Brechó na Irlanda: como Lídia Marina criou o Helene-se

Lídia Marina criou um brechó na Irlanda durante a pandemia, começando com €100, 14 peças e um perfil de apenas 69 seguidores. A primeira coleção do Helene-se foi vendida em três dias. No Bolder Podcast, ela explica como a curadoria transformou uma experiência pequena em negócio.

De Volta Redonda a São Paulo

Lídia nasceu em Volta Redonda, mudou-se para o interior de Minas Gerais aos 12 anos e depois foi para São Paulo. Cursou Comércio Exterior com bolsa integral e trabalhou como babá enquanto estudava.

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Para financiar o intercâmbio, manteve o emprego de escritório de segunda a sexta e cuidava de crianças nos fins de semana. Foram cerca de dois anos saindo do trabalho de babá na manhã de segunda-feira diretamente para o escritório.

Os diferentes trabalhos na Irlanda

Na Irlanda, Lídia trabalhou como babá, cleaner, passeadora de cães, funcionária da Primark e da Dunnes e com venda de intercâmbio. Em 2019, voltou ao Brasil e abriu uma agência de turismo. Retornou à Irlanda em 29 de fevereiro de 2020 para uma estadia curta, poucos dias antes das restrições da pandemia.

Com o turismo paralisado, entrou na faculdade e permaneceu no país. Uma amiga sugeriu vender roupas de segunda mão, assunto sobre o qual Lídia já produzia vídeos desde 2017.

Lídia Marina conta como criou um brechó na Irlanda
Lídia mostra que o diferencial do Helene-se está na seleção das peças e na experiência de compra.

Como surgiu o brechó Helene-se?

Lídia separou €100 e calculou que precisava comprar 14 peças para testar a ideia. Escolheu roupas que também cabiam nela: se não vendessem, ao menos renovaria o próprio guarda-roupa. Criou o Instagram e anunciou o projeto no perfil pessoal.

Com aproximadamente 69 seguidores, vendeu toda a primeira coleção em três dias. Reinvestiu o valor na coleção seguinte e repetiu o processo. Em dois sábados consecutivos, chegou a faturar mais do que recebia durante uma semana inteira como babá e decidiu concentrar energia no brechó.

O nome é uma homenagem

Helene-se vem de Helena, irmã de Lídia que morreu quando ela tinha seis anos. Para ela, o nome remete a luz e à ideia de “tornar-se Helena”, conectando a marca a uma memória familiar.

Curadoria é diferente de apenas revender roupa

Lídia destaca que as peças passam por seleção, lavagem e organização por tamanho. A proposta é evitar que a cliente precise procurar entre roupas rasgadas, com zíper quebrado ou sem relação com seu estilo.

A conversa também aborda o impacto do fast fashion, descarte têxtil e doações. Ao relatar uma viagem a Moçambique, Lídia questiona doações indiscriminadas que podem competir com produtores e comerciantes locais. Ela diferencia ajuda emergencial de ações que ignoram a economia da comunidade.

Vale a pena abrir um brechó na Irlanda?

O caso de Lídia mostra que começar pequeno reduz o risco, mas não elimina trabalho com estoque, fotografia, atendimento e logística. Na data do episódio, ela planejava retomar um espaço físico e criar uma assinatura para clientes terem acesso antecipado às peças. São planos daquele momento, não promessa de disponibilidade atual.