Brasileiro sobrevive a hemorragia cerebral na Irlanda e precisa de ajuda

O brasileiro Denis sobreviveu a uma grave hemorragia cerebral na Irlanda e agora precisa de ajuda para continuar a recuperação. Internado desde 21 de fevereiro de 2026, ele passou por uma cirurgia de emergência, ficou em coma induzido e enfrenta sequelas que afetam a fala e o lado direito do corpo.

Bolder foi ao Mater Hospital, em Dublin, conversar com Denis e sua esposa, Luana. Ela relata os meses de internação, os avanços alcançados e as dificuldades para organizar uma transferência ao Brasil, onde o casal espera continuar a reabilitação perto da família.

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A campanha criada por Luana tem meta de €8 mil e ajudará na estrutura necessária para a chegada de Denis, nos tratamentos iniciais e nos custos associados à viagem. O total arrecadado muda continuamente e pode ser acompanhado diretamente na página oficial.

Denis ao lado de Luana durante a recuperação no Mater Hospital em Dublin

Uma manhã normal que terminou no hospital

Denis e Luana vivem na Irlanda há aproximadamente quatro anos e meio. Os dois chegaram como estudantes de inglês, cursaram faculdade e concluíram uma pós-graduação. Quando a emergência aconteceu, Denis estava com Stamp 1G e trabalhava como car park attendant.

Na manhã de 21 de fevereiro, ele tomou café com Luana e saiu para trabalhar sem apresentar sintomas. Durante o expediente, sentiu algo e pediu ajuda pelo rádio. Quando um colega verificou as câmeras, Denis já estava desacordado.

Uma ambulância o levou ao Mater Hospital. Luana recebeu uma ligação avisando que a situação era grave e que precisava chegar rapidamente. No hospital, soube que havia um sangramento extenso no cérebro e que a equipe ainda não podia garantir que ele sobreviveria.

Como o caso exigia atendimento neurocirúrgico, Denis foi transferido ao Beaumont Hospital. Um médico que trabalhava nas duas unidades se encarregou da transferência e manteve Luana informada antes, durante e depois da operação.

O que causou a hemorragia cerebral de Denis?

Segundo Luana e as informações da campanha, a hemorragia foi causada pela ruptura de uma malformação arteriovenosa, conhecida pela sigla MAV ou AVM em inglês.

Uma MAV é uma rede anormal de vasos em que o sangue passa diretamente das artérias para as veias, sem percorrer normalmente os pequenos capilares. Essas estruturas podem permanecer desconhecidas por muito tempo e, em alguns casos, romper e provocar sangramento cerebral.

A situação de cada paciente é diferente e o tratamento depende da localização, do formato, do tamanho e dos vasos envolvidos. As informações deste texto servem para contextualizar o relato de Denis e não substituem avaliação médica.

No caso dele, o sangramento provocou inchaço e aumento da pressão. Durante a cirurgia de emergência, os médicos retiraram temporariamente uma parte do crânio para aliviar essa pressão e proteger o cérebro.

Cirurgia de emergência e semanas sem acordar

A cirurgia era de alto risco, mas representava a possibilidade de sobrevivência. Após o procedimento, Denis permaneceu sedado enquanto a equipe acompanhava a resposta do organismo. Luana conta que ele levou aproximadamente 15 a 20 dias para acordar.

Ele ficou um mês no Beaumont Hospital. Nesse período, precisou de traqueostomia e alimentação por sonda. Como já não necessitava permanecer na unidade neurocirúrgica, retornou ao Mater Hospital em março.

No começo, Denis quase não abria os olhos. A família ainda não sabia se ele enxergava, compreendia o que acontecia ou preservava a memória. Depois de cerca de um mês na UTI, foi transferido para um quarto e começou uma recuperação gradual.

Como está a recuperação?

Denis não precisa mais de traqueostomia nem de sonda de alimentação. Ele compreende comandos em português e inglês e participa das conversas sobre o próprio tratamento.

A hemorragia afetou o lado direito do corpo. Inicialmente, ele não conseguia movimentar o braço nem a perna e não sustentava a cabeça ou o tronco. Com fisioterapia, terapia ocupacional e outros cuidados, recuperou parte do movimento da perna, passou a sentar na cadeira de rodas e já consegue ficar em pé com auxílio.

O braço direito ainda não apresenta movimento. A fala também é uma das maiores dificuldades. Luana explica que Denis desenvolveu afasia: ele entende o que é dito e sabe o que deseja comunicar, mas encontra dificuldade para produzir a palavra correta.

A fonoaudióloga do hospital chegou a trabalhar com intérprete, mas a resposta em português era mais fácil. Luana contratou uma fonoaudióloga brasileira para sessões online, alinhadas com a profissional da equipe irlandesa.

Uma fisioterapeuta brasileira também se ofereceu para visitá-lo semanalmente. Para o casal, cada pequena conquista — sustentar o corpo, movimentar a perna e permanecer de pé — contrasta com os prognósticos iniciais mais pessimistas.

Uma nova cirurgia precisa acontecer antes da viagem

Depois da operação de fevereiro, Denis continuou sem a parte do crânio retirada durante a emergência. Em agosto, o casal discutiu com o cirurgião os riscos de uma cranioplastia, procedimento destinado a reconstruir a região. Naquele momento, decidiram adiar.

Mais tarde, Denis teve uma convulsão, voltou à UTI e enfrentou Covid-19 e uma infecção pulmonar. Após esses episódios, segundo Luana, a equipe não autorizou a viagem sem que a nova cirurgia fosse realizada.

O plano relatado na entrevista é produzir uma placa sob medida, avaliá-la e realizar a cirurgia. Depois do procedimento, o médico deverá acompanhar a recuperação por algumas semanas antes de decidir se Denis está apto a voar.

Todos os prazos são estimativas médicas apresentadas no vídeo e podem mudar conforme o quadro clínico, a fabricação da placa e a evolução após a cirurgia.

Por que o casal planeja voltar ao Brasil?

Luana enfatiza que a decisão não surgiu de uma preferência por abandonar a Irlanda. Segundo ela, os dois sempre permaneceram legalmente no país. Passaram do curso de inglês para faculdade e Stamp 1G; pouco antes da emergência, ela havia recebido uma permissão de trabalho.

Durante a internação, o hospital sugeriu alterar a situação migratória de Denis para Stamp 1G como parceiro. Mesmo com a mudança, Luana afirma que a unidade de reabilitação intensiva considerada adequada exigiria um tipo de acesso que, segundo as informações recebidas pelo casal, eles não possuem.

Esse relato diz respeito ao caso específico e não deve ser interpretado como uma regra geral sobre acesso hospitalar de todos os estudantes ou portadores de Stamp 1G. Elegibilidade para serviços, encaminhamentos e cobertura depende da situação individual.

Como Denis precisa de reabilitação intensiva e o casal não conseguiria pagar toda a frequência de forma particular na Irlanda, a equipe recomendou a transferência ao Brasil. A Embaixada do Brasil já conhece o caso e recebeu documentos do hospital.

A transferência exige hospital, acompanhamento e passagem especial

Denis não receberá alta para voltar diretamente a uma residência. O plano é sair do hospital para o aeroporto e, ao chegar ao Brasil, seguir para outra unidade de saúde. Para isso, é necessário obter previamente a aceitação de um hospital brasileiro.

A forma da viagem dependerá da avaliação da equipe médica após a cirurgia. Em uma das possibilidades discutidas, ele poderia viajar em voo comercial numa cabine que permita permanecer deitado por parte do trajeto. Caso necessite de maca, a companhia precisa retirar ou reclinar vários assentos, o que eleva muito o custo.

Denis também não pode viajar sozinho. Luana precisará comprar a própria passagem na mesma categoria e com pouca antecedência, pois a data dependerá da autorização médica e da disponibilidade de hospital no Brasil.

Para que será usado o dinheiro da campanha?

A meta atual do GoFundMe é de €8 mil. A campanha não pretende cobrir toda a recuperação, mas ajudar com despesas imediatas e essenciais da próxima etapa.

Entre os itens descritos por Luana estão:

  • cama hospitalar e estrutura adaptada;
  • cadeira para banho e necessidades de mobilidade;
  • equipamentos de fisioterapia e reabilitação;
  • fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional;
  • tratamentos domiciliares e materiais de cuidado pessoal;
  • exames e consultas após a chegada ao Brasil;
  • passagem de Luana e outros custos relacionados à transferência.

A página da campanha informa que a cadeira de rodas de Denis já foi adquirida pelo hospital. O restante da estrutura precisará estar preparado para que ele continue avançando depois da viagem.

Como ajudar Denis e Luana

A contribuição financeira pode ser feita diretamente pela campanha oficial. Quem não puder doar pode compartilhar o link com amigos, familiares, empresas e comunidades brasileiras.

Luana também pede apoio de profissionais brasileiros de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional que possam contribuir com a recuperação. Visitas e companhia são importantes: ela trabalha em período integral e vai ao hospital todos os dias, mas Denis passa grande parte do tempo sem outros familiares por perto.

Denis completou 40 anos durante a internação. No vídeo, ele aparece participando da conversa, compreendendo as perguntas e ficando de pé com ajuda — um progresso significativo para quem, no começo, não sustentava nem a cabeça.

Uma recuperação que ainda está em andamento

A história de Denis não termina na sobrevivência à cirurgia. A próxima fase envolve reconstrução craniana, liberação para viajar, uma vaga hospitalar no Brasil e meses ou anos de reabilitação.

Para Luana, o melhor cenário seria conseguir acesso à reabilitação intensiva na Irlanda. Se isso não acontecer, a prioridade é retornar ao Brasil com segurança e oferecer a Denis a estrutura necessária para continuar recuperando movimentos e comunicação perto da família.

Assista ao vídeo completo para conhecer o casal e acompanhar o progresso de Denis. Para doar ou compartilhar, utilize apenas o endereço oficial da campanha.

Fontes consultadas


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