Morar em Dubai não estava no plano imediato de Marluy Lavecchia. Empresária, fisioterapeuta, palestrante e profissional de desenvolvimento humano, ela saiu de São Paulo com seis malas e chegou aos Emirados Árabes sem nunca ter visitado a cidade. A decisão nasceu de uma conversa entre amigas e ganhou sentido dentro de sua fé.
No Bolder Podcast, Marluy fala sobre a adaptação, a abertura de uma empresa, sua percepção de segurança e respeito às mulheres, além do trabalho com brasileiros que vivem no exterior. O episódio também mostra como sua formação em fisioterapia, estética, coaching, hipnose e logoterapia se conectou à carreira de palestrante.
Da fisioterapia ao desenvolvimento humano
Marluy nasceu no Paraná e mudou-se para Presidente Prudente aos 10 anos. Formou-se em fisioterapia, casou-se e teve dois filhos, que mais tarde se tornaram médicos. Sua primeira fase profissional foi ligada à fisioterapia e à estética.
Ela manteve uma empresa de estética por mais de dez anos. Depois de uma pausa de aproximadamente sete anos por questões pessoais e familiares, buscou uma forma diferente de retomar a carreira. Cursos de coaching, hipnose e logoterapia ampliaram o trabalho para temas como comportamento, resiliência, propósito e relações dentro de empresas.
As palestras surgiram desse processo. Marluy passou a trabalhar tanto com organizações quanto com grupos e atendimentos individuais. No episódio, ela explica que não ensina apenas conceitos estudados em livros: procura relacionar cada tema a experiências que viveu e a ferramentas que aplicou em si mesma.
Por que Marluy decidiu morar em Dubai?
Morar fora era um desejo antigo. Antes da pandemia, Marluy chegou a planejar um treinamento na Austrália para conhecer o país e avaliar uma mudança. O projeto foi adiado, e ela deixou a ideia em segundo plano.
Dubai apareceu depois, durante uma conversa com uma amiga que cogitava viver lá. A primeira reação foi de estranhamento por causa das diferenças culturais. Em seguida, outra brasileira que já morava na cidade participou da conversa e apresentou informações mais concretas.
A decisão final teve forte componente religioso. Marluy descreve uma sensação de clareza e interpreta o momento como uma orientação de Deus. A família apoiou o plano, ela organizou a mudança e embarcou sem uma visita exploratória anterior. Curiosamente, a amiga que iniciou a conversa não se mudou, mas Marluy foi.
Uma vida resumida em seis malas
Ao deixar São Paulo, Marluy precisou selecionar o que realmente levaria. Chegou a Dubai com seis malas e sem a familiaridade que uma viagem prévia poderia oferecer. Para ela, a mudança marcou uma transição não apenas geográfica, mas profissional e pessoal.
Um conhecido que mantinha uma clínica de estética em Dubai a convidou para colaborar com o desenvolvimento do trabalho. A oportunidade conectava sua experiência anterior com a nova atuação em desenvolvimento humano.
Empresa e visto em Dubai
Marluy já possuía no Brasil uma empresa voltada ao desenvolvimento humano e organizacional. Em Dubai, abriu uma empresa para exercer a atividade e vinculou a residência a essa estrutura. Segundo o relato dela, o visto precisava ser renovado a cada dois anos.
Esse é um relato da situação específica de Marluy na época da gravação, não uma orientação jurídica ou tributária. Regras de abertura de empresa, residência e impostos podem variar conforme atividade, zona econômica e mudanças na legislação. Quem planeja morar em Dubai precisa confirmar as condições atuais com fontes oficiais e profissionais autorizados.
Como é morar em Dubai sendo mulher?
Uma das perguntas centrais do episódio é sobre a experiência feminina em uma cidade árabe. Marluy diz que, em Dubai, encontrou uma realidade diferente do estereótipo que imaginava. Ela vê mulheres usando roupas variadas em shoppings e espaços turísticos, desde que respeitem as regras específicas de cada ambiente.
Ela também faz uma distinção importante: Dubai é uma cidade internacional e voltada ao turismo, enquanto outros emirados e países da região podem adotar costumes mais rígidos. Portanto, sua experiência não deve ser generalizada para todo o Oriente Médio.
No convívio cotidiano, Marluy afirma ter se sentido respeitada e não relata episódios pessoais de assédio. Essa percepção influenciou sua autonomia para circular sozinha, fazer programas sem planejamento prévio e manter uma vida social independente.
Segurança foi a diferença mais perceptível
Marluy compara a cautela que tinha em São Paulo com a liberdade de caminhar à noite em Dubai. Ela relata poder circular em horários tardios sem receber abordagens e menciona a sensação de encontrar portas e vitrines abertas com menos preocupação.
Novamente, trata-se da percepção pessoal da convidada, e não de uma garantia de ausência de risco. Ainda assim, a segurança cotidiana aparece como um dos fatores que mais melhoraram sua qualidade de vida.
Calor, rotina e cuidados com a saúde
Se em Dublin o frio limita atividades ao ar livre, Dubai apresenta o desafio oposto. Marluy conta que tentou caminhar até um compromisso perto de casa porque queria observar a cidade, mas sentiu o peso do calor intenso. Dependendo da época do ano, deslocamentos curtos a pé podem se tornar desconfortáveis.
Ela procura preservar hábitos simples: academia quando possível, música e dança em casa, leitura, cinema e conversa com amigas. No podcast, relaciona movimento, alimentação e rotina à saúde mental, especialmente para mulheres que mudam de país acompanhando o trabalho do companheiro e perdem a referência profissional que tinham.
O projeto G-Mata e o apoio a brasileiros no exterior
O projeto G-Mata nasceu depois de Marluy atender uma mulher que carregava um trauma de violência sexual sofrida na infância. A melhora percebida durante o acompanhamento levou a profissional a pensar em um modelo capaz de atender pessoas que não poderiam pagar pelo serviço.
Marluy descreve a iniciativa como uma lógica de subsídio: quem tem condições paga pelo atendimento, e parte da estrutura ajuda a viabilizar o cuidado para quem enfrenta dificuldades financeiras. O projeto não se limita a imigrantes, mas a mudança para Dubai reforçou sua atenção aos brasileiros longe de casa.
Ela afirma ter encontrado demandas emocionais importantes entre brasileiros nos Emirados e, durante a passagem pela Irlanda, já começou a conversar com pessoas da comunidade local. Imigrar não apaga traumas ou conflitos anteriores; em alguns casos, distância, solidão e perda de rede de apoio podem intensificá-los.
Por que ela foi de Dubai a Dublin?
Marluy viajou à Irlanda para participar do Brazilian Day. O evento permitiu conhecer a comunidade, criar parcerias e identificar oportunidades para treinamentos futuros. Ela planejava voltar ao Brasil para visitar a família e retornar a Dublin em agosto para novas atividades.
A passagem pela Irlanda ampliou uma ideia que já aparecia em Dubai: seu trabalho poderia acompanhar comunidades brasileiras em diferentes países. Em vez de abandonar o público do Brasil, ela passou a enxergar os emigrantes como uma extensão dessa missão profissional.
Morar em Dubai vale a pena?
Para Marluy, a resposta é positiva porque a cidade combinou segurança percebida, oportunidade de empreender e espaço para continuar seu trabalho. A adaptação, porém, não aconteceu por uma promessa abstrata de sucesso. Ela já levava formação, experiência empresarial, rede de contatos e uma atividade que poderia ser exercida internacionalmente.
O episódio também evita uma conclusão universal: clima, regras migratórias, custo de vida e diferenças culturais pesam de maneira distinta para cada pessoa. A história de Marluy mostra uma mudança guiada por fé e propósito, mas sustentada por uma carreira construída ao longo de anos. Assista à conversa completa com Bolder para conhecer os detalhes da trajetória e suas impressões sobre Dubai.
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