Minicasa em Dublin: casal paga €1.750 para viver em 20 m²

Morar em uma minicasa em Dublin pode parecer uma forma de economizar, mas a experiência de Gláucia e Eric mostra como a crise de moradia na Irlanda mudou essa conta. O casal vive em um imóvel de cerca de 20 a 21 m², em uma área valorizada da capital, e paga €1.750 por mês — fora a eletricidade.

No vídeo, Bolder visita cada espaço da casa e conversa com os dois sobre aluguel, imigração, trabalho como cuidadores e os planos da família para sair dali. O resultado é um retrato bem concreto da vida de quem recomeçou na Irlanda sem romantizar as dificuldades.

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Como é a minicasa em Dublin onde o casal vive

O imóvel fica na região de Rathmines, em uma rua tranquila e cercada por casas grandes. A minicasa foi construída no terreno de uma residência que acabou dividida em diferentes unidades.

Por dentro, sala e cozinha ocupam o mesmo ambiente. O quarto é praticamente do tamanho da cama, e o banheiro também exige organização para que tudo caiba. Gláucia e Eric improvisaram carrinhos, prateleiras e outros apoios para guardar utensílios sem bloquear a circulação.

Apesar do tamanho, o imóvel foi entregue reformado e com eletrodomésticos novos. O problema aparece no uso diário: há pouca ventilação, o quarto recebe muito calor pelo teto de vidro no verão e qualquer objeto fora do lugar já compromete o espaço.

Quanto custa morar em 20 m² em Dublin?

Na época da gravação, o aluguel era de €1.750 por mês. A conta de eletricidade ficava em torno de €100, segundo o casal. Eles contam que chegaram a visitar imóveis ainda menores anunciados por aproximadamente €1.900.

Antes dali, moraram em um estúdio de 19 m² por €1.500 e, no começo da vida em Dublin, pagaram €1.000 por um quarto em uma casa compartilhada por oito pessoas. Os valores são experiências do casal no momento da gravação, não uma tabela fixa do mercado.

Uma mudança feita às pressas depois do aviso de saída

A escolha da minicasa não aconteceu com calma. Depois de receberem um aviso para deixar o imóvel anterior, Gláucia e Eric tiveram cerca de 30 dias para encontrar outro lugar. Diante da pouca oferta e da concorrência, aceitaram a primeira opção viável.

Eles explicam que localização e segurança pesaram na decisão. A área é silenciosa, permite deixar a bicicleta em um espaço fechado e facilita a rotina de trabalho. Em uma cidade com oferta limitada de moradia, esses pontos acabaram compensando parte do desconforto.

De TI e educação no Brasil ao trabalho de cuidador na Irlanda

Os dois venderam o que tinham no Brasil e chegaram com duas malas. O plano nunca foi ficar apenas durante os meses de intercâmbio. Eric trabalhava com qualidade de software na indústria farmacêutica, enquanto Gláucia atuava em educação, materiais didáticos e projetos ligados a escolas.

Na Irlanda, ambos entraram na área de home care. Eric conseguiu uma permissão de trabalho por meio da empresa. Gláucia, no momento da gravação, ainda aguardava uma decisão migratória e mantinha a condição de estudante.

Home care não deve ser tratado apenas como caminho para o visto

Um dos alertas mais importantes da conversa é que cuidar de idosos não é um atalho burocrático. O trabalho exige paciência, responsabilidade e disposição para prestar cuidados pessoais, acompanhar pessoas com demência ou Alzheimer e enfrentar jornadas longas.

Eric relata uma rotina que pode chegar a turnos de 12 horas, cinco dias por semana. Também destaca a solidão de muitos clientes: em alguns casos, o cuidador é a principal companhia daquela pessoa durante o dia. Para o casal, quem não se identifica com esse tipo de cuidado deveria considerar outra área, mesmo que existam oportunidades.

O começo difícil fora do centro de Dublin

Antes de se estabelecerem na capital, Gláucia e Eric passaram alguns meses em Balbriggan. A distância e o tamanho da cidade dificultaram a procura por trabalho, e os dois ficaram cerca de quatro ou cinco meses sem emprego.

A mudança para Dublin abriu mais possibilidades, mas trouxe o custo elevado da moradia e a experiência de dividir casa com muitas pessoas. O relato ajuda a entender por que olhar apenas o aluguel não basta: transporte, localização e oferta de trabalho também alteram o orçamento e a qualidade de vida.

O próximo passo: cost rental e a chegada de um bebê

Durante a conversa, o casal conta que foi aprovado para um imóvel de cost rental, modalidade de aluguel vinculada ao custo do empreendimento e destinada a famílias que atendem aos critérios do programa. Eles aguardavam a entrega de um apartamento novo com dois quartos.

A mudança ganhou ainda mais importância porque Gláucia e Eric descobriram que estavam esperando um bebê. Depois de um período priorizando trabalho e estabilidade, o objetivo passou a ser ter mais espaço e estruturar a nova fase da família.

Golpes e cuidados ao procurar aluguel na Irlanda

O casal também descreve contatos suspeitos durante a busca. Em um deles, a pessoa telefonou tarde da noite, evitou informar o endereço do imóvel e sugeriu um encontro em uma igreja. Em outros anúncios, supostos proprietários pediam depósito antes da visita.

A regra prática é simples: desconfie de urgência artificial, preços muito abaixo do mercado, pedidos de dinheiro antes de conhecer o imóvel e pessoas que se recusam a comprovar que podem alugá-lo. Pesquisar a região e nunca transferir valores sem verificar a oferta reduz o risco.

Vale a pena morar em uma minicasa em Dublin?

Para Gláucia e Eric, a minicasa foi uma solução temporária em um momento de pressão. Ela oferece localização, segurança e privacidade, mas cobra um preço alto por pouco espaço e exige muitas adaptações.

O vídeo mostra que a resposta depende da fase de vida, da renda, do trabalho e da urgência de cada pessoa. Mais do que dizer se vale a pena, o relato oferece números e situações reais para quem está planejando morar em Dublin com expectativas mais próximas da realidade.

Assista ao episódio completo para conhecer a casa e ouvir a trajetória de Gláucia e Eric diretamente deles.


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