Como é trabalhar em pet shop na Irlanda: rotina de um dog groomer em Dublin

Como é trabalhar em pet shop na Irlanda? Bolder visitou o Woofglam, em Dublin, para acompanhar a rotina de Matheus, um brasileiro com mais de 20 anos de experiência em banho e tosa. O vídeo mostra equipamentos, técnicas, adaptação às raças mais comuns no país e os bastidores de um negócio que tinha apenas seis meses de funcionamento.

Além do trabalho de dog groomer, a visita apresenta Adriana e César, responsáveis pelo espaço, e revela como uma prestação de serviço em domicílio se transformou em parceria. O resultado é um retrato prático do setor pet na Irlanda, com desafios que vão da burocracia para abrir a loja à dificuldade de contratar profissionais qualificados.

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A trajetória de Matheus como dog groomer

Matheus começou a trabalhar com banho e tosa aos 19 anos e chegou à Irlanda aos 40, já com duas décadas de experiência. O objetivo era estudar inglês sem abandonar a profissão que dominava no Brasil.

Nos primeiros meses, divulgou o trabalho pelo Instagram, WhatsApp e outras redes sociais. Os atendimentos começaram na casa dos clientes e cresceram pouco a pouco. Para complementar a renda, Matheus também fez delivery, algo que considera uma maneira acessível de se manter enquanto uma clientela ainda está sendo construída.

Adriana foi uma das primeiras clientes. Depois de ver o resultado, comentou que sempre quis abrir um pet shop. A conversa deixou de ser apenas uma brincadeira, e a experiência técnica de Matheus passou a fazer parte do projeto do Woofglam.

Como funciona um banho e tosa em Dublin

O espaço é dividido entre recepção, área de banho, secagem, mesas de tosa e canis para os animais que aguardam atendimento ou a chegada dos donos. Quando possível, os cães ficam soltos e socializam antes do procedimento, o que ajuda a reduzir a ansiedade.

Há banheiras para diferentes portes, aquecimento, camas e produtos específicos para tipo e cor de pelagem. Cães muito grandes podem ser atendidos no chão para evitar riscos no levantamento. Gatos são recebidos apenas no primeiro ou no último horário, sem presença de cachorros no local.

Tesouras, secadores e acabamento

Matheus mostra que o kit de um groomer vai muito além de máquina e tesoura comum. Ele usa tesouras curvas, semidentadas e de desbaste, além de uma supercurva para finalizar topetes e pelagens volumosas. Mesas de tamanhos diferentes ajudam no atendimento de cães pequenos e grandes.

Depois do banho, um secador potente remove grande parte da água. Outro equipamento com ar quente estica o pelo e permite trabalhar melhor rosto, pescoço e orelhas. A secagem correta prepara a pelagem para máquina, tesoura ou uma combinação das duas técnicas.

Banho antes ou depois da tosa?

Na maioria dos atendimentos, Matheus prefere dar banho primeiro. Tosar um animal sujo pode tirar o fio das lâminas e tesouras, além de prejudicar o acabamento. Depois de lavar, secar e escovar, ele remove os nós restantes e finaliza o corte.

A ordem muda quando o cão chega muito embaraçado. Em alguns casos, é necessário reduzir o volume antes do banho; em outros, a pelagem está tão comprometida que não pode ser preservada. O bem-estar do animal define o limite do resultado estético.

Diferenças entre trabalhar com pets no Brasil e na Irlanda

A maior adaptação de Matheus foram os doodles e outras raças ou cruzamentos com pelagem semelhante à do poodle. Eles aparecem em portes muito diferentes e são mais comuns na Irlanda do que eram na rotina dele no Brasil.

As técnicas não mudaram radicalmente porque a experiência brasileira já era ampla. A diferença aparece na frequência. Segundo Matheus, clientes no Brasil costumavam levar os animais ao banho e tosa toda semana ou a cada 15 dias; na Irlanda, muitos esperam meses.

Chuva, passeios e pelagem encaracolada formam uma combinação difícil. O pelo molha e seca repetidas vezes, criando nós que podem chegar a um ponto impossível de desfazer sem sofrimento. Por isso, a equipe tenta orientar os donos a antecipar a manutenção.

O cliente paga, mas o bem-estar do animal vem primeiro

Adriana resume a filosofia do negócio dizendo que o dono é quem paga, mas o verdadeiro cliente é o cachorro. Isso significa explicar quando o corte desejado não é adequado, propor a manutenção necessária e adaptar o atendimento ao comportamento de cada animal.

O espaço aberto permite que as pessoas vejam como os pets são tratados. A equipe acredita que essa transparência, somada à liberdade e à calma dos animais, ajudou a conquistar clientes recorrentes.

Como foi abrir um pet shop na Irlanda

Antes do Woofglam, o imóvel era uma peixaria. Adriana e César reaproveitaram parte da estrutura, nivelaram o piso, revestiram paredes e construíram a recepção com as próprias mãos. O investimento continua acontecendo conforme o negócio cresce.

Adriana conta que o contrato levou meses entre advogados e entrega das chaves. Depois vieram permissões, impostos, seguros e despesas que não estavam totalmente previstas no cálculo inicial. Para ela, a burocracia é difícil, mas pode ser vencida com pesquisa e acompanhamento cuidadoso.

Com apenas seis meses, a loja já recebia mais animais do que o esperado. O principal obstáculo passou a ser contratar gente que mantivesse o padrão técnico e o cuidado definido pela equipe. Sem novos profissionais, os planos de expansão ficam limitados.

Há oportunidades para groomers na Irlanda?

Matheus acredita que sim. A demanda do próprio estabelecimento e a procura por staff indicam espaço para profissionais qualificados. Ele também considera a remuneração boa e valoriza a diversidade de raças e desafios técnicos encontrados no país.

Experiência prática faz diferença. Matheus conta que já recebeu mordidas, principalmente no início da carreira, e que aprendeu a identificar sinais de comportamento antes que o animal ataque. Mesmo profissionais experientes precisam respeitar limites, usar equipamentos adequados e reduzir o estresse do pet.

  • Monte um portfólio visual com resultados reais.
  • Use redes sociais e indicações para conquistar os primeiros clientes.
  • Aprenda o vocabulário de atendimento, pelagem, equipamentos e comportamento animal em inglês.
  • Esteja preparado para raças e frequências de manutenção diferentes das encontradas no Brasil.
  • Priorize bem-estar e segurança, mesmo quando isso altera o corte pedido pelo dono.

Uma profissão brasileira aproveitada na Irlanda

Matheus não precisou abandonar a experiência construída ao longo de 20 anos. Começou com atendimento domiciliar, complementou a renda no delivery e transformou uma primeira cliente em parceira de trabalho. A trajetória mostra como portfólio, divulgação e qualidade podem abrir uma porta antes mesmo de existir uma vaga formal.

No vídeo, Bolder acompanha o banho, a secagem e a tosa de perto, além de mostrar a transformação do imóvel e a rotina dos animais. Assista para conhecer visualmente o trabalho de um dog groomer e os bastidores de um pet shop em Dublin.


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