Brazilian Day em Gort: a cidade mais brasileira da Irlanda

O primeiro Brazilian Day em Gort transformou a cidade conhecida como “Little Brazil” num grande encontro de brasileiros na Irlanda. Bolder circulou pelo evento, conversou com famílias antigas, novos imigrantes, artistas e dezenas de pequenos empreendedores.

Mais do que uma feira de comida e produtos, o dia mostrou como uma comunidade iniciada com trabalhadores de frigoríficos criou raízes. Há brasileiros que chegaram no fim dos anos 1990, filhos nascidos no país e negócios que hoje atendem clientes em diferentes condados.

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Por que Gort é chamada de Little Brazil?

Isaías, um dos organizadores, explica que os primeiros grandes grupos de brasileiros chegaram à região aproximadamente 25 anos antes da gravação para trabalhar em frigoríficos. A partir deles, outras famílias vieram e formaram uma comunidade que já alcança a terceira geração.

Essa história tornou Gort um ponto de referência para brasileiros no oeste da Irlanda. A cidade passou a oferecer produtos, serviços e uma rede de contatos em português. Para muita gente recém-chegada, a presença de conhecidos ajudou com emprego, moradia e adaptação.

O Brazilian Day foi pensado exatamente para celebrar essa trajetória no lugar em que ela começou. Pessoas viajaram de Dublin, Cork, Kerry, Tullamore e outras regiões para participar.

Os primeiros brasileiros que chegaram aos frigoríficos

Um dos entrevistados chegou em 28 de novembro de 1999 e encontrou apenas 14 brasileiros. Sem WhatsApp ou chamadas pela internet, o contato com o Brasil dependia de orelhão, cartões telefônicos e ligações a cobrar.

As barreiras de idioma também eram maiores. Em alguns momentos, o grupo dependia de uma única pessoa para traduzir situações do cotidiano. Ao comparar aquela época com o evento cheio, ele resume a transformação: a cidade passou a parecer um pedaço do Brasil.

Outro participante, radicado na ilha havia 52 anos, lembra que conhecia pouquíssimos compatriotas quando chegou. O contraste entre essa experiência e a quantidade de sotaques, comidas e negócios reunidos em Gort ajuda a dimensionar o crescimento da comunidade.

Empreendedores brasileiros ocupam muitos setores

O vídeo funciona como um passeio por pequenos negócios criados na Irlanda. Há estúdios de tatuagem, manicure, joias, artesanato, produtos para animais, modificação corporal, serviços automotivos, informática e livros em português.

A comida aparece com ainda mais força. Bolder encontra pães, bolos, cestas de café da manhã, marmitas, pamonha, pudim, cocada, pé de moleque, doce de leite, salgados, churrasquinho, açaí e refeições congeladas.

As trajetórias são diferentes. Alguns empreendedores mantêm lojas físicas e atacado; outros vendem por Instagram, grupos de WhatsApp, feiras locais ou entrega. Para quem ainda não possui ponto comercial, um evento presencial permite que o público veja, prove e conheça quem está por trás do produto.

Negócios que nasceram da adaptação

O tatuador Júnior conta que chegou com o plano de trabalhar na construção, juntar dinheiro e abrir um estúdio no Brasil. Depois de atuar em diferentes espaços e atravessar a pandemia, decidiu montar o próprio estúdio na Irlanda.

Um casal do Tocantins começou a produzir pamonha por perceber que o produto era difícil de encontrar na região. Uma empreendedora de alimentos adaptou o nível de açúcar de seus doces para atender também o paladar irlandês.

Há ainda uma empresa de produtos brasileiros que começou com entregas de porta em porta, quando mercadorias e informação eram menos acessíveis. Com o aumento da comunidade, o negócio migrou para lojas físicas, comércio eletrônico e atacado.

O evento também levou serviços consulares a Gort

A programação não se limitou a música e gastronomia. Uma equipe consular realizou atendimento itinerante e levou informações à comunidade. Segundo o representante entrevistado, foram disponibilizados aproximadamente 80 a 90 agendamentos naquele dia, e a procura superou a capacidade.

A experiência reforçou uma necessidade prática: brasileiros que vivem longe de Dublin também precisam acessar orientação e documentos. Os organizadores passaram a considerar uma estrutura maior em futuras edições.

Cultura brasileira para filhos e para irlandeses

Samba, carnaval e quadrilha dividiram espaço com histórias de famílias construídas entre Brasil e Irlanda. Uma dançarina descreve a emoção de apresentar ritmos brasileiros não apenas a quem sente saudade de casa, mas também a irlandeses que ainda não conheciam aquela cultura.

Uma das cenas mais representativas é a conversa com Miguel. Filho de brasileiros, ele diz que morava no Brasil e agora é irlandês. Sua comida favorita, porém, é batata — uma resposta divertida que mostra a identidade formada entre os dois países.

O evento também reuniu pessoas que não se viam havia dois ou três anos. Para os organizadores, esse reencontro era um dos objetivos centrais: aproximar uma comunidade espalhada por toda a ilha.

Quantos brasileiros vivem na Irlanda?

Os participantes citam números diferentes ao longo do vídeo, entre estimativas e resultados de pesquisas da época. O ponto seguro não é uma contagem exata, mas a percepção de que a comunidade era maior e mais diversa do que muitos imaginavam.

Como dados populacionais mudam, números atuais devem ser consultados em levantamentos oficiais e pesquisas com metodologia publicada. O próprio evento serviu para incentivar participação em estudos futuros sobre brasileiros no país.

O futuro do Brazilian Day em Gort

O comparecimento superou a expectativa. Isaías conta que até a quadrilha ficou difícil de organizar por falta de espaço. Diante do resultado, a intenção era tornar o Brazilian Day uma atividade anual e procurar um local maior para receber público e expositores.

A relevância do evento está justamente na combinação: preserva cultura, gera vendas, cria contatos profissionais e oferece serviços a quem vive fora dos grandes centros. É também um registro de como brasileiros transformaram Gort sem abandonar a ligação com o país de origem.

Assista ao vídeo completo para conhecer os empreendedores, ouvir as histórias de quem chegou nas primeiras levas e sentir o ambiente do primeiro Brazilian Day em Gort.