Psicóloga na Irlanda: Janaína Mendes fala sobre saúde mental, imigração e prevenção

Como é trabalhar como psicóloga na Irlanda e atender pessoas em sofrimento emocional? No Bolder Podcast, Janaína Mendes conversa com Bolder sobre prevenção do suicídio, confidencialidade, terapia e os desafios que enfrentou como imigrante até conquistar uma posição no sistema público de saúde.

Este artigo aborda suicídio e sofrimento emocional. Se houver risco imediato na Irlanda, ligue para 112 ou 999 ou procure o pronto-socorro mais próximo. Os demais contatos de apoio estão reunidos abaixo.

Publicidade

Uma história pessoal que levou Janaína à psicologia

O interesse de Janaína pela mente humana está ligado a perdas em sua própria família. Ela cresceu ouvindo histórias de parentes que morreram por suicídio e acompanhou a culpa, a raiva, a tristeza e as perguntas vividas por quem ficou.

Na conversa, ela destaca que o luto por suicídio frequentemente deixa familiares procurando sinais que acreditam não ter percebido. Essa experiência influenciou sua escolha profissional e a forma como passou a estudar comportamento e sofrimento psíquico.

O atendimento de saúde mental na Irlanda

Na época da entrevista, Janaína trabalhava no sistema público e também atuava de forma voluntária. Ela descreve equipes multidisciplinares com profissionais de psicologia, psicoterapia, psiquiatria e outras áreas, além de organizações que oferecem escuta e atendimento em momentos de crise.

O acesso pode começar por GP, avaliação ou contato direto com um serviço de apoio. Filas e critérios variam conforme a instituição e a urgência. Por isso, alguém em risco imediato não deve aguardar uma consulta comum.

Janaína Mendes conversa com Bolder sobre saúde mental na Irlanda
Janaína relata a experiência profissional com prevenção, terapia e atendimento a imigrantes.

Confidencialidade e situações de risco

Janaína explica que a relação terapêutica é confidencial, mas possui limites quando existe risco sério para o próprio paciente ou para outras pessoas. Nesses casos, o profissional pode precisar acionar supervisão, contato de emergência e serviços de saúde ou proteção.

A entrevista mostra por que a avaliação não pode ser reduzida a uma frase ou a uma impressão. Histórico, comportamento, tratamento anterior, medicação, rede familiar e avaliação profissional precisam ser considerados em conjunto.

Como agir quando alguém fala em suicídio?

Qualquer menção deve ser tratada com seriedade. Não tente decidir sozinho se a pessoa está apenas buscando atenção e não prometa guardar segredo quando existe risco. Escute sem julgamento, permaneça com ela quando for seguro e procure ajuda profissional ou emergencial.

Onde buscar ajuda agora

Na Irlanda:

  • Risco imediato: ligue para 112 ou 999 ou vá ao emergency department mais próximo.
  • HSE — ajuda para pensamentos suicidas.
  • Samaritans: 116 123, ligação gratuita.
  • Pieta: 1800 247 247 ou envie HELP para 51444.

No Brasil: o CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia. Em emergência médica, procure o SAMU pelo 192 ou um serviço de urgência.

Os desafios de uma psicóloga imigrante

Janaína também descreve um caminho profissional longo. Para atuar na Irlanda, precisou dominar terminologia técnica em inglês, conhecer a estrutura local, estudar novamente e acumular experiência em serviços comunitários.

Ela se candidatou a uma vaga pública sem ter certeza de que seria chamada. A resposta veio cerca de um ano depois, durante a pandemia. Após entrevista e período de avaliação, conquistou estabilidade no serviço — resultado que, segundo ela, representou anos de estudo e adaptação.

Psicólogo formado no Brasil pode trabalhar na Irlanda?

A trajetória mostra que é possível, mas não automático. Formação, registro, experiência, idioma e exigências específicas do empregador precisam ser avaliados. As regras atuais devem ser confirmadas diretamente com os órgãos profissionais e instituições irlandesas.

Terapia não oferece respostas mágicas

Janaína trabalha principalmente com psicanálise, mas reconhece que diferentes demandas exigem abordagens diferentes. Uma crise aguda pede intervenção e segurança imediatas; um processo terapêutico de longo prazo permite investigar história, emoções e padrões de comportamento.

Ela resume a função do terapeuta de forma concreta: não entregar uma resposta pronta, mas entrar no problema com a pessoa e trabalhar junto na construção de uma saída. Assista ao episódio completo para conhecer sua carreira, os bastidores do atendimento e a realidade da saúde mental entre imigrantes.