Vinícius Albaneze construiu a carreira de gerente de projetos na Irlanda começando como desenvolvedor de software no Brasil. No Bolder Podcast, ele explica por que deixou de focar apenas em código, como buscou responsabilidades de liderança antes de receber o cargo e o que profissionais de tecnologia precisam demonstrar ao procurar uma vaga no exterior.
A entrevista também aborda inglês, currículo, cidadania, experiência internacional e a diferença entre ter uma formação e conseguir provar, numa seleção, que você já sabe resolver problemas de projetos.
O que faz um gerente de projetos?
Um projeto reúne pessoas com prioridades diferentes, prazo, orçamento e um resultado esperado. O gerente de projetos organiza essas variáveis, acompanha riscos, facilita decisões e mantém as partes interessadas informadas.
Vinícius lembra que é raro um projeto terminar sem nenhum desvio. Às vezes o orçamento muda; em outras, o prazo ou o escopo precisam ser revistos. A função não é prometer perfeição, e sim identificar os problemas cedo, alinhar expectativas e conduzir a equipe até a melhor entrega possível.
O começo na tecnologia no Brasil
Vinícius se interessou cedo por computadores e decidiu seguir na área. Durante a faculdade, enviou muitos currículos e aceitou uma oportunidade que exigia deslocamentos de até duas horas em São Paulo. O esforço tinha um objetivo: adquirir experiência antes de se formar.
Ele começou como trainee, foi promovido a desenvolvedor júnior e trabalhou com Java, bancos de dados e atividades que hoje seriam associadas a um perfil full stack. Em cerca de um ano e meio, recebeu proposta para atuar como desenvolvedor pleno numa consultoria multinacional.
Vinícius observa que muitos brasileiros conciliam faculdade e trabalho na área. Ao disputar vagas no exterior, essa experiência prática pode diferenciar um recém-formado de candidatos que chegaram ao fim do curso sem vivência profissional.
Projetos internacionais e o espanhol aprendido no trabalho
Na consultoria, Vinícius foi alocado num cliente do setor de seguros e começou a participar de projetos para a América Latina. No início, acompanhava reuniões em espanhol apenas como ouvinte.
Um dia, o gestor escreveu “se vira” num papel, desligou o telefone e deixou Vinícius conduzir a conversa. Ele pediu repetições, usou o tradutor e saiu com a sensação de que poderia ser demitido. A experiência, porém, tornou-se o início de uma rotina em que passou a trabalhar o dia inteiro em espanhol.
Paralelamente, manteve aulas particulares de inglês. Mesmo sem usar o idioma no emprego naquele momento, sabia que perder fluência dificultaria o plano de viver fora.
Da programação à liderança técnica
Com mais experiência, Vinícius deixou de apenas receber tarefas. Passou a conversar com áreas de negócio, propor soluções, reportar o andamento e apoiar outros desenvolvedores como líder técnico.
Um caso marcou a mudança de perspectiva. Ele recebeu na equipe um profissional que estava perto de ser demitido por baixo desempenho. Ao conversar, descobriu que a pessoa queria trabalhar com tecnologias mais novas e não via futuro nas tarefas atuais. Vinícius redistribuiu parte do trabalho e acompanhou a evolução; o profissional tornou-se um dos destaques do projeto.
Ele atribui o mérito ao colega, mas percebeu que gostava de criar condições para outras pessoas entregarem melhor. Foi quando decidiu migrar formalmente para gestão.
Como fazer transição para gestão de projetos
Vinícius começou perguntando o que faltava entre sua posição e a função desejada. Fez uma pós-graduação aos sábados e buscou conhecimento sobre gestão, mas não tratou o diploma como garantia de emprego.
Enquanto ainda era desenvolvedor, assumiu atividades relacionadas a planejamento, comunicação e liderança. Ao procurar novas oportunidades, escolheu uma vaga de consultor de negócios porque a descrição incluía responsabilidades próximas às de um gerente de projetos.
Depois de cerca de um ano e dois meses na empresa, surgiu uma posição interna de gestão. Era um cliente considerado difícil e a vaga não atraía os colegas. Vinícius aceitou porque precisava exatamente daquela experiência formal.
Certificação ajuda, mas não substitui experiência
Na busca inicial, ele encontrava vagas que pediam certificações como PMP e requisitos que ainda não possuía. A solução foi construir um caminho intermediário: formação, responsabilidades reais e exemplos concretos para contar na entrevista.
Esse raciocínio continua válido para quem deseja ser gerente de projetos: procure experiências em que possa planejar, negociar prioridade, acompanhar risco e coordenar pessoas, mesmo antes de receber o título.
Planejamento de carreira em vez de cargos isolados
Vinícius repete uma pergunta ao longo da conversa: “o que preciso fazer para dar o próximo passo?”. Ele não avaliava o trabalho apenas pelo salário do mês, mas pela experiência que poderia abrir oportunidades futuras.
Isso não significa aceitar qualquer sobrecarga ou trabalhar sem limite. O ponto é escolher movimentos coerentes com um destino. Uma função com título diferente pode aproximar mais da meta do que uma promoção que repete as mesmas tarefas.
Como procurar trabalho em tecnologia na Irlanda?
Para Vinícius, candidatos experientes não devem depender apenas de candidaturas automáticas. É importante adaptar o currículo ao padrão local, manter o LinkedIn claro, entender as entrevistas e conversar diretamente com recrutadores.
O inglês intermediário pode ser suficiente para algumas vagas técnicas, desde que a pessoa consiga explicar experiências, entender perguntas e trabalhar em equipe. Para gestão de projetos, a comunicação tem peso ainda maior, porque o profissional precisa negociar com clientes e diferentes áreas.
Ter cidadania europeia ou uma permissão que permita trabalhar amplia o número de vagas, principalmente posições júnior e contratos temporários. Isso não elimina outros caminhos: empresas podem patrocinar profissionais qualificados, mas a elegibilidade e as regras precisam ser verificadas no momento da candidatura.
Experiência vale mais quando é bem explicada
Durante as perguntas do público, Vinícius comenta oportunidades em desenvolvimento, dados, UX, cloud, DevOps, segurança e outras áreas. A demanda varia, e uma tecnologia específica pode ganhar ou perder espaço.
O princípio mais duradouro é conectar experiência e vaga. Um currículo com muitos anos de trabalho não ajuda se o recrutador não entende o problema resolvido, as tecnologias usadas, a responsabilidade assumida e o resultado alcançado.
Vale a pena seguir carreira de gerente de projetos na Irlanda?
Para quem gosta de comunicação, organização e liderança, a função pode ser um caminho natural a partir de uma base técnica ou de negócios. Vinícius mostra que a mudança não precisa acontecer de uma vez: ele foi desenvolvedor, líder técnico, consultor e, por fim, gerente de projetos.
Assista ao episódio completo para conhecer a trajetória de Vinícius Albaneze e entender como ele transformou experiências de programação e projetos internacionais em uma carreira de gestão na Irlanda.
Permissões de trabalho, listas de profissões e condições do mercado podem mudar. Confirme as regras atuais em fontes oficiais antes de planejar uma mudança.
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