Geovani Santana exerceu várias profissões na Irlanda: trabalhou como kitchen porter, segurança, entregador e profissional de restaurante, além de estudar no ensino superior. No Bolder Podcast, ele conta como juntou dinheiro no Brasil, perdeu economias num esquema de pirâmide e precisou reconstruir o plano de morar fora mais de uma vez.
Preparação começou muito antes da viagem
Geovani estudou inglês durante um ano no Brasil e aproveitava qualquer intervalo para revisar verbos e ouvir o idioma. Isso não o tornou fluente, mas permitiu pedir informações, usar transporte público e chegar à acomodação sem depender de táxi.
Para financiar o projeto, acumulou empregos. Trabalhava das 6h às 14h numa empresa e à noite numa pizzaria. Dormia poucas horas, mas acompanhava as economias crescerem e pesquisava destinos para o intercâmbio.
O dinheiro perdido numa pirâmide
Um conhecido apresentou a Geovani uma oportunidade com promessas de retorno e recrutamento de novos participantes. Embora enxergasse sinais de pirâmide, a apresentação parecia convincente e ele entrou no esquema.
Quando perdeu o dinheiro, entendeu que continuar remoendo o golpe não recuperaria as economias. Voltou à rotina intensa de trabalho e começou novamente. No episódio, ele explica como esses modelos dependem da entrada constante de pessoas e favorecem principalmente quem está no topo.
O choque de trabalhar como kitchen porter
Na Irlanda, Geovani começou lavando pratos e panelas. A função foi um choque porque, no Brasil, já havia liderado pessoas e costumava entregar esse tipo de tarefa a outros funcionários. Além da mudança de status, pedalava cerca de 12 quilômetros para chegar ao trabalho.
Ele não se adaptou e retornou ao Brasil. Mais tarde, voltou à Irlanda para outro curso de inglês e decidiu construir uma trajetória diferente.
Segurança durante a madrugada
Uma das funções mais difíceis foi trabalhar como segurança em estabelecimentos de fast-food. O turno atravessava a madrugada e envolvia retirar pessoas alcoolizadas ou alteradas, proteger funcionários e registrar ocorrências.
Às vezes, uma confusão começava perto do fim do expediente, quando Geovani já estava cansado. A adrenalina voltava e o turno terminava com relatórios ou danos na porta. Esse tipo de trabalho exigia atenção constante e controle emocional.
Delivery, jornadas longas e renda
Geovani também fez entregas e relata jornadas que podiam ultrapassar 12 horas. O valor diário parecia atraente, especialmente quando comparado ao salário mínimo brasileiro da época, mas vinha acompanhado de desgaste físico.
Ele ressalta que uma diária alta não deve ser confundida com dinheiro fácil. Bicicleta, clima, riscos da rua, horas trabalhadas e recuperação precisam entrar na conta.
Por que ficar irregular não é uma solução?
Em uma das etapas da trajetória, Geovani ficou sem status regular e percebeu uma perda de liberdade. Não podia viajar, tinha menos opções de emprego e começou a se sentir preso ao país. Para ele, quem permanece irregular aposta numa exceção e fecha portas importantes.
A regularização mudou essa sensação. Com documentação válida, voltou a planejar estudo, trabalho e deslocamentos sem o mesmo medo. As regras migratórias variam; situações individuais devem ser verificadas com fontes oficiais ou orientação qualificada.
Faculdade e crescimento no restaurante
Geovani concluiu uma formação de nível 7 e avançou para o nível 8. Ao mesmo tempo, construiu reputação no restaurante onde trabalhava. Quando surgiam vagas, ajudava a filtrar currículos de brasileiros, avaliando inglês, experiência e compatibilidade com a função.
Indicar alguém também traz responsabilidade. Um profissional sem preparo poderia comprometer o trabalho da equipe e o nome de quem fez a recomendação. Por isso, Geovani tratava a seleção como uma tarefa real, não como favor entre amigos.
Planejamento para quem quer sair do Brasil
O principal conselho é organizar-se financeiramente. Para quem não recebe ajuda da família, trabalhos extras podem acelerar o plano de duas maneiras: geram renda e ocupam o tempo que poderia ser gasto em lazer.
Geovani também recomenda estudar inglês antes de embarcar e chegar preparado para exercer funções diferentes da profissão anterior. A experiência no exterior pode melhorar o poder de compra e abrir oportunidades, mas frequentemente começa com trabalho físico, deslocamentos longos e reconstrução de identidade.
Assista ao episódio completo para conhecer as diferentes profissões de Geovani Santana na Irlanda e as decisões que permitiram transformar perdas e recomeços em experiência profissional.
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