Custo de vida de família na Irlanda: gastos reais

Qual é o custo de vida de uma família na Irlanda? Gisela e Gustavo abriram as contas da casa onde moravam com duas filhas e um cachorro em Malahide, no norte de Dublin. O orçamento incluía aluguel de €2.350, alimentação de até €1.200, dois carros, atividades infantis e cuidados escolares.

A família havia saído do Brasil, morado primeiro em Portugal e depois escolhido a Irlanda em busca de melhores oportunidades financeiras e profissionais. No vídeo, eles mostram a casa, explicam a dificuldade para alugar com crianças e animais e contam se a segunda mudança internacional valeu a pena.

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Contexto: todos os valores correspondem ao período da gravação, em 2024, e ao perfil específico da família. Aluguel, energia, seguros, benefícios e custos escolares podem mudar. Não trate os números como orçamento atual sem pesquisar novamente.

Por que a família saiu do Brasil?

Gisela já possuía cidadania portuguesa, o que facilitava a mudança para a Europa. O plano, entretanto, foi adiado durante anos por causa de carreira, filhos e compromissos familiares.

A oportunidade apareceu na pandemia, quando Gustavo conseguiu trabalhar remotamente para uma empresa brasileira enquanto morava no exterior. A família escolheu Cascais, em Portugal.

No começo, a renda do Brasil e a comunidade de brasileiros na região tornaram a adaptação mais confortável. Muitas amizades tinham perfil parecido: famílias do Rio de Janeiro com crianças pequenas.

Depois de aproximadamente um ano, Gustavo começou a procurar trabalho no mercado português. Encontrou uma boa empresa, mas precisou aceitar um cargo abaixo do nível que ocupava anteriormente.

Portugal oferecia clima, segurança e um estilo de vida próximo ao brasileiro, mas salários, impostos e custo de vida deixavam pouca sobra no fim do mês. Foi essa análise financeira que abriu a possibilidade de uma nova mudança.

Por que escolheram a Irlanda?

Um casal de amigos que já havia vivido em Portugal contou como era a vida profissional na Irlanda. A amiga também trabalhava com contabilidade e acreditava que o histórico de Gustavo poderia encontrar espaço no mercado irlandês.

A família fez uma viagem exploratória a Dublin e conversou com antigos colegas. Inicialmente, pensou em Cork por causa da presença de indústrias farmacêuticas. Uma enchente na região, justamente quando compravam as passagens, ajudou a redirecionar o plano para Dublin.

Como possuíam documentação europeia, receberam a orientação de que seria melhor uma das pessoas conseguir trabalho primeiro. Gisela e Gustavo enviaram currículos e ativaram a rede de contatos.

Como Gustavo conseguiu emprego antes da mudança

Ainda em Portugal, Gustavo recebeu uma ligação para uma entrevista presencial no dia seguinte. Ele comprou passagem, voou de Lisboa para Dublin no mesmo dia e dormiu na casa de um amigo.

Fez a entrevista pela manhã e recebeu a resposta positiva enquanto voltava de Luas. Retornou a Portugal já sabendo que começaria o novo emprego duas semanas depois.

Gustavo mudou primeiro e passou cerca de um mês num Airbnb. Enquanto ele trabalhava, Gisela permanecia em Portugal organizando caixas, crianças, cachorros e a mudança. Os dois pesquisavam imóveis à distância e marcavam visitas.

Como alugar casa para uma família com cachorro?

Encontrar uma casa inteira em Dublin foi um dos maiores desafios. Nas visitas abertas, havia filas com cerca de 20 interessados. Em uma delas, oito pessoas saíram do mesmo carro para conhecer o imóvel.

Gisela sentia que outros candidatos apresentavam um perfil mais simples para o proprietário: casais sem filhos ou animais. A família precisava de espaço para dois adultos, duas crianças e dois cachorros.

A oportunidade surgiu numa visita individual. Gisela chegou com todos os documentos organizados e tentou entregá-los antes mesmo de conhecer os quartos. O desespero para reunir a família fazia detalhes como piso quebrado e cama inadequada parecerem problemas menores.

O assunto dos animais veio depois. Ao saber que havia um cachorro, a proprietária levou alguns dias para decidir. Quando o casal esclareceu que eram dois, ela recusou. A solução naquele momento foi trazer apenas um e deixar o outro temporariamente em Portugal.

O episódio mostra por que é importante declarar animais antes da assinatura e obter consentimento por escrito. Esconder um pet pode gerar conflito ou violação do contrato.

Como é a casa em Malahide?

O imóvel tem dois quartos, sendo um deles suíte, além de lavabo no térreo. Sala e cozinha são integradas, com móveis e decoração fornecidos pelo proprietário.

O quarto das filhas também funciona como espaço de estudo e home office. Gustavo trabalhava de casa às segundas e sextas e compartilhava a pequena mesa com as meninas no restante do dia.

A casa fica em Malahide, aproximadamente 20 minutos do aeroporto e 40 minutos do centro de Dublin, dependendo do trânsito. A região costeira possui praia, castelo, campo de golfe, clube de críquete, pubs e um centro bastante procurado no verão.

O aluguel era de €2.350 por mês. A família pretendia pagar menos, mas aceitou o valor para garantir um imóvel inteiro numa área considerada boa.

Energia, gás, internet e licença de TV

Eletricidade e gás custavam, juntos, aproximadamente €220 a €230 por mês. Parte do consumo elétrico vinha do carregamento do carro.

Internet residencial e três linhas de telefone — dos dois adultos e da filha mais velha — somavam €148 mensais.

A licença de televisão foi uma surpresa. Um fiscal apareceu na casa, e o casal descobriu a cobrança anual de €160. Dividido por mês, o gasto representava pouco mais de €13.

A licença se aplica ao equipamento de televisão, conforme as regras vigentes, e não deve ser confundida com assinatura de streaming ou pacote de canais.

Quanto a família gastava no supermercado?

Alimentação ficava entre €1.000 e €1.200 por mês. O valor incluía quatro pessoas e parte dos produtos do cachorro.

Nos primeiros meses, o gasto era maior. Com o tempo, Gisela e Gustavo descobriram supermercados, marcas e produtos com melhor custo-benefício.

Na comparação com Portugal, itens básicos não apresentavam diferença extrema, mas carnes tinham mais variedade e preço melhor no país anterior. Bebidas alcoólicas e produtos premium pesavam mais na Irlanda.

Gustavo trabalhava presencialmente de terça a quinta e, em alguns dias, comprava um sanduíche no almoço; em outros, levava comida de casa. Esse tipo de hábito também altera bastante o total mensal.

Quanto custa a saúde para uma família?

A família não possuía seguro privado e pagava conforme a necessidade. Gisela relatou dificuldade quando a filha mais velha teve febre por vários dias.

Depois de uma consulta por telemedicina que não resolveu o problema, ela procurou um GP em Malahide. Como a filha não estava cadastrada, a clínica não pôde atendê-la e indicou um hospital.

Gisela encontrou um horário no mesmo dia, foi de táxi e pagou €75 pelo atendimento, cobrado posteriormente por fatura. Ela considerou o cuidado recebido muito bom, embora o caminho até encontrar a consulta tenha sido confuso.

Uma consulta de cardiologia custou €70, acompanhada de aproximadamente €40 em exames de sangue. A experiência fez o casal considerar um plano, principalmente por ter crianças.

Os valores são históricos e não servem para escolher atendimento numa emergência. Em situação grave, procure o serviço adequado imediatamente.

Dois carros: elétrico e a combustão

O casal mantinha dois automóveis. Um deles era um Tesla usado, comprado por algo em torno de €24 mil a €25 mil. Segundo Gustavo, um modelo novo semelhante custava perto de €38 mil ou €39 mil naquele momento.

Ele instalou um carregador na casa alugada com autorização do proprietário. O equipamento e a instalação custaram €2.700 porque o cabo precisou passar sob o piso. Um incentivo público devolveu €300, deixando o custo final em €2.400.

No plano elétrico inicial, o carro consumia cerca de €75 por mês. Com uma tarifa noturna, Gustavo calculava reduzir esse valor para algo entre €15 e €17 mensais.

Antes de carregar em casa, chegava a gastar €350 ou €400 com outras formas de abastecimento e deslocamento. A região também tinha carregadores em estação de DART, shopping e outros pontos próximos.

O carro a combustão era pouco usado porque Gisela trabalhava remotamente, ficando perto de €50 por mês em combustível. Já Gustavo gastava entre €66 e €70 mensais em pedágios para ir ao trabalho.

Os seguros dos dois carros somavam aproximadamente €500 por mês. O histórico de Portugal não foi aproveitado como esperavam, e o primeiro seguro na Irlanda ficou especialmente alto.

Lazer e atividades das crianças

Uma saída simples podia ficar cara. O casal estimava entre €100 e €150 por fim de semana quando fazia atividades com as filhas.

Um jantar para os quatro custava pelo menos €120. Numa visita a um museu interativo de ciência, somente os ingressos chegaram a €100. Com comida e pequenos pedidos das crianças, o passeio terminou entre €250 e €300.

As meninas praticavam jiu-jítsu por cerca de €110. Gisela planejava entrar numa academia de €44 mensais.

Roupas infantis não eram necessariamente caras por peça, mas precisavam ser repostas a cada estação porque as crianças cresciam. Quantidade e frequência tornavam o gasto relevante.

Escola pública é totalmente gratuita?

A filha mais velha entrou no ensino secundário. A família encontrou uma taxa de €300, que incluía matrícula, cadeado e acessos escolares.

Também precisou comprar um iPad configurado com sistema, livros digitais, seguro e proteção. O pacote ficou perto de €900. Somados uniforme e outros itens, o custo inicial chegou a aproximadamente €1.500.

Não havia mensalidade, mas isso não significava ausência de despesas. Uniformes, tecnologia, materiais e atividades ainda entravam no orçamento.

A filha menor terminava a escola por volta das 13h30 e precisava de after-school. O preço cheio era próximo de €600, reduzido por apoio público para aproximadamente €470 e, depois, para perto de €343.

Carreira em contabilidade e recursos humanos

Gustavo é contador. Ele considera certificações locais importantes para avançar, embora sua experiência internacional e passagem por empresas relevantes tenham ajudado a conquistar a primeira oportunidade.

Gisela trabalhava com recursos humanos há mais de 20 anos no Brasil. Mesmo com esse histórico, levou cerca de dez meses para entrar na área na Irlanda.

Ela começou uma certificação reconhecida no mercado britânico e irlandês em março e conseguiu trabalho em outubro, pouco antes de concluir o curso.

Os dois destacam que a primeira porta é a mais difícil. Depois de adquirir experiência local, o mercado entende melhor o perfil e novas oportunidades tendem a aparecer.

Valeu a pena mudar para a Irlanda?

Para a família, sim. Segurança, gentileza dos irlandeses, oportunidades e um ritmo menos acelerado foram os principais pontos positivos.

Gustavo percebeu que conseguia estar mais presente nos treinos e na rotina das filhas, sem manter a cabeça permanentemente no trabalho. Gisela valorizou o modo mais tranquilo como os pais levavam as crianças à escola.

Entre os aspectos negativos estavam vento, transporte público e sistema de saúde. A Irlanda não era necessariamente o destino definitivo dos sonhos, mas entregava o que procuravam naquele momento: renda mais justa e inglês para as filhas.

O conselho do casal é planejar dinheiro, documentos e carreira, mas também preparar o lado emocional. A mudança exige energia, e o período de adaptação pode abalar até quem desejava muito emigrar.

Assista ao vídeo completo para conhecer a casa, conferir as despesas explicadas pela família e comparar esse perfil com outras realidades de custo de vida na Irlanda.