COMO O NETWORKING ACELERA O VISTO DE TRABALHO NA IRLANDA | Building Bridges

Mudar de país e recomeçar a vida profissional do zero é um dos maiores desafios enfrentados por quem decide morar no exterior. Todos os anos, milhares de brasileiros desembarcam em Dublin com o sonho de conquistar uma vaga qualificada, mas esbarram na mesma barreira: como entrar no mercado corporativo local? No vídeo mais recente do canal, Fillipe Cardoso foi conferir de perto a 5ª edição do Building Bridges, considerado o maior evento de networking da Irlanda. O episódio mostra histórias reais de profissionais que usaram as conexões pessoais para acelerar a conquista do visto de trabalho na Irlanda e superar o subemprego.

O que é o Building Bridges e como funciona?

Idealizado por uma brasileira chamada Bia, o Building Bridges nasceu com o propósito de conectar a comunidade imigrante diretamente com o mercado corporativo irlandês. O evento atrai não apenas recém-chegados, mas também profissionais que já atuam em suas áreas e retornam para compartilhar mentorias ou buscar transições de carreira.

Diferente de feiras de emprego tradicionais, a dinâmica do evento é dividida em dois ambientes simultâneos para otimizar o tempo dos participantes:

  • Main Stage (Palco Principal): Espaço dedicado a palestras gerais conduzidas por recrutadores e especialistas, abordando temas universais como processos seletivos e comportamento profissional.
  • Salas de Networking Setoriais: Salas divididas por áreas de atuação (como Engenharia Civil, TI, Cyber Security, Marketing, Finanças, Vendas, Direito e Audiovisual), onde os participantes conversam diretamente com profissionais que já trabalham no mercado local.

Histórias reais: Estratégias que funcionaram na prática

O diferencial do registro feito por Bolder foi colher depoimentos de pessoas que de fato conseguiram se posicionar na Irlanda. Os relatos expõem táticas claras e caminhos alternativos para conseguir o primeiro emprego qualificado.

Engenharia: Proatividade e a estratégia do “Surveyor”

Thiago, formado em Engenharia Elétrica no Brasil, relatou que seu início se deu através de uma abordagem direta no LinkedIn. Ele filtrou empresas de menor porte e enviou mensagens para gerentes e proprietários, oferecendo-se inclusive para uma experiência inicial sem custos para demonstrar seu valor. O dono de uma empresa de iluminação gostou da postura, ofereceu uma vaga remunerada e abriu as portas do mercado para ele.

Já Rodrigo, que atua na área de BIM (Building Information Modeling), trouxe um conselho prático para engenheiros civis. Ele começou trabalhando como Surveyor (topógrafo), uma função de entrada comum na Irlanda que muitos brasileiros ignoram por falta de conhecimento. Segundo Rodrigo, estar fisicamente na Irlanda e possuir um endereço e telefone locais no currículo muda o peso das negociações com recrutadores, pois eles raramente avançam com candidatos que ainda estão no Brasil.

Tecnologia e Cyber Security: Certificações financiadas pelo governo

Bruno, profissional de Cyber Security em uma empresa americana sediada em Dublin, destacou o aquecimento do mercado de TI, mas alertou que a qualificação técnica direcionada é essencial. Ele revelou que obteve três a quatro certificações de segurança utilizando programas e subsídios do próprio governo irlandês que bancam cursos para residentes. Essas certificações foram o gatilho necessário para que o algoritmo dos recrutadores encontrasse seu perfil.

Vistos direto do Brasil e a área de saúde

O evento também provou que o networking ultrapassa as fronteiras físicas. Jardel, engenheiro civil, conseguiu seu visto de trabalho na Irlanda antes mesmo de se mudar. Ele iniciou um trabalho remoto para uma empresa irlandesa ainda no Brasil, construiu uma relação de confiança ao longo de um ano e, em janeiro de 2024, a companhia patrocinou sua transferência definitiva para Dublin.

Na área de saúde, Gabi (nutricionista que trabalha em um hospital público em Dublin) reforçou que a validação de diplomas e o entendimento do sistema multidisciplinar de saúde (Healthcare) exigem informações de quem já vive a rotina hospitalar. Ela pontuou que o apoio mútuo entre imigrantes da mesma área encurta caminhos burocráticos complexos.

O Networking vale a pena? Riscos de ficar isolado

Uma das principais falas do evento veio de Mateus, engenheiro de software e empreendedor. Ele relembrou que chegou à Irlanda poucos dias antes do início da pandemia, tendo apenas quatro dias de aula antes do fechamento total do país. Para ele, networking na Irlanda não é apenas um clichê, mas a principal ferramenta para obter referências profissionais confiáveis e cartas de recomendação, que possuem um peso enorme no mercado local.

Bolder reforçou que o grande erro de muitos intercambistas é se isolarem dentro de casa ou se limitarem aos turnos de trabalho em pubs e restaurantes, sem frequentar ambientes corporativos. O networking funciona como uma moeda de troca: estar visível aumenta exponencialmente as chances de indicação.

Dicas técnicas para acelerar sua contratação

Para quem deseja se preparar para o mercado irlandês, o vídeo consolida três pontos essenciais de preparação técnica:

  1. Ajuste o Currículo e o LinkedIn: O perfil precisa estar formatado no padrão local, destacando palavras-chave da sua área. O evento inclusive contou com um estúdio fotográfico profissional focado em atualizar a imagem de perfil dos candidatos para o LinkedIn.
  2. Monte um “Elevator Pitch”: Melissa, consultora de carreira (Career Coach), orientou que todo profissional deve ter um discurso de dois minutos pronto, explicando claramente como suas competências podem resolver os problemas de uma empresa.
  3. Foque no Inglês de Negócios: A comunicação clara das suas habilidades técnicas durante as salas de discussões é o que dita o sucesso de uma entrevista rápida.

O Building Bridges acontece anualmente no mês de maio em Dublin, e os conteúdos das palestras principais também são transmitidos no canal oficial do projeto no YouTube para quem ainda está planejando a viagem no Brasil ou em outros países da Europa.