O custo de vida na Europa em 2023 foi o ponto de encontro entre brasileiros que moravam em quatro países diferentes. No primeiro Europa Connection, publicado em setembro daquele ano, Bolder reuniu Tomás, do Alemanha Cast; Iran, do PortuAs Viagens e Mundo Afora; e Marcão, do A Vida Lá Fora, na Itália.
A conversa compara moradia, energia, segurança, trabalho e imigração na Alemanha, Itália, Portugal e Irlanda. Como o episódio comenta notícias e valores daquele período, este post preserva o contexto histórico: números citados não representam preços ou regras atuais.
Quem participou do primeiro Europa Connection
Marcão vivia havia 13 anos na Itália e criou o A Vida Lá Fora para registrar histórias de imigrantes. O projeto nasceu de uma conversa sobre escrever um livro e tornou-se referência para brasileiros interessados em mudar para o país.
Tomás começou o Alemanha Cast quando percebeu que faltavam conversas aprofundadas sobre burocracia, carteira de motorista, moradia e adaptação. Inicialmente, pretendia produzir durante apenas o primeiro ano; o retorno do público manteve o projeto.
Iran criou o PortuAs Viagens durante a pandemia e ampliou a cobertura quando as fronteiras reabriram. Em Guimarães, preparava o Mundo Afora Podcast para receber brasileiros e outros falantes de português.
Segurança na Europa não significa ausência de crime
A primeira notícia discutida foi um esquema de desvio de cobre envolvendo uma grande empresa alemã. O caso abriu uma comparação sobre como crime e percepção de segurança mudam entre os países.
Na região do Lago de Garda, Marcão via furtos de bicicletas durante a temporada turística. Na Alemanha, Tomás também mencionou bicicletas e cabos. Em Portugal, Iran considerava Guimarães tranquila, mas lembrava que descuido ainda podia terminar em furto.
Bolder comparou com a Irlanda, onde motocicletas e bicicletas eram alvos frequentes. A conclusão não foi que um país é “sem crime”, mas que o tipo de risco e a frequência da violência direta são diferentes da experiência brasileira.
O perfil do brasileiro que imigra estava mudando
Marcão percebeu uma mudança em relação a 2010. Parte dos novos imigrantes chegava à Itália com cidadania, reserva, profissão e intenção de abrir negócio. A comunidade brasileira ganhava empresas e começava a contratar outros brasileiros.
Na Alemanha, o perfil relatado também era mais profissional, influenciado por uma economia forte e por pessoas que pesquisavam os processos antes de mudar.
Portugal reunia cenários diferentes: empreendedores preparados conviviam com quem chegava sem documentação, reserva ou noção real do mercado de trabalho. Iran alertou que a quantidade de conteúdo sobre o país podia criar uma falsa sensação de facilidade.


Moradia: o problema comum aos quatro países
A notícia mais grave tratava de famílias vivendo em tendas na região de Carcavelos, perto de Lisboa. Iran explicou que o valor dos imóveis havia crescido muito mais rápido do que o salário mínimo português. Famílias com filhos tinham dificuldade adicional para dividir casa.
Na Alemanha, Tomás morava fora do centro de Stuttgart para reduzir custos. Regras de construção, oferta limitada e chegada de pessoas deslocadas pela guerra pressionavam o mercado.
No norte da Itália, Marcão dizia que apartamentos de dois quartos que antes custavam cerca de €650 a €700 já apareciam por €800, €900 ou mais. Proprietários em áreas turísticas preferiam contratos curtos e aluguéis de verão.
Na Irlanda, Bolder resumiu a distorção: em Portugal, ter um apartamento só já parecia luxo; em Dublin, o luxo começava por conseguir um quarto individual.
Aluguel ou compra na Itália?
Marcão contou que a prestação de seu apartamento era inferior ao aluguel de imóveis semelhantes. Comprar poderia fazer sentido para quem já tinha entrada, crédito e estabilidade, mas não era uma solução imediata para recém-chegados.
Ele também alertou sobre exigências abusivas, como pedidos de muitos meses adiantados, e sobre discriminação contra imigrantes ou famílias com crianças.
Fora dos grandes centros, carro era quase indispensável na região onde vivia. Essa despesa precisava entrar na comparação entre aluguel mais barato e distância do trabalho.
Energia, combustível e inflação após a guerra
Os participantes relacionaram aumentos de mercado, eletricidade e combustível aos efeitos da invasão russa da Ucrânia e ao período pós-pandemia. Marcão estimava que alimentos na Itália haviam subido cerca de 20% a 25% em sua experiência doméstica.
Na Irlanda, algumas empresas anunciavam redução nas tarifas de energia depois de aumentos muito fortes. Na Alemanha, a crise energética havia alterado preços e expectativas para o inverno.
Esses percentuais foram mencionados em setembro de 2023 e variavam por fornecedor, região e consumo. Não devem ser usados para montar um orçamento atual.
Integração cultural e xenofobia
Marcão reconheceu situações de xenofobia na Itália, mas argumentou que reputações também eram influenciadas por experiências anteriores de proprietários e empregadores. Para ele, falar italiano, cumprir compromissos e compreender costumes locais fazia diferença.
Os participantes concordaram que viver fora exige mais do que reproduzir uma comunidade brasileira. Integrar-se não significa abandonar a origem, mas aprender as regras informais do lugar e construir confiança com pessoas de outras nacionalidades.
Perguntas frequentes sobre custo de vida na Europa
Qual país tinha o aluguel mais barato em 2023?
O episódio não oferece uma comparação estatística padronizada. Os relatos indicam que cidades menores de Portugal e Itália podiam custar menos do que Dublin ou Stuttgart, mas salário, transporte e disponibilidade mudavam o resultado.
Era seguro morar na Europa?
Os participantes percebiam menos violência direta do que no Brasil, mas relatavam furtos, roubos de bicicletas, golpes e crimes pontuais. Segurança dependia de cidade e comportamento.
Valia a pena mudar sem planejamento?
O consenso era negativo. Documentação, reserva, idioma, moradia e mercado de trabalho precisavam ser avaliados antes da viagem.
Por que este episódio ainda é útil
Os valores envelheceram, mas os critérios continuam relevantes. Aluguel precisa ser comparado com salário líquido; morar longe exige incluir transporte; cidade turística muda a oferta; família com filhos tem necessidades diferentes de uma pessoa solteira.
O primeiro Europa Connection registrou o custo de vida na Europa em 2023 pela perspectiva de quem pagava contas e ajudava novos imigrantes. Assista ao vídeo para entender o contexto daquele momento e consulte fontes oficiais antes de tomar decisões atuais.
