André Costa construiu carreira como educador físico na Irlanda depois de trabalhar com futebol, academias, pesquisa e treinamento de corrida no Brasil. No Bolder Podcast, ele conta como precisou se reinserir no mercado irlandês e explica conceitos importantes para quem quer começar a correr sem transformar cada treino numa competição.
Da base do futebol à pesquisa científica
André começou a trabalhar com preparação física nas categorias de base do Grêmio. Uma mudança na diretoria encerrou aquela etapa e o levou de volta aos estudos. Ele adiantou disciplinas da faculdade e conseguiu estágio numa academia reconhecida de Porto Alegre.
Na graduação, foi monitor de Anatomia e aprofundou-se em Fisiologia do Exercício. Participou de pesquisas ligadas a trabalhos de mestrado e passou alguns anos observando como o corpo responde bioquimicamente ao treinamento.
Ciência e experiência precisam caminhar juntas
André critica informações que descem em “cascata”: alguém interpreta um estudo, outra pessoa simplifica a explicação e, no fim, a recomendação chega ao público completamente distorcida. Para ele, o profissional precisa consultar boas pesquisas, mas também entender a realidade de cada aluno.
Isso vale para musculação, corrida, natação e esportes coletivos. Um dado isolado de relógio ou aplicativo não substitui avaliação, contexto e acompanhamento da evolução.
Como a tecnologia mudou o treinamento de corrida
No início da carreira, André trabalhava principalmente com marcações de pista e tempos gerais. Hoje, relógios esportivos mostram frequência cardíaca, altimetria, oscilação do tronco, ritmo e outros indicadores.
Esses dados ajudam a controlar carga e intensidade, mas podem confundir o corredor iniciante. Uma tela cheia de números não explica sozinha por que alguém está cansado, sentindo dor ou deixando de evoluir.
Por que André decidiu morar na Irlanda?
André e a esposa, também educadora física, trabalhavam muito no Brasil. Para manter renda e padrão de vida, acumulavam horários até perder fins de semana e tempo pessoal. A violência e o desejo de ampliar experiências também pesaram na decisão.
Como a esposa tinha passaporte europeu, ela conseguiu emprego e o casal iniciou o processo para regularizar a situação de André. Enquanto esperava, ele caminhava e corria pela cidade, aproveitando para conhecer Dublin e manter a ligação com o esporte.
Recomeçar como educador físico na Irlanda
A reinserção profissional não foi automática. André tinha experiência e qualificações importantes no Brasil, mas encontrou exigências locais diferentes. Precisou identificar quais certificações eram reconhecidas e como apresentar sua trajetória ao mercado irlandês.
Mesmo durante a transição, continuou treinando e participando de provas. A corrida funcionou como ferramenta para criar rotina, conhecer pessoas e construir presença na nova cidade.
Tênis caro evita lesão?
André rejeita a ideia de que preço determine automaticamente qualidade. Um tênis barato pode servir para determinada pessoa e um modelo caro pode ser inadequado para o tipo de treino, anatomia e adaptação do corredor.
Ele próprio correu durante muito tempo com calçados minimalistas, que aproximam o pé do solo. Isso exige transição gradual: mudar de uma vez pode sobrecarregar estruturas que ainda não estão preparadas.
Corrida, natação e triatlo
André explica que nadar em piscina e em águas abertas são experiências diferentes. Corrente, temperatura, orientação e densidade da água mudam a técnica. A piscina desenvolve base, mas o atleta precisa treinar especificamente para o ambiente da prova.
Na Irlanda, participou de corridas, meias maratonas e provas de triatlo. Em uma meia maratona, conquistou seu melhor tempo entre as 12 que já havia completado. Depois encarou o formato 70.3: 1,9 km de natação, 90 km de bicicleta e 21 km de corrida.
O erro mais comum de quem começa a correr
Para André, o maior erro é “correr por correr”, sem objetivo nem controle de carga. Na musculação, pesos e repetições ajudam a visualizar o esforço. Na corrida, muita gente sai sempre forte, não sabe diferenciar leve, moderado e intenso e aumenta volume rapidamente.
O iniciante deveria construir base de forma progressiva, permitindo adaptações musculares, respiratórias e cardiovasculares. Dor persistente, câimbras ou queda de desempenho não devem ser resolvidas apenas copiando uma dica da internet.
Vale a pena trabalhar com esporte na Irlanda?
A trajetória de André mostra que conhecimento técnico continua valioso, mas precisa ser traduzido para as exigências locais. Idioma, certificações, rede de contatos e disposição para recomeçar fizeram parte do processo.
Assista ao episódio para conhecer a história de André Costa e entender como ciência, treinamento e experiência prática se encontram no trabalho de um educador físico na Irlanda.
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