Visto de trabalho em contabilidade na Irlanda: Rodrigo Teixeira | Bolder Podcast 162

Conseguir um visto de trabalho em contabilidade na Irlanda foi o resultado de um projeto de cinco anos para Rodrigo Teixeira. O auditor baiano chegou ao país pela primeira vez com inglês básico, trabalhou na cozinha de um restaurante tailandês, voltou ao Brasil e continuou acumulando experiência até ser contratado como gerente ainda morando em Salvador.

No Bolder Podcast 162, Rodrigo explica como encontrou a vaga, preparou o LinkedIn, enfrentou entrevistas em inglês e obteve um Critical Skills Employment Permit. A conversa também mostra as diferenças entre auditoria no Brasil e na Irlanda, a importância da experiência em empresas globais e os desafios que continuam depois da contratação, como moradia, liderança multicultural e adaptação profissional.

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O episódio retrata regras e condições vigentes na época da gravação. Critérios do employment permit, faixas salariais e direitos de dependentes podem mudar; confirme sempre as exigências atuais nos canais oficiais do governo irlandês.

O que faz um profissional de auditoria?

Rodrigo define a auditoria como o trabalho de verificar se uma empresa registrou suas operações de acordo com as normas contábeis, nos valores e períodos corretos. Uma parte importante é investigar riscos de fraude ou transações que possam beneficiar indevidamente sócios e acionistas.

Também existe uma dimensão fiscal, voltada à conformidade com as obrigações aplicáveis. O trabalho não se limita a grandes corporações. Empresas menores podem precisar de demonstrações auditadas para solicitar empréstimos, atrair investidores ou sustentar planos de expansão.

A profundidade da auditoria muda conforme o tamanho e a complexidade do negócio, mas o objetivo é semelhante: oferecer confiança a quem depende das informações financeiras da empresa.

A primeira passagem de Rodrigo pela Irlanda

Antes de conseguir o visto de trabalho, Rodrigo foi intercambista na Irlanda em 2016. Ele escolheu o país pelo custo-benefício percebido na época e pela possibilidade de estudar e trabalhar legalmente durante o intercâmbio.

O inglês era muito básico. No primeiro dia, tentou pedir um Big Mac por acreditar que o processo seria igual em qualquer lugar. Quando a atendente começou a perguntar sobre acompanhamento e bebida, ele não entendeu. Rodrigo precisou olhar para a fila e perguntar, em português, se havia algum brasileiro por perto. Uma pessoa apareceu e fez o pedido por ele.

Na imigração, a dificuldade foi parecida: entregava os documentos e repetia que não falava inglês. Mesmo assim, decidiu transformar a exposição ao idioma em parte do aprendizado.

De auditor no Brasil a kitchen porter

Rodrigo conseguiu trabalho no segundo mês e permaneceu por cerca de seis meses como kitchen porter em um restaurante tailandês. No Brasil, já tinha carreira em auditoria. A mudança de função provocou desconforto no início, mas ele percebeu que os títulos profissionais construídos no Brasil não substituíam a capacidade de comunicação necessária na Irlanda.

O emprego tornou-se uma escola prática. Colegas e gestores falavam mais devagar quando necessário, corrigiam a pronúncia e indicavam atividades de conversação. Para Rodrigo, aquela vivência foi tão importante quanto as aulas formais.

Ele havia tirado licença sem remuneração e deixou a esposa no Brasil durante os oito meses da experiência. O apoio dela e da família foi decisivo, especialmente no inverno. Ao mesmo tempo, aprendeu a não compartilhar cada dificuldade imediatamente, pois sabia que a preocupação poderia virar pressão para abandonar o plano.

Por que Rodrigo voltou ao Brasil antes de buscar a vaga?

Ao fim do intercâmbio, Rodrigo ainda não se considerava preparado para uma vaga de auditoria na Irlanda. O inglês havia melhorado, mas ele tinha pouca experiência profissional para o nível de contratação internacional que pretendia alcançar.

De volta ao Brasil, viveu o que descreve como uma espécie de depressão pós-intercâmbio. Comparava Salvador com a Irlanda, reclamava do trânsito, do calor e da insegurança e falava constantemente sobre voltar. A situação afetou amizades e levou Rodrigo a procurar apoio psicológico.

Apesar da frustração, ele não tratou os cinco anos seguintes como uma espera passiva. Continuou estudando inglês, ganhou senioridade em auditoria e pesquisou o mercado irlandês. O retorno só ocorreria quando conseguisse fazer a mudança trabalhando na própria área.

A carreira em auditoria no Brasil

Rodrigo trabalhou por cinco anos na PwC, passou quase três anos em uma grande empresa petroquímica e depois retornou à auditoria na KPMG. A passagem pela indústria pagava melhor, mas confirmou que ele preferia a rotina de auditoria e que essa experiência poderia abrir mais portas internacionais.

Ele começou a carreira como trainee, recebeu promoções e chegou ao cargo de gerente. Quando aplicou para a vaga irlandesa, buscou uma posição no mesmo nível.

Durante esse período, fez aulas online de conversação por quase dois anos com uma professora irlandesa que vivia na Espanha. A coincidência ajudou: além do idioma, teve contato contínuo com o sotaque que encontraria nas entrevistas e no trabalho.

Como buscar emprego em contabilidade na Irlanda?

Rodrigo combinou indicações de amigos com busca ativa no LinkedIn. Em vez de apenas clicar em “candidatar-se”, pesquisava empresas de auditoria, identificava recrutadores internos, profissionais de RH e headhunters e enviava uma mensagem curta.

A apresentação destacava sua experiência em Big Four, o nível de inglês e o interesse em conversar sobre posições disponíveis. Segundo ele, as respostas começaram a aparecer com mais frequência depois que traduziu todo o perfil do LinkedIn para inglês.

Outro caminho era localizar brasileiros já empregados nas empresas desejadas. Nem todos respondiam, mas quem estava dentro conseguia explicar o processo, indicar vagas e esclarecer o perfil procurado.

Currículo direcionado para a vaga

Rodrigo recomenda um currículo limpo e centrado nas experiências relevantes. Como havia trabalhado desde muito jovem, removeu empregos e estágios que não acrescentavam à candidatura em auditoria.

Ele também alerta que passagens muito curtas por várias empresas podem gerar dúvidas sobre permanência. O currículo deve mostrar coerência, sem esconder informações, e relacionar responsabilidades reais aos requisitos da vaga.

Experiência com ferramentas de transformação digital, automação e análise de dados pode diferenciar o candidato. No episódio, Rodrigo cita conhecimentos como Power BI e Alteryx, além das competências técnicas e comportamentais exigidas pela função.

Como foram as entrevistas em inglês?

A primeira entrevista ocorreu por telefone e foi difícil. O sinal falhava, o sotaque era desafiador e Rodrigo não conseguia acompanhar todas as perguntas. A vaga não avançou, mas a experiência mostrou o que precisava mudar.

Na entrevista seguinte, ele pediu uma videochamada. Ver as reações dos entrevistadores ajudou a perceber se estava sendo compreendido, controlar a velocidade da fala e interpretar melhor a conversa.

Para se preparar, pesquisou o site da empresa, observou como os profissionais apareciam nas fotos e escolheu uma roupa compatível com a cultura corporativa. Também estudou as normas contábeis locais. Quando foi questionado, explicou que ainda não tinha experiência aprofundada com os padrões irlandeses, mas conhecia as normas internacionais e sabia como elas se relacionavam.

A maior parte da conversa serviu para entender quem era Rodrigo, por que escolhera a Irlanda e como trabalhava. A etapa técnica ocupou apenas uma parte do tempo, com perguntas sobre normas e experiência de gestão.

Experiência internacional anterior fez diferença

Uma pergunta importante foi “por que a Irlanda?”. Rodrigo pôde responder com base em experiência real. Já conhecia o clima, a cultura, o mercado e as dificuldades do país. Para a empresa, isso reduzia o risco de contratar alguém que chegasse e descobrisse que não queria viver ali.

Na mesma fase, ele recebeu possibilidades nos Estados Unidos, com opções como Nova York, Los Angeles e Filadélfia. A Irlanda foi escolhida porque ele já tinha amigos, conhecia o cotidiano e valorizava a facilidade de viajar pela Europa. A rede de apoio pesou mais do que o potencial financeiro maior da proposta americana.

Critical Skills para contabilidade: como foi o processo?

No caso de Rodrigo, a empresa conduziu a solicitação do permit. Ele revisou formulários e providenciou traduções juramentadas de documentos como diploma, registro profissional, certidão de casamento e outros comprovantes pedidos.

O pedido levou aproximadamente três meses naquela ocasião. Rodrigo recebeu a aprovação em PDF e usou o documento para entrar no país e seguir os procedimentos de registro.

Ele relata que, naquele momento, três anos ou mais de experiência ajudavam a empresa a demonstrar que o candidato tinha a qualificação exigida. Isso não deve ser entendido como regra universal ou atual: ocupação, remuneração, qualificação e demais condições precisam ser verificadas na lista e nas orientações vigentes do Department of Enterprise, Tourism and Employment.

O cônjuge pode trabalhar?

Rodrigo explica que sua esposa o acompanhou como dependente e pôde buscar trabalho em período integral sob as condições aplicáveis na época. Como políticas migratórias mudam, casais que planejam a mudança devem confirmar diretamente quais permissões são concedidas ao cônjuge hoje.

Mercado de auditoria na Irlanda

Na época do episódio, Rodrigo via forte demanda por profissionais de auditoria e contabilidade. Sua empresa contratava pessoas das Filipinas e da África do Sul e havia começado a trazer brasileiros. Ele foi o primeiro brasileiro da equipe e indicou uma colega que também foi contratada.

Grandes redes de auditoria estavam mais acostumadas a patrocinar permits, mas firmas médias também ampliavam a contratação internacional. A experiência em uma organização global ajudava porque metodologias e processos eram reconhecidos entre escritórios de países diferentes.

O inglês, entretanto, continuava sendo a principal lacuna entre profissionais tecnicamente fortes. Não era necessário falar como nativo, mas o candidato precisava entender perguntas, explicar decisões e participar de conversas com clientes e equipes.

Diferenças entre trabalhar no Brasil e na Irlanda

Rodrigo estava acostumado a iniciar às 9h e, em períodos intensos, terminar às 21h ou 22h no Brasil. Na Irlanda, percebeu uma cultura mais rígida de encerramento no horário contratado. Como gerente, precisou aprender a organizar entregas dentro da jornada e evitar reproduzir expectativas de horas extras.

A liderança também mudou. Gerenciar uma equipe multicultural exigia observar formas diferentes de receber feedback, organizar tarefas e separar vida profissional e pessoal.

O trabalho híbrido já havia se consolidado depois da pandemia. Embora a auditoria tradicionalmente envolvesse presença no cliente e inspeção de documentos, empresas e clientes desenvolveram infraestrutura para realizar grande parte das verificações de forma remota.

Salário, aluguel e qualidade de vida

Rodrigo não informa uma remuneração específica, mas afirma que o poder de compra era maior na Irlanda. No Brasil, mesmo como gerente, precisava planejar cuidadosamente certas compras e viagens. Na Irlanda, conseguia consumir e viajar com menos impacto proporcional no orçamento.

O aluguel era a grande exceção. Encontrar um imóvel foi o principal desafio ao chegar, mesmo com carta da empresa e contrato de trabalho. Uma parte substancial do salário era destinada à moradia, mas ele considerava que o restante ainda permitia uma vida confortável.

O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal também pesou. Além da jornada mais previsível, sua empresa oferecia 26 dias úteis de férias na época, o que facilitava combinar folgas com fins de semana e feriados. Benefícios variam entre empregadores e não representam uma regra geral.

Vale a pena buscar visto de trabalho em contabilidade na Irlanda?

A trajetória de Rodrigo mostra que é possível sair do Brasil já contratado, mas não existe atalho único. Para ele, os pilares foram experiência consistente, inglês praticado durante anos, LinkedIn em inglês, contato direto com recrutadores, preparação específica para cada entrevista e uma rede profissional.

O intercâmbio não resultou imediatamente em uma vaga qualificada, mas forneceu idioma, contexto e certeza sobre o país escolhido. Os cinco anos seguintes aumentaram sua senioridade e fecharam as lacunas que impediam a contratação.

Antes de se candidatar, compare seu perfil com os requisitos atuais do employment permit, estude o mercado e adapte o currículo à posição. O relato de Rodrigo é uma referência prática, não uma garantia: cada candidatura depende da ocupação, experiência, empregador, remuneração, idioma e regras vigentes.

Assista ao episódio completo para acompanhar a história de Rodrigo, as dicas de entrevista e as respostas às dúvidas de profissionais de auditoria e contabilidade que participaram da conversa.


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