez de procurar simplesmente “emprego fora”, ela passou a pesquisar países com um mercado aquecido para arquitetura e uma autorização de trabalho que trouxesse estabilidade. A Irlanda chamou atenção por causa da construção civil, da crise habitacional e da presença de empresas internacionais.
Arquitetura e algumas funções relacionadas apareciam nas rotas de trabalho qualificado aplicáveis naquele período. A possibilidade de construir uma permanência regular, sem repetir processos migratórios confusos vividos anteriormente, tornou-se decisiva.
O relacionamento também influenciou a escolha
Na época, ela namorava Tom, que é inglês. Os dois haviam se conhecido em Portugal por meio de um aplicativo e passaram cerca de um ano viajando entre Porto e Inglaterra para manter o relacionamento.
A Irlanda funcionava para ambos. As regras aplicáveis a cidadãos britânicos permitiam que Tom se mudasse sem a mesma burocracia enfrentada por pessoas de outras nacionalidades. Ele também conseguiu encaminhar o reconhecimento profissional necessário para trabalhar como farmacêutico.
Foi difícil conseguir emprego como arquiteta na Irlanda?
Para ela, o processo foi mais rápido do que esperava. Depois de decidir pela Irlanda, candidatou-se a vagas durante duas ou três semanas, participou de entrevistas e escolheu uma empresa disposta a permitir que começasse remotamente enquanto ainda estava em Portugal.
A autorização de trabalho levou aproximadamente quatro semanas naquele caso. Ela reconhece que o inglês avançado, a experiência internacional e um portfólio bem construído foram fundamentais. Não começou do zero ao chegar: já havia trabalhado nos Estados Unidos e numa equipe internacional em Portugal.
O episódio evita vender a experiência como uma fórmula. Conseguir emprego rapidamente não aconteceu apenas porque havia demanda. A empresa encontrou uma profissional com formação, experiência, comunicação em inglês e projetos capazes de demonstrar competência.
Como é trabalhar com arquitetura na Irlanda?
A primeira diferença foi financeira. Ela passou a receber mais que o dobro do salário de Portugal e encontrou um mercado com maior volume de projetos. Sustentabilidade, novos materiais e certificações de desempenho aparecem com mais força no trabalho irlandês.
Esses projetos também ajudavam a construir um currículo mais competitivo. A convidada pretendia obter registro profissional na Europa e via o sistema irlandês como uma credencial relevante para oportunidades futuras em outros países.
A segunda mudança foi o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Em Portugal e principalmente nos Estados Unidos, havia expectativa de trabalhar além do horário. Ela afirma ter chegado a semanas de aproximadamente 90 horas nos EUA.
Na Irlanda, sua jornada ficava perto de 36 horas semanais. Quando passava do horário, o próprio chefe perguntava por que ainda estava no escritório. Sair às 17h30 permitiu fazer atividade física, caminhar, cozinhar ou simplesmente assistir televisão — coisas que haviam desaparecido da rotina em outros países.
O que ela mais gosta e menos gosta na Irlanda?
O estilo de vida desacelerado está entre as principais vantagens. O casal gosta de caminhada e trilhas, e a Irlanda oferece acesso fácil à natureza. Viver perto da praia também tornou possível caminhar depois do trabalho durante os meses com dias mais longos.
O clima não a incomoda tanto quanto costuma incomodar outros brasileiros. Ela considera o inverno administrável e diz sentir falta principalmente de mais dias de sol no verão. A avaliação é pessoal: o vento, a chuva e a pouca luminosidade podem afetar cada pessoa de maneira diferente.
Entre os problemas práticos, ela cita mofo, umidade e água dura, que afeta cabelo e equipamentos domésticos. O aluguel também é muito alto, embora sua renda permita absorver melhor o custo do que em Portugal.
Como o casal conseguiu acomodação na Irlanda?
Antes de assinar um aluguel, o casal passou o primeiro mês fazendo house sitting. Por meio de uma plataforma, ficou na casa de pessoas que viajavam e precisava cuidar dos animais e do imóvel. Em troca, tinha onde morar sem pagar um Airbnb durante a busca por acomodação permanente.
A estratégia reduziu a pressão financeira e deu algumas semanas para participar de visitas. Eles chegaram a ficar em casas muito confortáveis, embora reconheçam que mudar repetidamente de endereço se tornaria cansativo se o período se prolongasse.
Dentro daquele primeiro mês, encontraram um apartamento em Portmarnock. A proprietária não exigiu depósito antecipado; combinou a data da mudança e recebeu o primeiro aluguel quando o casal entrou. Foi uma experiência muito mais simples do que a média do mercado irlandês.
A situação, porém, é temporária. O imóvel ocupa o andar superior de uma casa onde a proprietária vive no térreo e pertence ao filho dela, que trabalhava fora. Quando ele retornar, o casal precisará procurar outra acomodação.
Como é a casa em Portmarnock?
O segundo andar funciona como um apartamento independente. Há um quarto principal espaçoso, um quarto de hóspedes usado também para malas e objetos, banheiro com janela, sala e cozinha.
Os móveis, panelas, copos e parte dos utensílios já estavam no imóvel. Como o contrato era temporário, o casal evitou comprar itens que depois precisaria transportar ou guardar. Livros, lembranças e presentes acabaram formando uma decoração improvisada.
A cozinha tem máquina de lavar roupa e lava-louças, além de espaço suficiente para preparar as refeições da semana. A convidada também mantém uma pequena horta com cebolinha, hortelã, pimentão e outras plantas.
A proprietária cuida do jardim e às vezes compartilha alimentos cultivados ali. Quando surgiram problemas hidráulicos e de aquecimento, chamou profissionais e fez os reparos sem cobrar valores adicionais do casal.
Quanto custa o aluguel em Portmarnock?
Na data do vídeo, o casal pagava €2.300 por mês. Eletricidade, internet e outras contas estavam incluídas. Por isso, apesar de o valor absoluto ser alto, a arquiteta considerava o acordo competitivo para a região e para o tamanho do imóvel.
O aluguel era dividido entre os dois. A inclusão das contas também dava previsibilidade ao orçamento, embora ela reconheça que um consumo muito acima do normal poderia fazer a proprietária rever o preço.
Esse exemplo não representa todo o mercado. O imóvel é uma unidade temporária dentro da casa da proprietária e foi encontrado em condições incomuns, sem depósito. Um apartamento semelhante anunciado atualmente pode ter outro valor e outras exigências.
Morar em Portmarnock sem carro é possível?
Portmarnock fica fora do centro de Dublin e possui acesso ao DART. Nos dias de trabalho presencial, ela levava cerca de 50 minutos entre a estação e o escritório, usando um serviço com poucas paradas.
A casa, entretanto, fica a aproximadamente 40 minutos de caminhada da estação. Tom costuma deixá-la de carro antes de seguir para o trabalho. Há ônibus locais, mas o carro torna a rotina mais simples, especialmente para quem mora afastado do centro da vila.
Quem vive mais perto da estação consegue depender menos do automóvel. Também há conexão por ônibus, embora algumas linhas façam um percurso mais longo do que a combinação entre ônibus local e DART.
A localização oferece outra vantagem: o aeroporto fica a cerca de 15 minutos de carro. Para um casal que viaja e mantém vínculos com outros países, essa proximidade ajuda bastante.
A praia de Portmarnock faz diferença na rotina
A praia fica a aproximadamente cinco minutos a pé da casa. Em dias de maré baixa, surge uma grande faixa de areia e moradores caminham em direção à ilha de Howth. O casal chega a fazer percursos longos, com ida e volta de dezenas de quilômetros.
No verão, brasileiros ocupam a grama e a praia quando aparece uma combinação rara de sol e pouco vento. Há também pessoas nadando mesmo nos meses frios. Para a convidada, ter esse espaço perto de casa é uma das melhores partes da mudança.
O custo de vida mensal do casal
Além dos €2.300 de aluguel com contas incluídas, a arquiteta reservava aproximadamente €200 mensais para café, roupa, refeições fora e outras despesas pessoais. O transporte público para o centro custava em torno de €80 a €90 por mês.
No supermercado, o casal gastava entre €60 e €90 por semana, chegando a aproximadamente €400 mensais. Eles cozinham quase todos os dias e preparam os almoços da semana. O valor inclui uma alimentação variada, com carne, salmão e vinho, embora não comam carne diariamente.
A rotina de cozinha explica por que o orçamento de mercado parece baixo para duas pessoas. Refeições fora entram na verba de lazer, e não no supermercado. Tom também é alto e come bastante, detalhe usado no episódio para mostrar que o valor não depende de porções mínimas.
Naquele momento, ela ainda não tinha seguro de saúde privado porque a empresa não oferecia o benefício. Reconhecia que deveria contratar um plano, mas vinha fazendo exames durante viagens ao Brasil. Essa decisão envolve risco e não deve ser tratada como recomendação.
Valeu a pena trocar Portugal pela Irlanda?
Para a arquiteta, sim. A mudança aumentou o salário, abriu perspectivas de crescimento e trouxe uma jornada de trabalho mais equilibrada. Mesmo pagando um aluguel elevado, ela consegue guardar dinheiro, viajar e sair para jantar sem controlar cada euro.
Ela também encontrou espaço para crescer profissionalmente num mercado de construção mais ativo. A vida pessoal mudou com a possibilidade de morar com Tom, e a localização perto da praia reforçou a qualidade de vida.
A trajetória, porém, começou antes do embarque. Inglês profissional, portfólio, experiência internacional, pesquisa sobre o visto e reserva financeira reduziram os riscos. Ela não chegou esperando resolver emprego e documentação depois.
O conselho para arquitetos que desejam morar na Irlanda
A principal recomendação é estudar inglês antes da mudança. Para trabalhar com arquitetura, não basta compreender conversas básicas: é necessário apresentar projetos, discutir detalhes técnicos, escrever e participar de reuniões.
Também é importante pesquisar a autorização compatível com a vaga e manter dinheiro para depósito, primeiro aluguel e despesas iniciais. O casal não pagou caução naquele imóvel, mas sabia que essa era uma possibilidade e chegou preparado.
Por fim, a convidada sugere chegar com expectativas realistas. Irlanda não oferece o clima do Brasil ou de Portugal, e o mercado de moradia é difícil. Em compensação, pode oferecer carreira, renda e uma rotina que façam sentido para determinados perfis.
Assista ao vídeo completo para conhecer a casa, a praia de Portmarnock e os detalhes do orçamento apresentado pelo casal.
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