Como comprar casa na Irlanda: a experiência de Melissa

Comprar casa na Irlanda parecia um objetivo distante quando Melissa chegou ao país, em 2010, para aprender inglês. Ela começou trabalhando como barista, dividiu diferentes casas e chegou a viver num apartamento de aproximadamente 30 metros quadrados pelo qual pagava €1.200 mensais. Anos depois, comprou um imóvel de dois quartos perto de Greystones, no condado de Wicklow.

No vídeo, Melissa mostra o apartamento, revela o preço anunciado e o valor final, explica como funcionaram os lances e detalha prestação, condomínio, energia, transporte e supermercado. A história ajuda a visualizar o processo, mas não representa uma simulação válida para qualquer comprador.

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Contexto: os valores, taxas e condições bancárias pertencem ao período da gravação, em 2024. Juros, limites de financiamento, impostos, exigências e preços dos imóveis mudam. Procure um banco, corretor hipotecário e advogado antes de tomar uma decisão financeira.

De estudante de inglês à carreira em tecnologia

Melissa já falava espanhol por causa da origem familiar e queria morar fora do Brasil. Como o idioma espanhol não seria uma novidade, escolheu a Irlanda para aprender inglês.

Embora tivesse concluído cursos de idioma no Brasil, percebeu ao chegar que ainda encontrava dificuldade para se comunicar. O primeiro emprego foi como barista. Depois de aproximadamente um ano e meio, com o inglês melhor, passou a trabalhar numa agência de envio de dinheiro.

Falar português, espanhol e inglês ajudou na entrada para o suporte técnico da HP por meio da CPL. A partir daí, Melissa construiu uma carreira corporativa em empresas de tecnologia e chegou à função de customer success manager.

No Brasil, ela havia se formado em hotelaria e não imaginava seguir esse caminho profissional. Para Melissa, uma das melhores características da Irlanda é justamente a possibilidade de construir uma nova carreira com estudo, idioma e experiência.

Por que ela queria sair do aluguel?

Ao longo dos anos, Melissa mudou de endereço mais de dez vezes. No início, passou um mês numa casa de família e depois dividiu moradia com outras três pessoas. O máximo foi uma casa compartilhada por quatro moradores, uma situação relativamente tranquila diante de relatos de imóveis muito mais cheios.

Antes da compra, ela morava sozinha num apartamento pequeno de um quarto, com sala e cozinha integradas, pagando €1.200. Além do preço, o aluguel trazia insegurança: o proprietário poderia encerrar o contrato e obrigá-la a procurar outro lugar num mercado disputado.

Comprar significava pagar por um patrimônio próprio e conquistar estabilidade. Melissa também queria mais espaço. O novo apartamento possui cerca de 90 metros quadrados, três vezes a área aproximada da moradia anterior.

Como encontrar um imóvel na Irlanda

Melissa já tinha definido a região e configurado alertas para novos anúncios. Quando decidiu acelerar a compra, três ou quatro apartamentos compatíveis apareceram quase ao mesmo tempo.

Ela chegou a participar de duas disputas simultaneamente. Preferia o imóvel que acabou comprando, mas continuava acompanhando outro enquanto os valores subiam. A segunda propriedade recebeu lances mais agressivos e deixou de fazer sentido.

Esse é um ponto importante do mercado irlandês: o preço anunciado frequentemente funciona como ponto de partida. Interessados apresentam ofertas ao agente e recebem avisos quando outra pessoa supera o valor.

O processo pode se transformar numa espécie de leilão. É necessário estabelecer um limite antes de entrar na disputa, porque responder emocionalmente a cada e-mail pode elevar a oferta muito além do orçamento.

Quanto custou o apartamento?

O imóvel foi anunciado por €325 mil e terminou vendido por mais de €370 mil. A diferença de pelo menos €45 mil mostra por que não basta pesquisar apenas os preços exibidos nos portais.

Construído em 2006, o apartamento havia sido alugado anteriormente, mas estava bem conservado. Móveis e eletrodomésticos permaneceram no imóvel, com exceção da televisão e de alguns itens.

Receber a casa mobiliada pesou na decisão. Depois de pagar entrada, impostos, advogado e despesas da compra, o caixa fica reduzido. Adiar a compra de cama, sofá, mesa e armários pode aliviar os primeiros meses.

Quanto ficou a prestação do financiamento?

Melissa financiou o imóvel por 34 anos e ficou com uma prestação próxima de €1.600 por mês. Segundo ela, o banco permitia que o contrato fosse até aproximadamente os 70 anos do comprador, o que limita o prazo para quem solicita a hipoteca mais tarde.

A taxa ficou fixa durante cinco anos. Depois desse período, será necessário avaliar as condições disponíveis, negociar com o banco ou considerar a transferência para outra instituição.

Ela estimava que o mesmo apartamento poderia ser alugado por pelo menos €2.500 a €2.800. Havia unidades semelhantes no condomínio anunciadas por mais de €3.000.

Comparar prestação com aluguel ajuda, mas não encerra a conta. O proprietário também paga condomínio, seguro, manutenção, impostos e reparos — além de assumir o risco de mudança dos juros.

Como foi o processo entre oferta e mudança?

Melissa visitou o apartamento em 12 de agosto, numa sessão marcada para as seis da manhã, e mudou-se em 16 de outubro. Todo o processo levou cerca de dois meses, considerado rápido para uma compra imobiliária.

Depois que a oferta foi aceita, o advogado assumiu grande parte da comunicação. Na Irlanda, o solicitor verifica documentos, situação jurídica do imóvel e condições da venda.

O banco não transfere simplesmente o financiamento ao vendedor. O dinheiro passa pelas partes jurídicas envolvidas, e os advogados coordenam pagamento, contrato e registro.

Uma venda acordada ainda pode enfrentar atrasos ou problemas antes da assinatura definitiva. Por isso, prazo de mudança, encerramento do aluguel e compra de móveis precisam conservar alguma margem.

Como é o apartamento de Melissa?

O imóvel possui dois quartos e dois banheiros. O quarto adicional é amplo, tem armário e espaço para mesa de trabalho. Melissa decidiu alugá-lo, o que passou a contribuir para as despesas da casa.

Há banheiro social com banheira, suíte no quarto principal e dois espaços de armazenamento. Um deles funciona como o conhecido “quartinho da bagunça”, com malas, sapatos, prateleiras e objetos de uso menos frequente.

A sala foi o ambiente que mais chamou a atenção durante a visita. Grandes janelas trazem luz natural e vista para a vegetação; do quarto ainda era possível avistar o mar entre as árvores.

A cozinha integrada à sala tem bancada, armários e uma geladeira de tamanho completo — uma mudança marcante para quem já precisou usar apenas uma prateleira de frigobar numa casa compartilhada.

O apartamento também possui varanda. Como a mudança havia acontecido apenas um mês e meio antes da gravação, Melissa ainda escolhia cortinas e objetos para dar personalidade ao espaço.

Onde fica e como é o transporte?

O condomínio fica na região de Greystones, no condado de Wicklow, vizinho a Dublin. Sem trânsito, o percurso de carro pode levar de 40 a 45 minutos; em horários congestionados, chega perto de uma hora e meia.

Ônibus conectam a área ao DART, permitindo chegar a Dublin sem depender completamente de automóvel. Mesmo assim, Melissa comprou um carro para facilitar sua rotina.

Ela calculava aproximadamente €150 mensais em combustível, considerando viagens frequentes a Dublin. O motor tax do veículo ficava em cerca de €200 por ano.

O seguro custou aproximadamente €2.000. Melissa havia passado mais de dois anos sem dirigir no país e perdeu, para efeito da seguradora, parte do histórico que poderia reduzir a cotação.

Condomínio, energia e internet

O prédio não utilizava gás; as despesas domésticas dependiam principalmente de eletricidade. Com duas pessoas no apartamento, a conta vinha entre €100 e €150 por mês.

A taxa de administração do condomínio era de aproximadamente €1.700 por ano. Ela cobria serviços como manutenção das áreas comuns, corte da grama e coleta de lixo.

Melissa havia deixado de contratar banda larga fixa. Usava um plano pré-pago de celular de €20 e compartilhava a conexão com o computador. A solução funcionava na rotina dela, mas pode não servir para uma casa com várias pessoas, videoconferências simultâneas ou grande consumo de dados.

Quanto ela gastava com alimentação e lazer?

O supermercado ficava entre €50 e €70 por semana. Melissa preferia fazer compras menores com mais frequência para consumir verduras e outros alimentos frescos.

Um jantar com carne e vinho podia custar por volta de €50 ou €60, dependendo do restaurante. Ela procurava promoções e plataformas com ofertas para manter o lazer sem extrapolar o orçamento.

A região oferece praia, montanhas, parques e a trilha entre Greystones e Bray. Também existem pubs, música ao vivo e eventos gratuitos, permitindo equilibrar atividades pagas e passeios ao ar livre.

Saúde e vida social na Irlanda

Melissa não possuía plano de saúde irlandês. Como visitava familiares na Espanha, mantinha lá um convênio de aproximadamente €70 mensais e aproveitava as viagens para fazer check-ups.

Na Irlanda, ela citou consultas com clínico geral entre €65 e €70 e cobrança de €100 para chegar ao hospital sem encaminhamento. Esses valores e regras podem mudar, e uma emergência não deve ser adiada por causa do custo.

Na vida social, Melissa via muitas opções para brasileiros, como festas, samba e eventos. Também frequentava pubs com música irlandesa e encontros profissionais de networking.

Ela considera fácil conversar e trabalhar com irlandeses, mas mais difícil criar amizades íntimas. Depois de quase 15 anos entre idas e vindas, conhecia muitos locais, porém seus vínculos mais próximos continuavam majoritariamente ligados a brasileiros e estrangeiros.

O que o banco observa antes de aprovar?

Melissa se preparou para demonstrar capacidade de pagamento. Morar sozinha e pagar €1.200 de aluguel ajudava a comprovar que conseguia assumir uma prestação mensal.

Ela também guardava dinheiro regularmente e manteve emprego fixo durante a preparação. O banco pediu pelo menos seis meses de extratos e histórico financeiro.

Gastos constantes com apostas, pubs e compras que comprometem a renda podem enfraquecer a análise. O objetivo não é apresentar uma vida artificial, mas demonstrar que existe sobra mensal consistente para a hipoteca.

Após concluir a compra, Melissa deixou o cargo corporativo e passou a dedicar-se integralmente ao trabalho como estrategista de carreira. Essa foi uma decisão pessoal posterior; quem ainda está no processo deve confirmar com o banco antes de alterar emprego ou renda.

Vale a pena comprar casa na Irlanda?

Para Melissa, valeu. Ela não planejava voltar definitivamente ao Brasil e desejava estabelecer uma base na Irlanda. A saudade da família continua, mas estabilidade e oportunidades profissionais pesaram mais.

A conquista não aconteceu imediatamente. Entre a chegada como intercambista e a compra foram anos de aprendizado, mudanças, carreira e organização financeira.

O principal conselho é definir o objetivo, melhorar o inglês, construir renda estável e guardar dinheiro com regularidade. Assista ao vídeo completo para ver o tour pelo apartamento e acompanhar os números explicados por Melissa em cada ambiente.