Fisiculturistas na Irlanda: Nanda Duavy e Letícia Pimenta

Ser uma das fisiculturistas na Irlanda envolve muito mais do que treinar e subir ao palco. Nanda Duavy e Letícia Pimenta contam ao Bolder como começaram a vida no país, transformaram a relação com a academia e entraram no fisiculturismo natural.

O episódio não esconde a parte difícil: dieta, rotina, custos, comparação entre atletas e pressão psicológica. Ao mesmo tempo, mostra a rede de apoio que ajudou Nanda a vencer sua categoria e o título geral logo em sua primeira competição.

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De Salvador para a Irlanda

Nanda é de Salvador e trabalhava com publicidade no Brasil. Em 2016, insatisfeita e estressada com a rotina, decidiu fazer uma pausa de oito meses para estudar inglês na Irlanda. O plano temporário acabou se tornando uma nova vida.

A atividade física estava presente desde a adolescência. Depois de tentar diferentes esportes, ela começou a fazer exercícios em casa aos 13 anos e entrou na academia aos 16. O fisiculturismo, porém, só apareceu muito mais tarde.

A chegada à Irlanda foi difícil. Nanda saiu do clima de Salvador e desembarcou em fevereiro, enfrentando frio, chuva, outra língua e distância da família. Ela relata ter passado por depressão e dividido casa com nove italianos. A convivência foi intensa, mas também abriu contato com pessoas de várias nacionalidades.

A mudança de Letícia Pimenta

Letícia também vivia uma rotina profissional estressante no Brasil, na área de compras. A ideia inicial era estudar inglês na Austrália, mas os custos e o visto levaram à escolha da Irlanda.

Ela começou a trabalhar em uma academia com inglês muito básico e permaneceu no local, avançando de uma função inicial até o trabalho como personal trainer. Essa experiência foi decisiva para aproximar Letícia do treinamento de atletas.

Nanda, por sua vez, trabalhou como au pair e depois numa hamburgueria com turno noturno. Em um período, conciliava aulas pela manhã, trabalho das 19h às 5h e poucas horas de sono. O relato ajuda a entender por que manter uma rotina saudável durante o intercâmbio nem sempre é simples.

Como Nanda entrou no fisiculturismo?

A aproximação começou quando Nanda procurou Marcelo para uma avaliação física e orientação nutricional. Letícia passou a acompanhar os treinos. O que inicialmente era uma tentativa de voltar a cuidar do corpo se transformou em uma preparação com data, categoria e meta.

O físico de competição não é o mesmo de uma pessoa que treina por saúde ou lazer. Letícia explica que treino, alimentação e recuperação são ajustados conforme o estágio da preparação e as exigências da categoria. O corpo precisa de tempo para construir massa muscular; resultados de palco não surgem em poucas semanas.

Uma preparação de três meses

Nanda relata que não passou fome durante toda a preparação, mas a reta final ficou muito mais exigente. A dieta, o consumo de água e a intensidade do treino foram alterados de acordo com a proximidade da competição.

Ela também precisou aprender pose, caminhar de salto e apresentar o físico. Pouco antes de entrar, pensou no contraste de subir de biquíni diante de árbitros que avaliariam cada detalhe do corpo. A decisão foi aproveitar o momento, pois acreditava que aquela seria sua primeira e última competição.

Nanda venceu a categoria e o título geral

Na véspera, ainda existia dúvida sobre o melhor enquadramento para seu físico. Em vez de tentar se encaixar à força em uma categoria que não representasse o trabalho construído, Nanda, Letícia e Marcelo decidiram manter a estratégia escolhida.

O resultado superou a expectativa: Nanda ficou em primeiro lugar em sua categoria e também foi reconhecida como a melhor atleta da noite. A vitória abriu a possibilidade de representar a Irlanda em uma competição internacional, mas trouxe outro obstáculo.

Quanto custa competir no fisiculturismo?

O episódio destaca despesas que raramente aparecem nas fotos do palco. Biquíni, sapato, inscrição na federação, campeonato, bronzeamento, viagem, hotel, preparação e documentação formam uma conta alta.

Como o resultado internacional não fazia parte do planejamento inicial, Nanda não tinha orçamento para viajar imediatamente a Las Vegas. A vaga esportiva não significava que todos os custos seriam pagos. Esse é um dos pontos mais concretos da conversa: competir exige planejamento financeiro além de disciplina física.

Foco, consistência e saúde mental

Quando perguntada sobre foco, Nanda fala em um “contrato” consigo mesma. Treinadora e nutricionista poderiam oferecer o melhor plano, mas a execução diária dependia dela. A ideia não é perfeição permanente, e sim responsabilidade pelo objetivo assumido.

Letícia reforça que, para quem não deseja competir, o básico continua sendo consistência. Não é preciso reproduzir treino ou dieta de atleta. A preparação competitiva leva o corpo a uma condição extrema e deve ser acompanhada por profissionais qualificados.

Na reta final, cansaço, fome, comparação e ansiedade podem afetar o psicológico. Nanda destaca a importância da amizade com Letícia, do apoio de Marcelo e das pessoas com quem morava. Mesmo quando os colegas comiam pizza ou hambúrguer, respeitavam sua rotina e acompanharam a competição.

Fisiculturismo feminino deixa a mulher “masculina”?

As convidadas enfrentam um preconceito recorrente: a ideia de que musculação fará toda mulher adquirir o mesmo tipo físico. Elas explicam que existem categorias diferentes, com critérios próprios, e que um corpo de competição é construído com treino, alimentação e tempo direcionados a esse objetivo.

Também discutem a sexualização do biquíni e a falta de conhecimento sobre o esporte. Para Nanda, o apoio do pai — que acompanhou a conquista e torceu pelo resultado — ajudou a separar a avaliação esportiva de julgamentos sobre o corpo feminino.

Vale a pena competir?

Para Nanda, a experiência trouxe vitória, amizades e um conhecimento novo sobre o próprio corpo. Isso não significa que o processo seja indicado para todos. A decisão precisa considerar saúde, tempo, dinheiro, acompanhamento e a relação psicológica com dieta e imagem corporal.

Assista ao episódio completo para conhecer a história de Nanda Duavy e Letícia Pimenta e entender como é a preparação de fisiculturistas na Irlanda.

As experiências do episódio não substituem orientação médica, nutricional ou de educação física. Estratégias de preparação e desidratação não devem ser reproduzidas sem acompanhamento profissional.