Trabalhar na Embaixada do Brasil em Dublin foi uma oportunidade que Adelson Feijão conquistou depois de uma trajetória construída pela capoeira. No Bolder Podcast 81, ele conta como saiu de Belo Horizonte, enfrentou dificuldades na Alemanha, chegou à Irlanda como estudante e tornou-se motorista da representação brasileira.
A conversa também mostra o Adelson conhecido pela comunidade: além do trabalho, ele participa de eventos culturais, toca samba e procura encaminhar brasileiros para informações e serviços quando recebe pedidos de ajuda.
Adelson fala no episódio em caráter pessoal, não como porta-voz da Embaixada. Procedimentos consulares devem ser confirmados nos canais oficiais.
Quem é Adelson Feijão?
Adelson nasceu em Belo Horizonte e começou a praticar capoeira aos seis anos em um projeto social. O esporte continuou presente durante toda a vida e abriu oportunidades que ele não imaginava ter quando criança.
No Brasil, trabalhou como segurança e em uma casa de festas infantis. Começou como monitor, aproveitando a facilidade que tinha com crianças, e chegou à gerência.
Apesar das outras atividades, era a capoeira que o levava a viajar. Em Salvador, um alemão casado com uma brasileira viu sua apresentação e o convidou para integrar shows na Europa.
A viagem para a Alemanha e as dificuldades iniciais
O acordo previa passagem, estadia e pagamento pelas apresentações. O primeiro mês correu bem, mas depois os valores deixaram de chegar como combinado.
Adelson relata que passou fome e precisou tocar berimbau e pandeiro na rua, mesmo no frio, para conseguir dinheiro para comer. A atividade artística, naquele momento, não era uma escolha romântica: era sobrevivência.
Uma pessoa que conheceu durante as apresentações percebeu sua situação e mobilizou outros alunos. Depois disso, Adelson decidiu deixar a Alemanha. Um primo que vivia na Irlanda sugeriu que ele fosse para Dublin como estudante.
A chegada à Irlanda como estudante
Adelson chegou à Irlanda ainda jovem e com pouco inglês. Estudou o idioma por três anos e depois buscou outras formações, incluindo enfermagem e massagem esportiva.
A comunidade brasileira era muito menor do que hoje. Ele lembra de um grupo mais unido, formado em grande parte por pessoas que já trabalhavam e tinham família no país.
A capoeira ajudou novamente. Adelson participou de eventos, apresentações e atividades culturais. Em uma ocasião, chamou ao palco um homem sem saber que era o primeiro-ministro irlandês. A fotografia do encontro apareceu em publicações e posteriormente ajudou a demonstrar sua atuação artística.
O visto de artista conquistado pela capoeira
Com cartas de apoio, fotografias, matérias e registros de eventos, Adelson apresentou seu histórico às autoridades e conseguiu uma permissão ligada à atividade artística. Ele destaca que poucas pessoas que conhecia haviam obtido esse tipo de autorização naquele período.
Depois das renovações, passou a ter uma permissão mais ampla para trabalhar. O episódio descreve uma experiência antiga e específica; não deve ser interpretado como orientação sobre categorias migratórias atuais.
Como Adelson começou a trabalhar na Embaixada
A entrada não ocorreu por indicação direta para um cargo. Adelson conheceu um diplomata e sua família por meio da comunidade. Como dirigia e conhecia Dublin, começou a ajudar em entregas e deslocamentos pontuais.
Quando surgiu uma vaga de motorista, candidatou-se pelo processo seletivo. Fez três entrevistas e dois testes práticos de direção. Em um deles, recebeu a tarefa de levar o carro oficial ao aeroporto dentro de um prazo curto e demonstrou conhecimento das ruas da cidade.
Depois da seleção, recebeu uma ligação confirmando a vaga. Na época do episódio, estava havia cerca de sete anos no trabalho. Adelson esclarece que foi contratado localmente após seleção, e não por concurso para a carreira diplomática brasileira.
O que faz o motorista de uma embaixada?
A função envolve muito mais do que conduzir um veículo. Adelson transporta diplomatas e autoridades, organiza trajetos e precisa manter atenção à segurança, aos horários e ao protocolo.
Quando está com o embaixador no carro, entende que assume responsabilidade pelo deslocamento do representante oficial do Brasil na Irlanda. Pontualidade e conhecimento da cidade são essenciais.
O cargo também exige discrição. Conversas, reuniões e agendas institucionais não podem ser tratadas como parte da vida social do motorista.
Serviços da Embaixada para brasileiros na Irlanda
Durante o episódio, Adelson cita o passaporte como um dos serviços mais procurados. Ele também comenta a possibilidade, existente naquele período, de encaminhar determinados documentos pelo correio.
Como procedimentos e requisitos mudam, a recomendação responsável é consultar diretamente o site e os canais oficiais da Embaixada. Adelson não realiza atendimento consular e evita prometer soluções quando alguém o procura pessoalmente.
O que ele costuma fazer é indicar o canal correto. Para muitas pessoas, especialmente recém-chegadas, saber onde encontrar informação confiável já resolve parte do problema.
Capoeira, samba e presença na comunidade
Mesmo depois de entrar na Embaixada, Adelson continuou ligado à cultura brasileira. Ele participa de rodas, eventos e da banda Coisa de Preto, mantendo uma presença conhecida entre brasileiros em Dublin.
A capoeira foi passagem, trabalho, rede de contatos e ferramenta de integração. Também ajudou a apresentar aspectos do Brasil a irlandeses que conheciam pouco do país.
O que fica da história de Adelson Feijão
A trajetória de Adelson não segue uma carreira linear. Ele passou por festas infantis, apresentações, trabalho nas ruas, estudos e processos migratórios antes de chegar à Embaixada.
O elemento constante é a disposição para trabalhar e construir relações. No episódio completo, Adelson conta os bastidores dessa caminhada e explica como transformou a oportunidade aberta pela capoeira em uma vida de mais de uma década na Irlanda.
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