Imigrar com filhos para a Irlanda mudou completamente a vida de Fabiane e das duas filhas. A decisão veio depois de uma oferta de trabalho, foi executada em cerca de dois meses e produziu reações muito diferentes: para a mãe, era uma oportunidade profissional; para Duda, aos 14 anos, parecia o fim da vida que conhecia.
Uma proposta de trabalho e duas malas para cada uma
Fabiane é farmacêutica e trabalhava com desenvolvimento de fórmulas. Em 2017, recebeu uma proposta para implementar uma linha de produção na Irlanda. O contrato tinha duração inicial de três anos, ajuda com aluguel e escola e uma remuneração muito superior à que recebia no Brasil.
Viúva e responsável pelas filhas, ela precisou decidir rápido. A família chegou em 2018 com duas malas por pessoa, escolas encaminhadas e sem uma casa definitiva.
A adaptação das filhas
Duda tinha 14 anos e estava entrando no ensino médio. A mudança interrompeu amizades, rotina e planos. Sem inglês suficiente, teve dificuldade para acompanhar a escola e demorou meses para se sentir à vontade falando. Ela conta que, por cerca de dois anos, considerou Fabiane “a pior mãe do mundo”.
O relato é importante porque não transforma a imigração em uma sequência de conquistas. Mãe e filha mostram que uma decisão pode ser financeiramente correta e, ao mesmo tempo, emocionalmente dolorosa no começo.


Moradia na Irlanda foi o primeiro choque
Fabiane tentou procurar casa antes da mudança, mas não queria assumir um aluguel de cerca de €2.000 sem estar no país. Depois da chegada, elas passaram 23 dias em hotel até encontrar um imóvel. Mesmo com apoio da empresa, a escassez de oferta e o processo de seleção foram difíceis.
Anos depois, Fabiane conseguiu comprar um apartamento em Greystones. No episódio, ela compara o financiamento com o aluguel anterior e explica como o programa Help to Buy entrou na compra. Valores e regras citados refletem a época da gravação e precisam ser confirmados antes de qualquer planejamento.
Critical Skills e estabilidade da família
A proposta profissional estava ligada a uma permissão de Critical Skills. Isso deu à família uma base migratória mais estável do que a de quem chega apenas como estudante. Fabiane alerta que famílias precisam considerar visto, renda, escola, moradia e saúde emocional em conjunto.
Valeu a pena para as filhas?
Com o tempo, Duda aprendeu inglês, concluiu Jornalismo e seguiu para uma pós-graduação em Relações Internacionais. A liberdade para usar transporte público, estudar e construir amizades em diferentes culturas mudou sua avaliação. No momento da conversa, ela dizia ter criado a própria vida na Irlanda e não queria ir embora.
Planejamento além do dinheiro
Fabiane resume a mudança em três estruturas: econômica, física e psicológica. O orçamento precisa ser realista, mas os adultos também precisam sustentar a rotina e acolher a reação dos filhos. A experiência da família mostra por que imigrar com crianças ou adolescentes não pode ser tratado como uma decisão exclusivamente profissional.
Assista ao vídeo completo para acompanhar a conversa de Bolder com Fabiane e Duda e conhecer o apartamento, a escola, os conflitos e as conquistas que vieram depois da mudança.
