Conseguir um visto de trabalho na Irlanda apenas três meses depois de chegar ao país parece uma mudança repentina. No caso de Suelen Vaz e André, porém, o resultado foi construído com um ano de preparação financeira, experiência profissional, inglês avançado e uma estratégia específica para encontrar empresas dispostas a apoiar o Critical Skills Employment Permit.
Neste episódio, Bolder visita o apartamento do casal em Dublin e acompanha toda a trajetória: a decisão de entrar como intercambistas, os obstáculos encontrados por André durante as candidaturas, o começo de Suelen como cleaner e o custo real da moradia escolhida por eles.
Quem são Suelen e André?
Antes da Irlanda, o casal morava em Foz do Iguaçu, no Paraná. Suelen trabalhava no setor bancário: foi gerente de pessoas físicas e jurídicas em banco privado e depois migrou para uma cooperativa de crédito.
André construiu a carreira em programação. Concluiu a faculdade em 2019, passou por estágio e posições de desenvolvedor júnior, pleno e sênior e chegou a uma função técnica de maior responsabilidade. Por meio de uma consultoria brasileira, trabalhou remotamente durante três anos para uma empresa de Londres.
A experiência internacional despertou uma pergunta: seria possível deixar de atuar por uma intermediária e ser contratado diretamente por uma empresa estrangeira? Essa possibilidade profissional se encontrou com um sonho que os dois já compartilhavam — morar fora do Brasil.
Por que o casal escolheu o intercâmbio na Irlanda?
Suelen e André não tinham cidadania europeia. Pesquisaram Canadá, Estados Unidos e outras alternativas, mas encontraram barreiras relacionadas a visto, sistema de pontos, idiomas e permanência legal. Também cogitaram trabalhar remotamente enquanto viajavam, porém concluíram que receber em reais e gastar em euros criaria um orçamento difícil de sustentar.
A Irlanda permitia estudar inglês e trabalhar legalmente dentro das condições da permissão de estudante. Estar fisicamente no país também facilitaria entrevistas, documentos, moradia e contato com empresas que estavam retomando modelos presenciais ou híbridos.
Mesmo trabalhando remotamente, André explica que precisaria permanecer na Irlanda por questões fiscais caso fosse contratado por uma empresa local. A mudança como estudante se tornou, portanto, uma forma de entrar legalmente, conhecer o mercado e procurar uma vaga a partir do país.
Um ano de preparação antes do embarque
O intercâmbio foi contratado em dezembro de 2024 para começar em dezembro de 2025. O casal teve um ano para organizar a mudança. Saiu do imóvel alugado e voltou temporariamente para a casa da mãe de André, vendeu carro, moto e móveis e reuniu tanto a comprovação financeira exigida quanto uma reserva de emergência.
O dinheiro de emergência tinha uma finalidade clara: se nada funcionasse, os dois poderiam retornar ao Brasil e recomeçar. A preparação também foi mental. Suelen sabia que provavelmente não entraria imediatamente no setor bancário e se dispôs a procurar funções como limpeza, café ou atendimento.
Dezembro não parecia o melhor momento para chegar. Havia menos vagas, muitos negócios funcionavam em ritmo reduzido e o inverno trazia frio e poucas horas de luz. Na prática, o período acabou servindo para adaptação e regularização: solicitar PPS Number, encaminhar o IRP, encontrar acomodação e compreender a rotina local.
O inglês começou a ser preparado ainda no Brasil
Suelen já havia estudado inglês durante a adolescência e chegou com uma base funcional. André intensificou o idioma aproximadamente quatro anos antes da mudança. Fez um curso de cerca de dois anos, do básico ao avançado, e continuou com aulas particulares.
Ele também participava de entrevistas em inglês desde 2022, mesmo quando não pretendia trocar de emprego. A intenção era aprender como empresas internacionais avaliavam desenvolvedores e identificar os próprios pontos fracos antes de depender de uma oportunidade real.
Ao perceber que sabia executar o trabalho, mas às vezes se confundia ao explicar conceitos, André voltou à teoria. Leu quatro ou cinco livros técnicos da área e passou a formular respostas com mais fundamento. Isso seria importante no processo irlandês, que incluiu cinco etapas, três ou quatro delas técnicas.
Como André procurou um visto de trabalho na Irlanda?
Depois de resolver as primeiras questões da mudança, André começou a enviar mais de dez candidaturas por dia. No início, priorizou empresas grandes, imaginando que teriam mais estrutura para patrocinar uma permissão. A realidade foi diferente.
Muitas vagas eram conduzidas por recrutadores terceirizados. Na primeira ligação, perguntavam qual era sua permissão. Ao ouvir “Stamp 2”, encerravam o processo porque o briefing exigia alguém que já pudesse trabalhar em período integral. André tentava explicar que conhecia o procedimento e aceitaria assumir despesas, mas o recrutador não tinha autonomia para alterar o requisito.
Empresas menores abriram um caminho diferente
A estratégia mudou quando ele passou a procurar organizações com aproximadamente 50, 100 ou 200 funcionários. Empresas muito grandes poderiam patrocinar vistos, mas atraíam candidatos do mundo inteiro e mantinham seleções extremamente competitivas. Em empresas menores, havia a chance de conversar diretamente com quem tomaria a decisão.
Na empresa que o contratou, a primeira entrevista foi com o CTO e a responsável pelo RH. André conseguiu explicar sua experiência técnica, o valor que traria à equipe e o funcionamento da permissão. A conversa não ficou limitada a um filtro padronizado de recrutamento.
Outro fator ajudou: a empresa já tinha brasileiros e estava familiarizada com profissionais estrangeiros. A contratação não aconteceu porque toda empresa pequena patrocina vistos, mas porque aquela organização encontrou um candidato adequado e estava aberta ao processo.
Critical Skills em três meses: qual foi o cronograma?
Do desembarque até a oferta, passaram aproximadamente três meses. Depois do aceite da empresa, André iniciou o pedido de Critical Skills Employment Permit. Enquanto aguardava a autorização e a data permitida para começar em período integral, trabalhou 20 horas semanais dentro das condições do Stamp 2.
No relato do casal, a permissão de André levou cerca de 15 dias. Suelen solicitou depois a autorização como cônjuge e recebeu o Stamp 1G aproximadamente três meses mais tarde. Durante a espera, continuou estudando e trabalhando dentro das condições da permissão que ainda possuía.
Esses prazos registram a experiência específica do casal, não uma garantia para novas solicitações. Lista de profissões elegíveis, salário mínimo, documentos e tempo de análise podem mudar. Antes de tomar uma decisão, consulte a lista oficial de profissões Critical Skills e as datas atuais de processamento.
O primeiro trabalho de Suelen na Irlanda
Suelen começou a procurar trabalho logo depois da chegada e recebeu uma indicação ainda em dezembro. Entrou na área de limpeza, função que continuava exercendo em período parcial quando o episódio foi gravado.
Retornar ao setor financeiro exige outra preparação. Certificações brasileiras nem sempre têm validade equivalente na Irlanda, e o vocabulário profissional demanda um inglês mais específico. Com o Stamp 1G em mãos, ela poderia procurar uma função em período integral enquanto mantinha aulas particulares de inglês.
Como foi encontrar moradia em Dublin?
O casal definiu que moradia seria prioridade. Como André trabalhava de casa, precisava de silêncio e privacidade. Três dias depois da chegada, encontraram em Cabra um pequeno imóvel que havia sido adaptado para funcionar como flat. O aluguel era de €1.650 e o contrato disponível durava apenas três meses.
Quando o proprietário pediu o imóvel de volta, André acabava de conquistar o novo trabalho. Mesmo sem receber ainda o salário integral, a reserva permitiu procurar uma acomodação mais confortável e assumir o período inicial.
O apartamento mostrado no vídeo é novo, mobiliado e tem quarto amplo, sala integrada à cozinha, varanda e espaço para os dois trabalharem. O aluguel informado foi de €2.375 mensais. Energia ficava entre €100 e €130, enquanto o mercado do casal girava em torno de €500 por mês.
Os valores correspondem ao momento da gravação e ao padrão escolhido por eles. Suelen e André reconhecem que grande parte da renda vai para o aluguel. Preferiram pagar mais para viver em um bairro tranquilo, com transporte, comércio e acesso relativamente rápido ao centro de Dublin.
Foi sorte ou preparação?
André descreve o resultado como “sorte com preparo”. A vaga certa apareceu rapidamente, mas ele já tinha formação, anos de experiência, inglês, prática em entrevistas e conhecimento do processo migratório. Sem esses elementos, a oportunidade talvez não tivesse produzido o mesmo resultado.
O casal também lembra que passou quase um mês enviando candidaturas sem retorno. Processos seletivos podem demorar semanas para gerar a primeira ligação. A sequência de respostas negativas não significava necessariamente que o plano havia fracassado.
Confiança apareceu como outro componente importante. Para André, muitos profissionais brasileiros têm experiência comparável ou superior à de candidatos europeus, mas se diminuem por causa do sotaque ou do inglês imperfeito. Comunicar limites com honestidade é diferente de pressupor que não se é capaz.
Vale a pena morar na Irlanda?
Suelen e André tinham uma vida confortável no Brasil e não apresentam a mudança como fuga de uma situação desesperadora. Na Irlanda, encontraram maior poder de compra, proximidade de outros países e oportunidades profissionais, mas também aluguel elevado, distância da família e um inverno cuja falta de luz foi mais difícil do que imaginavam.
Os planos incluem permanecer no país, estudar onde seria viável comprar uma casa e, no futuro, avaliar a cidadania. O casal evita tratar essas metas como automáticas, especialmente porque regras migratórias podem ser alteradas durante o percurso.
Como se preparar para buscar um visto de trabalho?
O principal conselho do casal é não viajar com apenas uma possibilidade. O plano pode incluir procura por emprego, outro país, faculdade ou retorno temporário ao Brasil. Ter alternativas reduz a pressão de aceitar qualquer decisão porque todo o dinheiro e toda a expectativa foram colocados em um único resultado.
Também é necessário preparar inglês, currículo, entrevistas, reserva financeira e relacionamento. Mudar de país não resolve automaticamente problemas do casal; a adaptação pode ampliá-los. Suelen e André atribuem parte do resultado à união dos dois durante o planejamento e os primeiros meses.
Assista ao vídeo completo para conhecer o apartamento, os custos apresentados pelo casal e o caminho que levou André do intercâmbio ao Critical Skills em cerca de três meses.
💥 Recursos para você
Serviços, cursos e ferramentas recomendados pelo Bolder.
Alguns links são de parceiros e podem apoiar o Bolder sem custo adicional para você.
🤝 Patrocinadores
Conheça as empresas que apoiam o Bolder Podcast.
