Um bom currículo é importante, mas nem sempre é o primeiro passo para encontrar emprego na Irlanda. Para a recrutadora brasileira Gisela Florido, construir contatos, entender exatamente o perfil da vaga e saber explicar a própria experiência pode ter mais impacto do que enviar dezenas de candidaturas genéricas.
Em entrevista ao Bolder Podcast, Gisela reúne aprendizados de uma carreira em recursos humanos iniciada em 2003. Psicóloga de formação, ela trabalhou com recrutamento no Brasil e em Portugal antes de chegar à Irlanda, onde também precisou começar por uma função diferente e construir credibilidade no mercado local.


Networking antes da vaga aparecer
Gisela coloca o networking como prioridade porque muitas oportunidades circulam antes de serem anunciadas publicamente. Contatos profissionais podem indicar uma vaga, explicar como determinada empresa contrata ou encaminhar um currículo à pessoa certa. Ela própria conseguiu oportunidades por meio de referências construídas ao longo da carreira.
Isso não significa pedir emprego a desconhecidos. O objetivo é criar relações profissionais reais, participar de conversas da área e deixar claro que tipo de trabalho se busca. Uma rede bem construída também ajuda o candidato a compreender o vocabulário e as expectativas do mercado irlandês.
A primeira oportunidade na Irlanda
Antes de se mudar, Gisela vivia em Portugal e avaliava os limites salariais e tributários do país. A Irlanda apareceu como alternativa tanto pelo mercado quanto pela possibilidade de desenvolver o inglês. Seu primeiro emprego irlandês foi na recepção de um hotel, após uma indicação. Ela viajou de Portugal para participar da entrevista no dia seguinte.
O trabalho no hotel não era o objetivo final, mas ofereceu experiência local. Quando surgiam necessidades relacionadas a pessoas e contratação, Gisela também podia contribuir com o conhecimento que já trazia de recursos humanos. Mais tarde, buscou uma qualificação local pedida pelo setor e retomou a trajetória em recrutamento.
Currículo, permissão de trabalho e clareza
Uma das orientações do episódio é adaptar o currículo à vaga. O recrutador precisa identificar rapidamente quais experiências correspondem aos requisitos da posição. Informações relevantes sobre a autorização para trabalhar na Irlanda também devem aparecer de forma clara, evitando dúvidas logo na triagem.
Gisela observa que o número elevado de candidaturas exibido em plataformas como o LinkedIn não significa necessariamente que todos os concorrentes sejam adequados. Sistemas e recrutadores eliminam inscrições sem correspondência com o perfil. Por isso, quem realmente atende aos critérios não deve abandonar uma vaga apenas porque muitas pessoas já clicaram em “candidatar-se”.
Como se preparar para a entrevista
Em vez de repetir adjetivos, o candidato deve preparar situações concretas que demonstrem suas competências. Exemplos de problemas enfrentados, decisões tomadas e resultados alcançados ajudam o entrevistador a entender como aquela pessoa atua na prática.
Também é importante pesquisar a empresa e compreender a descrição da vaga. A primeira conversa costuma avaliar experiência, comunicação, disponibilidade e compatibilidade geral. Dependendo da função, outras etapas podem aprofundar conhecimentos técnicos ou envolver gestores da equipe.
Não dependa de um único processo
Processos seletivos podem ser demorados, enquanto bons candidatos continuam recebendo propostas. Gisela explica que empresas também perdem profissionais quando levam tempo demais para decidir. Para quem procura trabalho, a recomendação é manter várias candidaturas ativas e usar cada entrevista como aprendizado.
A conversa reforça que a busca por emprego na Irlanda envolve estratégia, adaptação e persistência. Inglês e situação migratória influenciam as possibilidades, mas apresentar experiência relevante com clareza, construir contatos e entender a necessidade real da empresa aumenta a chance de avançar.
Assista ao episódio completo no vídeo acima.
