Leucemia durante o intercâmbio: Isabella Rocha conta seu tratamento na Irlanda

Dois meses depois de chegar para o intercâmbio, Isabella Rocha recebeu o diagnóstico de leucemia na Irlanda. Baiana de Feira de Santana e recém-chegada durante a pandemia, ela enfrentou quase seis meses de hospital, quatro blocos de tratamento e 36 sessões de quimioterapia longe da família.

Uma mudança decidida durante a pandemia

Isabella tinha uma cozinha de marmitas fitness no Brasil, mas já não se identificava com a rotina. Em 2020, após conversar com uma amiga, decidiu pesquisar a Irlanda. Estudou inglês por seis meses e embarcou em dezembro, aos 40 anos, com uma mala de 23 quilos.

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Chegou dias antes de um novo fechamento das fronteiras e iniciou as aulas on-line. Como quase tudo estava fechado, cozinhava para complementar a renda. Antes de viajar, havia feito exames no Brasil e não tinha recebido indicação de câncer.

A dor que levou ao hospital

Em 25 de fevereiro, Isabella sentiu uma forte dor no estômago e ficou muito pálida. No hospital, exames apontaram uma infecção no sangue. Como ela ainda entendia pouco inglês, a equipe tentou localizar tradução e depois contou com uma médica de Portugal para explicar o diagnóstico.

O exame de medula confirmou leucemia mieloide aguda do subtipo M4, segundo o relato. A evolução havia sido rápida. Isabella pediu que o exame fosse feito imediatamente e decidiu começar o tratamento sem voltar ao Brasil.

Quatro blocos e 36 sessões de quimioterapia

O primeiro bloco foi o mais agressivo. Isabella ficou acamada, perdeu mobilidade por um período e sofreu uma inflamação grave na gengiva, além da perda de três dentes. Algumas sessões duravam entre uma hora e uma hora e meia; outras chegavam a cerca de quatro horas.

Ela permanecia longos períodos internada e, quando liberada, passava poucos dias fora antes de voltar. O isolamento da pandemia tornou o processo ainda mais duro. Mesmo assim, conta que entrou em remissão já no primeiro bloco e seguiu todo o protocolo indicado.

A rede de apoio construída em pouco tempo

Os amigos com quem dividia casa, a consultora da escola, brasileiros que conheceu no país e Marius — que Isabella havia conhecido poucos dias antes da internação — formaram a rede de apoio. Ele apareceu no hospital cerca de 40 minutos depois de saber do diagnóstico e assumiu responsabilidades durante o tratamento.

A fé ocupa parte central do relato, mas Isabella não apresenta isso como substituto para medicina. Ela destaca o acompanhamento da equipe hospitalar, o tratamento intensivo e o apoio emocional recebido.

Saúde durante o intercâmbio: o que a história ensina

A experiência de Isabella é individual e não permite prever como outro caso será tratado. Seguro, Medical Card, elegibilidade e custos dependem da situação de cada pessoa e das regras vigentes. Quem apresenta sintomas deve procurar atendimento profissional; relatos on-line não substituem diagnóstico.

O episódio mostra por que intercambistas precisam guardar documentos médicos, entender a cobertura contratada e criar vínculos fora da escola. Para Isabella, a comunidade que conhecia havia poucas semanas se tornou família quando ela mais precisou.