Quando chegou à Irlanda, em março de 2011, Glauber Barduzzi tinha como objetivo principal aprender inglês. O fisioterapeuta brasileiro imaginava usar o idioma para fazer um mestrado nos Estados Unidos ou retornar ao Brasil mais preparado. A permanência no país, no entanto, abriu um caminho que o levou ao futebol irlandês, à seleção nacional e à criação da própria clínica.
Em entrevista ao Bolder Podcast, Glauber conta como revalidou a formação brasileira, construiu experiência local e entrou no restrito ambiente do futebol profissional. A trajetória também mostra que uma carreira internacional costuma avançar em etapas e exige disposição para começar longe da função desejada.


O começo fora da fisioterapia
Nos primeiros anos, Glauber trabalhou cuidando de idosos no sul de Dublin. Embora a atividade não fosse o plano profissional que havia desenhado no Brasil, ela ajudou na adaptação, no contato diário com irlandeses e no desenvolvimento do inglês. Ele permaneceu nesse trabalho por cerca de dois anos enquanto organizava os próximos passos.
O processo para exercer fisioterapia exigiu a validação do diploma brasileiro e comprovação do idioma. Depois disso, Glauber também concluiu um mestrado na Irlanda. A combinação entre formação, inglês e experiência local criou a base necessária para disputar oportunidades em um mercado no qual ainda não tinha contatos.
A entrada no futebol irlandês
Após o mestrado, ele enviou mensagens a clubes irlandeses oferecendo seu trabalho. Uma das equipes respondeu e lhe deu a oportunidade de atuar com prevenção e recuperação de lesões. Alguns meses depois, o trabalho chamou a atenção de profissionais ligados à estrutura da seleção da Irlanda.
Glauber passou por uma entrevista com a direção médica e entrou no painel de fisioterapeutas da federação por volta de 2017. O início foi nas categorias de base, trabalhando com diferentes seleções juvenis. Com o tempo, também cobriu atividades da equipe principal e se estabeleceu no trabalho com a seleção sub-21.
No episódio, ele explica que a seleção não depende de um único fisioterapeuta. Existe um grupo de profissionais convocados conforme a categoria, o calendário e as necessidades de cada período. O trabalho envolve acompanhar atletas que, muitas vezes, atuam em clubes ingleses e chegam à seleção somente durante as janelas internacionais.
Conhecimento de futebol também conta
Glauber comenta que a fisioterapia brasileira costuma ser associada a uma abordagem mais prática e próxima do paciente. Para ele, porém, nacionalidade não substitui competência. Entender o esporte, conhecer as exigências físicas do futebol e saber se comunicar com jogadores, treinadores e médicos são partes essenciais da função.
A rotina também é menos glamourosa do que pode parecer. Viagens, mudanças de horário, atletas chegando tarde e decisões rápidas fazem parte do trabalho. Durante as datas da seleção, ele precisa reorganizar a agenda da clínica para se dedicar integralmente à equipe.
Da pandemia à própria clínica
A pandemia interrompeu tanto o futebol quanto parte dos atendimentos. Esse período também acelerou a reflexão sobre empreender. Glauber decidiu estruturar a própria clínica, enfrentando questões que vão além do atendimento, como planejamento, licenças e organização financeira.
A história contada no Bolder Podcast reúne três movimentos comuns na experiência de muitos imigrantes: aceitar um começo diferente do planejado, regularizar a profissão e criar relações profissionais até que a oportunidade desejada apareça. No caso de Glauber, esse processo transformou um intercâmbio para aprender inglês em uma carreira ligada à seleção irlandesa e em um negócio próprio.
Assista ao episódio completo no vídeo acima.
