Conseguir visto de trabalho em marketing na Irlanda sem experiência anterior na área foi o resultado de um caminho construído por Paula Araújo. No Bolder Podcast 125, ela explica como saiu de trabalhos operacionais, voltou a estudar, criou experiência dentro da empresa em que já trabalhava e se preparou para entrevistas até receber uma oferta com Critical Skills Employment Permit.
A história não começa em uma vaga de marketing. Começa em Osasco, passa por banco, call center, limpeza, restaurante corporativo e uma graduação irlandesa. Cada etapa forneceu uma parte do que Paula precisaria depois.
O episódio relata um processo individual ocorrido em 2021 e 2022. Critérios de ocupação, remuneração e eligibility para employment permits podem mudar; confirme sempre as regras oficiais atuais.
Quem é Paula Araújo?
Paula cresceu em Osasco e estudou na Fundação Bradesco. Aos 15 anos, entrou no banco como aprendiz e permaneceu até os 23. Ela considera esse período fundamental para aprender responsabilidade e postura profissional.
Depois, trabalhou em call center. Foi contratada inicialmente para back office e, em apenas um mês, passou para planejamento estratégico porque conseguiu resolver problemas que estavam parados.
Em outra empresa, tornou-se executiva de relacionamento e viajava pelo Brasil atendendo clientes. Embora estivesse satisfeita, continuava com o objetivo de morar fora e aprender inglês. Depois de um divórcio e quase dois anos de planejamento financeiro, decidiu realizar o intercâmbio.
A chegada à Irlanda e os primeiros empregos
Paula chegou à Irlanda em outubro de 2018 com nível elementary de inglês. Já havia organizado uma acomodação por meio de contatos e, com menos de duas semanas, iniciou o primeiro emprego.
Trabalhou como cleaner em casas, como waitress no The Church e em um warehouse onde carregava caixas de aproximadamente 18 quilos. Em determinado momento, conciliava dois empregos para pagar as contas e guardar dinheiro.
A mudança de uma função corporativa no Brasil para a limpeza mexeu com sua autoestima. O esforço físico e a maneira como algumas pessoas tratavam trabalhadores operacionais eram difíceis. Ao mesmo tempo, ela conseguia viajar, ajudar a família e via aquela fase como temporária.
Mais tarde, tornou-se catering assistant em uma empresa que prestava serviços de alimentação dentro do Facebook. Permaneceu nessa organização por cerca de dois anos e meio.
Por que Paula decidiu fazer faculdade na Irlanda
Quando as renovações do curso de inglês se aproximaram do limite, Paula não queria ficar irregular nem abandonar o país. Inicialmente, pesquisou um mestrado, mas o valor era alto para seu orçamento.
Ricardo Silva, que depois se tornaria seu namorado, contou sobre um curso level 8 e ajudou a desenhar um caminho possível. Paula procurou a CCT e matriculou-se em um higher diploma em business.
Ela já era formada no Brasil em Administração com ênfase em Marketing. O curso irlandês durou aproximadamente um ano e ocorreu em grande parte durante a pandemia. Paula dedicou a rotina ao estudo e percebeu uma melhora importante no inglês acadêmico e profissional.
Como criar experiência em marketing sem ter trabalhado na área
Paula não esperou o diploma para começar. Paralelamente à faculdade, fez cursos de marketing digital, SEO e ferramentas específicas. Cada conclusão virava uma publicação no LinkedIn, acompanhada do que havia aprendido.
Ela também passou a se conectar com profissionais de marketing, recrutadores e pessoas que produziam conteúdo sobre a área. O objetivo não era adicionar contatos aleatórios, mas construir um perfil coerente com a carreira desejada.
Uma dessas publicações mudou sua trajetória. Depois de ver o curso de SEO concluído por Paula, a proprietária da empresa de catering mandou uma mensagem oferecendo a possibilidade de aprender marketing dentro do negócio.
A primeira oportunidade profissional em marketing
Durante a pandemia, a empresa havia criado uma operação de comércio eletrônico de alimentos. Paula passou a colaborar com e-mail marketing, alterações no site, Facebook Ads, Google e produção de conteúdo.
Ela também organizou um projeto de vídeo para mostrar produtos e processos de preparação, contratando uma profissional brasileira para a produção. Assim, transformou cursos e iniciativa em experiência que poderia ser demonstrada no currículo.
A passagem durou cerca de seis meses. Embora ainda não fosse a vaga que patrocinaria seu permit, forneceu resultados concretos e abriu a porta para processos seletivos maiores.
Como Paula se preparou para entrevistas na Irlanda
Paula revisou o currículo com ajuda profissional, fez simulações de entrevista e estudou o método STAR para organizar respostas sobre situações reais.
Uma amiga compartilhou um documento com perguntas comuns. Paula adaptou o material à própria experiência e praticou em voz alta. O objetivo não era decorar frases, mas conseguir contar com clareza o que havia feito, qual problema enfrentou e qual foi o resultado.
O inglês ainda causava insegurança. Em vez de esperar a confiança chegar, Paula começou a aplicar e usou cada entrevista como treinamento.
A vaga em uma startup e o Critical Skills
Depois de atualizar o currículo, Paula e Ricardo ampliaram as candidaturas. Ela chegou a receber ligações para funções que não queria, mas uma das aplicações levou à empresa onde construiria o passo seguinte.
Na primeira entrevista, explicou que precisaria de Critical Skills. A empresa já tinha experiência com permits e não tratou isso como impedimento. A segunda conversa presencial repetiu parte das perguntas e terminou com a oferta.
Paula iniciou o trabalho em janeiro de 2022. A função em uma startup de tecnologia não era exclusivamente marketing: ela também apoiava recursos humanos, administração, eventos, comunicação interna e organização de equipes internacionais.
A empresa pagou a aplicação, mas Paula conduziu o preenchimento porque a função administrativa já estava sob sua responsabilidade. O processo foi aprovado alguns meses depois.
Networking foi decisivo?
A rede de Paula ajudou em praticamente todas as fases: acomodação, emprego inicial, indicação de curso, material de entrevistas e compreensão do permit. Mas ela diferencia networking de pedir favores imediatamente.
Para Paula, uma conexão saudável começa com interesse real e troca. Às vezes, acompanhar o conteúdo de alguém ou apresentar duas pessoas já cria valor. Ela própria passou a compartilhar materiais e orientar outras brasileiras que buscavam trabalho na Irlanda.
É possível conseguir visto de trabalho em marketing?
A experiência de Paula mostra que é possível, mas o cargo, a empresa e o perfil precisam cumprir os critérios aplicáveis. O permit não foi concedido apenas por ela ter feito um curso de marketing.
O conjunto incluía formação em administração, experiência corporativa, curso level 8, projetos de marketing, resultados demonstráveis, preparação para entrevista e uma empresa disposta e apta a contratar.
No episódio completo, Paula detalha os documentos, os erros em processos seletivos e as decisões que a levaram de catering assistant a uma posição estratégica em uma startup irlandesa.
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