Flávio Montenegro trabalha como diretor audiovisual na Irlanda, mas sua trajetória reúne teatro, música, engenharia de som, dublagem e televisão. Na conversa com Bolder, ele explica como essas áreas se conectaram e por que contatos construídos no Brasil foram importantes no recomeço em Dublin.
O começo entre teatro e técnica de som
Flávio começou a estudar teatro em 2012, na Oficina de Atores Nilton Travesso e no Senac. Antes disso, tocava em grupos de pagode e queria seguir como músico. Um empresário o convidou para aprender técnica de som em casas noturnas de São Paulo.
Durante a semana, estudava interpretação; de quarta a domingo, trabalhava com áudio em bares e baladas. Como as bandas precisavam gravar apresentações para produtores, ele começou também a filmar, editar e entregar vídeos.
Argentina: cinema e dublagem
Em 2016, Flávio foi para a Argentina estudar direção e documentário. Para se sustentar, chegou a produzir e vender comida, mas rapidamente encontrou espaço em estúdios de dublagem em português. A experiência de ator o ajudou a se destacar entre estudantes brasileiros.
Ao voltar ao Brasil, produziu um curta de cinco minutos inspirado em um poema de Fernando Pessoa. O trabalho ganhou prêmio de melhor fotografia em um festival de São Paulo, reforçando sua escolha pela direção.


Um canal de televisão 24 horas na Bolívia
Em 2019, um clipe produzido por Flávio para a cantora Any Gabrielly alcançou cerca de dois milhões de visualizações. Um diretor brasileiro radicado na Bolívia encontrou seu portfólio no Instagram e o chamou para ajudar a montar um canal.
Flávio chegou com a tarefa de transformar uma casa em estúdio, treinar apresentadores e coordenar equipes. O canal de vendas ficava 24 horas no ar. Ele afirma que essa rotina ensinou velocidade: entregar, corrigir e seguir para a próxima produção, sem esperar que tudo esteja perfeito na primeira tentativa.
Como entrar no audiovisual na Irlanda?
Flávio comprou um curso de inglês e chegou à Irlanda em maio de 2023. Tentou trabalhar com delivery por três dias, mas logo percebeu que precisava ativar sua rede. Dez dias depois da chegada, procurou a equipe de Thiaguinho, com quem já havia trabalhado no Brasil, e participou da montagem do show em Dublin.
A partir daí, passou a fazer a ligação entre equipes brasileiras e fornecedores irlandeses em apresentações de artistas como Sorriso Maroto, Ferrugem e Simone Mendes. O trabalho exige traduzir necessidades técnicas, acompanhar montagem e garantir que equipamentos e palco estejam prontos.
O projeto Mexe Comigo
No episódio, Flávio apresenta o reality de relacionamentos “Mexe Comigo”, desenvolvido com amigos na Irlanda. A proposta inicial era produzir uma temporada, testar o formato e apresentar o material a plataformas de streaming.
Portfólio, inglês e contatos
Flávio reconhece que começou focado na comunidade brasileira porque ainda desenvolvia o inglês. Seu objetivo é ampliar o trabalho para o mercado irlandês e produzir curtas no país. A história mostra que portfólio visível e contatos anteriores aceleraram o recomeço, mas o domínio do idioma continua decisivo para furar a bolha.
