A história de Isa Varella na Irlanda conecta moda, tecnologia e empreendedorismo. Antes de ser contratada pelo Facebook e criar a marca Awa Jewelry, a mineira trabalhou com limpeza nos próprios escritórios que sonhava ocupar profissionalmente.
No Bolder Podcast, Isa explica como transformou a experiência em moda numa loja de joias, quais empregos ajudaram a desenvolver seu inglês e por que o atendimento ao cliente foi importante para entrar numa grande empresa de tecnologia.
A formação de Isa Varella em moda
Isa nasceu em Muriaé, no interior de Minas Gerais. A ligação com moda começou dentro de casa: sua mãe tinha uma fábrica de pijamas e uma estamparia. Aos 17 anos, Isa já sabia qual área queria seguir.
Mudou-se para Juiz de Fora e concluiu um curso tecnológico de moda. Depois, foi para o Rio de Janeiro cursar o bacharelado em Design de Moda. A graduação trouxe conhecimentos de administração, marketing e empreendedorismo que seriam usados anos mais tarde.
No Rio, trabalhou em estúdio de modelagem, participou de projetos para marcas como Cantão e Iódice, criou fantasias para escola de samba e teve contato com o Fashion Rio. Permaneceu aproximadamente quatro anos na cidade.
Por que ela escolheu fazer intercâmbio na Irlanda?
O intercâmbio era um sonho mais forte de Leo, seu namorado na época e atual marido. Os dois perceberam que o inglês poderia melhorar as oportunidades profissionais no Brasil e começaram a comparar destinos como Austrália e Nova Zelândia.
A Irlanda pareceu mais acessível, permitia trabalhar durante os estudos nas condições daquele período e facilitava viagens pela Europa. A decisão foi planejada durante aproximadamente um ano.
Chegar em casal trouxe apoio emocional, mas também despesas maiores. Em vez de dividir uma casa com vários intercambistas, alugaram um espaço próprio e assumiram desde o começo um compromisso alto com moradia.
O primeiro trabalho foi com limpeza
Isa chegou querendo trabalhar na área de criação de moda, mas encontrou poucas vagas compatíveis com sua experiência. Percebeu que boa parte da produção e do desenvolvimento de coleções acontecia em outros países e começou a considerar uma transição para marketing e tecnologia.
Enquanto estudava inglês, conseguiu emprego numa empresa de limpeza. Atendia uma escola masculina e os escritórios do Google e do Facebook. A rotina começava cedo, passava pela aula e frequentemente terminava perto das dez da noite.
Ao entrar pela primeira vez no escritório do Facebook, Isa observou o ambiente, as pessoas e a vista da janela e decidiu que um dia trabalharia ali. Ainda não sabia como, mas aquela meta passou a orientar os próximos movimentos profissionais.
Do primeiro negócio ao trabalho como babá
Para se manter ligada à moda, Isa criou um e-book de tendências direcionado a pequenas confecções brasileiras. Fotografava vitrines de fast fashion e luxo, analisava cores, estampas, texturas e modelagens e organizava relatórios extensos.
Ela vendeu duas edições, mas concluiu que o formato exigia tempo demais e gerava receita em reais, enquanto suas despesas eram em euros. Não podia abandonar a limpeza nem as aulas para sustentar o projeto.
Depois, trabalhou como babá para duas famílias irlandesas. A convivência diária e o contato com as crianças aceleraram o inglês. Isa pedia que elas corrigissem seus erros e se viu inserida na rotina local, levando três crianças à escola e a atividades esportivas.
Como nasceu a Awa Jewelry
A ideia surgiu porque amigas elogiavam as joias de prata que Isa trazia do Brasil. Ela sentia falta, na Irlanda, de peças com o design brasileiro que gostava de usar. Começou pesquisando fornecedores, exportação, logística e formas de vender legalmente.
As primeiras vendas aconteceram por indicação, antes mesmo de existir um Instagram. Quando decidiu criar uma marca, procurou um nome que remetesse ao Brasil e encontrou Awa, referência indígena associada ao Maranhão. A identidade visual também incorporou elementos e símbolos brasileiros.
No começo, Isa encontrava as clientes em cafés ou organizava pequenos encontros em casa. Durante a pandemia, a procura cresceu, mas as reuniões presenciais ficaram impossíveis. Ela passou a atender por WhatsApp, enviar fotos e vídeos e usar entregadores para distribuir os pedidos.
Como Isa conseguiu trabalhar no Facebook
Isa pesquisou com recrutadores quais experiências a aproximariam da empresa e concluiu que atendimento ao cliente seria uma boa porta de entrada. Conseguiu uma vaga de customer service voltada ao mercado norte-americano e lidava diariamente com chamadas, horários difíceis e clientes insatisfeitos.
Depois passou brevemente por outra empresa de tecnologia. Dois meses mais tarde, o Facebook entrou em contato sobre uma candidatura anterior. Foram várias etapas de entrevista até a aprovação.
A Awa Jewelry fortaleceu sua candidatura. Como Isa já administrava páginas, conteúdo e anúncios da própria marca, conseguiu responder perguntas técnicas com exemplos reais. A experiência empreendedora mostrou iniciativa e um perfil diferente dos demais candidatos.
O que Isa fazia no Facebook?
Na época do episódio, Isa trabalhava com páginas comerciais. Entre as tarefas descritas estavam analisar pedidos de verificação, revisar anúncios, validar a autorização de agências para administrar páginas e investigar casos de invasão para devolver o controle ao proprietário legítimo.
Ela recomenda observar no LinkedIn quem já ocupa a vaga desejada, estudar as qualificações dessas pessoas, conversar com recrutadores e adaptar o currículo. Para sua função, a passagem por customer service foi especialmente importante.
Como conciliar emprego e empreendimento?
Isa tinha horário definido no Facebook, mas não na Awa. Manhãs, intervalos, noites e fins de semana podiam ser ocupados por atendimento, estoque, fotografia, embalagem e entrega. A loja cresceu, mas também transformou seu tempo livre em jornada de trabalho.
Outro aprendizado foi identificar o público correto. Isa imaginava inicialmente que o design brasileiro alcançaria principalmente estrangeiros, mas percebeu que a maior parte das clientes era brasileira. Quando ajustou comunicação e produtos para esse público, a marca ganhou coerência.
Lições da trajetória de Isa Varella
- A experiência local em funções iniciais pode abrir caminhos para outras áreas.
- Atendimento ao cliente desenvolve inglês e competências valorizadas por empresas de tecnologia.
- Um empreendimento pequeno também pode funcionar como portfólio profissional.
- É importante validar quem realmente compra o produto, em vez de presumir o público.
- Começar pequeno permite aprender sobre estoque, logística, impostos e comunicação.
Assista ao episódio completo para acompanhar a transição de Isa da moda para a tecnologia e os bastidores da construção da Awa Jewelry na Irlanda.
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