A saúde mental de brasileiros que moram no exterior envolve solidão, culpa, trabalho, identidade e adaptação. No episódio 335 do Bolder Podcast, as psicólogas Janaína Leon e Larissa Roth respondem perguntas do público sobre as dores emocionais de viver longe do Brasil.
Solidão e falta de pertencimento
Mudar de país pode enfraquecer referências importantes: família, amizades, idioma e rotina. As psicólogas discutem como a sensação de não pertencer totalmente ao país de origem nem ao novo país afeta muitos imigrantes.
A conversa mostra que construir pertencimento leva tempo. Manter vínculos com o Brasil não impede a criação de uma vida independente no exterior.
Distância da família e o “cordão umbilical”
Larissa questiona a ideia de que sair do país exige abandonar emocionalmente a família. Independência não significa romper relações, mas aprender a estabelecer limites e tomar decisões sem viver permanentemente sob culpa.
Esse processo pode ser especialmente difícil quando a família interpreta a mudança como rejeição ou espera que o imigrante esteja sempre disponível.


Trabalhos iniciais e autoestima
Outro tema é o impacto emocional de trabalhar em funções diferentes da carreira exercida no Brasil. Janaína discute como separar o valor pessoal do cargo ocupado e como enxergar trabalhos temporários dentro de um processo maior de adaptação.
Isso não elimina frustração ou cansaço, mas ajuda a evitar que uma fase profissional difícil seja tratada como definição permanente da própria identidade.
Procrastinação, traumas e busca por terapia
As convidadas respondem perguntas sobre procrastinação, experiências traumáticas e terapias. O episódio também aborda uma dúvida do chat sobre ayahuasca, sem transformar a substância em recomendação de tratamento.
Diagnósticos, medicamentos e intervenções para trauma precisam ser discutidos individualmente com profissionais qualificados. O podcast oferece reflexão e informação geral, não avaliação clínica.
Rede de apoio e adaptação
Ter uma rede de apoio pode reduzir o isolamento e oferecer ajuda prática. Ao mesmo tempo, limitar toda a vida social à comunidade brasileira pode dificultar o contato com a cultura local. O equilíbrio depende das necessidades e do momento de cada pessoa.
A conversa também passa por homofobia e pelos desafios específicos enfrentados por pessoas LGBTQIA+ vivendo fora, reforçando a importância de espaços seguros e de apoio especializado.
Onde procurar ajuda na Irlanda?
Este conteúdo não substitui atendimento psicológico ou médico. Em uma emergência de saúde mental na Irlanda, ligue para 112 ou 999 ou procure o Emergency Department mais próximo. O HSE também informa apoio 24 horas pelos Samaritans, no 116 123, e pelo serviço de texto 50808, enviando a palavra HELLO.
Assista ao episódio completo para acompanhar as respostas de Janaína Leon e Larissa Roth às perguntas enviadas pelo público.
