Em quem vota o brasileiro que vive fora do país? Às vésperas das Eleições 2026, Bolder foi às ruas de Dublin ouvir pessoas que moram na Irlanda. As respostas mostram eleitores de esquerda, de direita, interessados em uma alternativa à polarização e brasileiros que preferem não participar da escolha enquanto estiverem longe do país.
O vídeo não é uma pesquisa eleitoral e não representa estatisticamente a comunidade brasileira no exterior. É uma enquete de rua, formada por opiniões individuais. Ainda assim, a conversa revela temas recorrentes: polarização, custo de vida, segurança, educação, corrupção, direitos individuais e a dúvida sobre até onde quem emigrou deve interferir no futuro político do Brasil.
Brasileiros no exterior podem votar nas Eleições 2026?
Sim, desde que estejam com a situação eleitoral regular e tenham transferido o domicílio eleitoral para o exterior dentro do prazo. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, 918.876 brasileiros estavam aptos a votar fora do país em 2026, distribuídos por 186 cidades.
Quem possui título na Zona Eleitoral do Exterior vota somente para presidente e vice-presidente da República. O primeiro turno acontece em 4 de outubro de 2026 e, se necessário, o segundo será realizado em 25 de outubro. O local exato deve ser consultado no e-Título ou nos serviços oficiais da Justiça Eleitoral.
A transferência para o exterior precisava ter sido solicitada até 6 de maio, quando o cadastro eleitoral foi fechado para a organização do pleito. Por isso, pessoas entrevistadas que descobriram o procedimento tarde demais não poderiam simplesmente mudar o título na semana da eleição.
E quem estiver fora do local de votação?
Não existe voto em trânsito no exterior. Se o eleitor não estiver na cidade correspondente ao domicílio eleitoral, poderá justificar a ausência pelos canais indicados pelo TSE. Cada turno conta separadamente, e a orientação varia conforme o título esteja inscrito no Brasil ou na Zona Eleitoral do Exterior. A página de Eleitorado no Exterior reúne as regras atualizadas.
O voto é obrigatório para quem mora fora?
Para brasileiros alfabetizados entre 18 e 70 anos, o voto continua obrigatório, inclusive quando o título está na Zona Eleitoral do Exterior. A diferença é que, fora do país, a obrigação eleitoral ocorre apenas nas eleições para presidente e vice-presidente. O voto é facultativo para jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e pessoas analfabetas.
Quem tem título inscrito em uma zona do Brasil, mas está temporariamente no exterior, não ganha automaticamente o direito de votar em Dublin ou outra cidade estrangeira. Nesse caso, deverá justificar a ausência segundo as regras aplicáveis. Três ausências consecutivas sem justificativa ou regularização podem levar ao cancelamento do título, e cada turno é considerado uma eleição.
Para o primeiro turno de 2026, o TSE informa 3 de dezembro como prazo geral de justificativa após a eleição; para eventual segundo turno, 8 de janeiro de 2027. Existem situações específicas para quem estava no exterior e comprova o retorno ao país, por isso a consulta individual no e-Título ou no Autoatendimento Eleitoral é indispensável.
Muitos brasileiros em Dublin ainda desconheciam o procedimento
No início da enquete, Bolder pergunta há quanto tempo cada pessoa vive na Irlanda e se sabia que era possível votar no país. Algumas desconheciam completamente a possibilidade. Outras sabiam, mas não transferiram o título; houve também quem já tivesse feito a mudança desde 2022 e defendesse o voto como parte importante da cidadania.
Uma entrevistada conta que imaginava um procedimento difícil, mas considerou a transferência rápida. Outra diz que estaria viajando no dia da eleição e, por isso, não participaria. Os relatos demonstram que o obstáculo nem sempre é falta de interesse: informação tardia, endereço eleitoral desatualizado e deslocamento também interferem.
Polarização domina a percepção sobre as eleições
Quando Bolder pergunta sobre o clima eleitoral, a palavra mais repetida é “polarizado”. Vários entrevistados afirmam evitar política para não perder amizades ou aumentar conflitos familiares. Na percepção deles, criticar um lado é frequentemente interpretado como apoio automático ao outro.
Uma das falas mais consistentes defende que candidatos e partidos devem ser cobrados, não idolatrados. Outra pessoa observa que discutir política exige escolher com cuidado o interlocutor, pois uma conversa sobre propostas pode rapidamente se transformar em confronto pessoal.
Também aparecem entrevistados que enxergam a divisão como instrumento de distração. Para eles, enquanto a população briga entre esquerda e direita, questões institucionais e problemas concretos deixam de receber atenção. Essas avaliações são opiniões dos participantes, não conclusões apresentadas pelo vídeo como fatos comprovados.
Redes sociais aumentam a sensação de conflito
Parte do incômodo vem da exposição constante. Uma entrevistada diz não conseguir abrir redes sociais sem encontrar conteúdo eleitoral; outra percebe que amigos evitam o assunto para impedir uma discussão desnecessária. O fluxo contínuo de vídeos, cortes e acusações cria a impressão de que toda conversa precisa terminar na defesa de um campo.
No final, algumas pessoas defendem justamente o contrário do silêncio: conversar mais, mas com disposição para ouvir. A ideia não é apagar diferenças, e sim impedir que preferência partidária destrua vínculos. Bolder também pede civilidade nos comentários e lembra que o voto é secreto.
Em quem os brasileiros entrevistados disseram votar?
As escolhas foram variadas. Alguns declararam voto em Lula; outros disseram apoiar Bolsonaro. Renan Santos também foi citado por pessoas que buscavam uma alternativa ao confronto entre lulismo e bolsonarismo. Houve quem já tivesse escolhido um candidato, mas preferisse não revelar o nome, e quem ainda não visse nenhuma opção convincente.
Nem todos pretendiam votar. Uma participante afirmou que, por não viver mais no Brasil, preferia deixar a decisão para quem enfrenta diretamente a realidade do país. Outros rejeitaram esse raciocínio e lembraram que continuam brasileiros, mantêm família, patrimônio e planos de retorno.
As menções a nomes representam somente a preferência declarada de cada entrevistado no dia da gravação. Elas não substituem a lista oficial de candidaturas, não indicam tendência do eleitorado no exterior e não constituem recomendação do Bolder Podcast.
Quais pautas deveriam ser prioridade?
Segurança pública aparece com frequência. Pessoas que tinham visitado recentemente o Brasil falaram sobre medo, violência e a dificuldade de imaginar uma volta para um lugar onde não se sentem seguras. Uma entrevistada compara essa sensação à liberdade de usar transporte público de madrugada na Irlanda.
Economia e custo de vida também ocupam espaço. Um casal relata surpresa com os preços encontrados durante uma viagem ao Brasil: em alguns casos, a conversão aproximava a compra do valor europeu, mas os salários continuavam em reais. Para eles, o problema não é apenas quanto custa um produto, mas o poder de compra de quem recebe renda baixa.
Educação e saúde são apresentadas como bases para uma melhora duradoura. Outros entrevistados destacam corrupção, uso dos impostos, geração de emprego e capacidade do país de se posicionar diante de pressões internacionais. Temas de religião, sexualidade e direitos da comunidade LGBT aparecem quando participantes explicam por que não se sentem representados integralmente por nenhum dos polos.
A comparação com a Irlanda influencia as respostas
Quem vive fora inevitavelmente compara serviços, salários e impostos. Alguns entrevistados dizem desejar para o Brasil a segurança e o poder de compra que encontraram na Irlanda. Outros reconhecem que a comparação pode simplificar realidades muito diferentes. O ponto comum é a expectativa de que os impostos se convertam em serviços públicos visíveis e oportunidades concretas.
A experiência migratória também muda a noção de prioridade. Para quem consegue caminhar à noite ou planejar despesas com mais previsibilidade, segurança e economia deixam de ser conceitos abstratos. Ao mesmo tempo, morar fora pode afastar o eleitor das mudanças recentes em sua cidade de origem. Por isso, os participantes insistem na necessidade de acompanhar o país para além das campanhas.
Um presidente sozinho consegue mudar o país?
Uma crítica repetida no vídeo é a concentração do debate na Presidência. Um entrevistado chama atenção para o papel de senadores e deputados; outro afirma que nenhuma mudança estrutural acontecerá em apenas quatro anos. Mesmo quem deposita esperança em um candidato reconhece que o presidente depende de Congresso, instituições, orçamento e continuidade das políticas.
Para quem vota no exterior, essa limitação é ainda mais visível: o eleitor com título na Zona Eleitoral do Exterior participa apenas da escolha de presidente e vice. Não vota em senador ou deputado, embora esses cargos influenciem diretamente a aprovação de leis, fiscalização e composição de forças no Congresso.
O resultado faria alguém voltar ao Brasil?
Para a maioria dos entrevistados, não. A decisão de emigrar envolveu carreira, segurança, qualidade de vida, família e projetos pessoais. Mesmo a vitória do candidato preferido não resolveria todos esses fatores no período de um mandato.
Alguns ainda pensam em voltar e veem o voto como aposta em um país melhor no futuro. Outros estão estabelecidos na Irlanda e não planejam regressar além de visitas. Existe também uma posição intermediária: acompanhar e votar porque pais, irmãos e amigos continuam no Brasil, mesmo sem data para retornar.
Quem mora fora tem legitimidade para opinar?
Essa pergunta produz algumas das respostas mais pessoais do vídeo. Para parte dos participantes, morar fora não elimina nacionalidade, vínculos afetivos nem interesse pelo destino do país. Eles lembram que a imigração pode ser temporária e que muitas pessoas ainda contribuem, investem ou sustentam familiares no Brasil.
Outros fazem uma ressalva: quem não acompanha economia, segurança e instituições deveria evitar votar apenas por identificação ideológica. A distância pode oferecer comparação com outros países, mas também pode reduzir o contato com problemas cotidianos. A responsabilidade, portanto, seria buscar informação confiável antes de formar opinião.
Uma entrevistada resume a dimensão emocional ao dizer que sair do Brasil não faz o Brasil sair da pessoa. Outra destaca que ser imigrante exige deixar família, emprego e referências para trás, uma experiência que não significa renunciar ao direito cívico.
Como votar com mais consciência nas Eleições 2026
No encerramento, as recomendações convergem mais do que as preferências partidárias. Os entrevistados pedem pesquisa, respeito ao voto secreto e atenção ao histórico dos candidatos. A orientação é comparar o que cada político promete com decisões e ações anteriores, sem depender exclusivamente de vídeos curtos ou discussões em redes sociais.
- Confirme situação eleitoral e local de votação no e-Título ou no portal do TSE.
- Consulte candidaturas, propostas e prestações de contas em fontes oficiais.
- Diferencie opinião, propaganda e informação verificável.
- Analise histórico, alianças e viabilidade das promessas.
- Converse com civilidade e respeite quem escolheu não revelar o voto.
O retrato encontrado por Bolder em Dublin é de uma comunidade dividida nas escolhas, mas unida na frustração com o nível do debate. Assista ao vídeo completo e compare as opiniões, lembrando sempre que uma enquete de rua mostra histórias e argumentos — não uma previsão do resultado das eleições.
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