Tornar-se youtuber na Irlanda não começou com uma viagem perfeita. Fernanda Rebelo desembarcou em 12 de março de 2020, quando as escolas acabavam de fechar e a pandemia transformava todos os planos. Sem visto concluído, PPS ou perspectiva de emprego, ela precisou decidir entre gastar a reserva e voltar ou insistir no intercâmbio.
No Bolder Podcast, Fernanda conta a Bolder como saiu de uma fábrica de frutas, trabalhou em três lugares ao mesmo tempo para reconhecer a cidadania italiana e usou a formação audiovisual para produzir vídeos sobre intercâmbio e viagens.
Do audiovisual ao plano de estudar na Irlanda
Fernanda é de Barra Velha, em Santa Catarina, e nasceu em Joinville. Fez um curso de produção audiovisual por interesse criativo e depois concluiu administração, acreditando que a segunda graduação ampliaria as oportunidades profissionais.
Trabalhou como estagiária em fórum e em uma empresa de formaturas. Viajar era um desejo antigo, mas morar fora ainda parecia assustador. A decisão ganhou forma quando sua melhor amiga propôs um intercâmbio na Irlanda.
Fernanda havia guardado dinheiro durante anos para uma Eurotrip. Pesquisou salário, permissão de estudante e custo de vida e concluiu que o intercâmbio poderia unir inglês e acesso a viagens pela Europa. O plano inicial era ficar oito meses.
Chegar à Irlanda no início da pandemia
Durante a conexão na França, Fernanda soube que as escolas irlandesas fechariam. Ao chegar, encontrou a acomodação estudantil quase vazia porque muitas pessoas estavam retornando aos seus países.
O fechamento também cancelou o atendimento de imigração. Ela ficou um longo período sem concluir o registro e sem PPS. Apesar de ter estudado inglês no Brasil, não havia emprego normal disponível.
Fernanda pensou em voltar porque temia consumir toda a reserva sem cumprir o objetivo. A família não pressionou. Sabia que o retorno naquele momento significaria perder grande parte do investimento e encerrar a experiência antes de começar.
O primeiro emprego em uma fábrica de frutas
O primeiro trabalho surgiu depois de pouco mais de três meses, em uma fábrica. Fernanda passava até 12 horas em pé, repetindo o movimento de colocar frutas na esteira, com pausas curtas.
O desgaste não era apenas físico. Ela relata gritos, pressão e episódios de humilhação. No primeiro dia, a proprietária interrompeu um turno inteiro e mandou o grupo para casa por considerar o desempenho inadequado.
Fernanda permaneceu cerca de dois meses. A principal rede de apoio eram outros brasileiros que viviam a mesma fase e se ajudavam fora do trabalho.


A viagem que mudou sua decisão
Com amigas da fábrica, Fernanda fez uma viagem de cinco dias pela Costa Amalfitana, incluindo Positano e Capri. Segundo ela, o custo foi aproximadamente o equivalente a uma semana de trabalho.
A experiência mudou a perspectiva. Se conseguia viajar como estudante e trabalhadora temporária, uma situação migratória mais estável poderia aproximá-la do projeto que sempre quis viver.
Depois, Fernanda foi à Itália para reconhecer a cidadania. Para pagar assessoria, estadia e retorno à Irlanda, chegou a conciliar três trabalhos: um pela manhã, outro no fim da tarde e um terceiro de madrugada.
Como o canal de Fernanda começou
O canal já existia havia quase dez anos. Depois da graduação em produção audiovisual, Fernanda queria praticar gravação e edição. No Brasil, falava sobre assuntos variados porque ainda não tinha condições de manter um canal de viagens.
Antes do intercâmbio, preparou uma programação de vídeos sobre a Irlanda. A pandemia impediu novos estudantes de viajar imediatamente, mas os conteúdos continuaram sendo encontrados. Quando as fronteiras reabriram, pessoas passaram a reconhecê-la e dizer que os vídeos haviam ajudado no planejamento.
Fernanda também percebeu a diferença entre falar naturalmente e interpretar uma versão de si para a câmera. Ao rever vídeos antigos, diz que quase não se reconhece. A prática trouxe uma presença mais espontânea.
Como conciliar trabalho, YouTube e viagens
Fernanda não vivia apenas do canal. Organizava os turnos para aproveitar folgas durante a semana, quando passagens e atrações podiam ser mais baratas. Em alguns casos, emendava banco de horas e ia direto do aeroporto ao trabalho.
Ela prefere viagens de três ou quatro dias a roteiros que tentam encaixar muitas capitais em pouco tempo. Morar na Europa permite visitar cada lugar aos poucos, sem transformar toda viagem em uma corrida.
Planejamento é parte central do conteúdo. Fernanda assiste a vídeos, reúne dicas, monta roteiro e avalia gastronomia, natureza e troca cultural. Para viagens caras, como as Maldivas, guarda dinheiro e reduz outros destinos no mesmo ano.
É possível viver de YouTube viajando?
Fernanda considera interessante viajar por longos períodos, mas reconhece que seria necessária uma fonte de renda sólida e independente de localização. Ela gosta de ter uma base e sente falta de casa depois de muitos dias fora.
A Irlanda passou a ocupar esse lugar. Mesmo sem afirmar que ficará para sempre, ela diz sentir alívio quando o avião pousa em Dublin. O país reúne oportunidades de trabalho, acesso a voos e uma rotina conhecida.
Perguntas frequentes sobre ser youtuber na Irlanda
É preciso estudar audiovisual para criar um canal?
Não. A formação ajudou Fernanda na edição e na linguagem, mas ela destaca a prática. Os primeiros vídeos eram menos naturais; falar para a câmera melhorou com repetição.
O YouTube paga todas as viagens?
No episódio, Fernanda descreve trabalho convencional, economia e organização de turnos. O canal apoia o projeto, mas não aparece como uma solução automática para financiar qualquer destino.
A Irlanda é um bom ponto de partida para viajar?
Para ela, sim. O poder de compra e a oferta de voos ajudam, embora horários, bagagem e hospedagem ainda precisem de planejamento. A experiência de estudante também é puxada porque combina aula e trabalho.
De um canal de prática a um projeto de vida
Fernanda chegou no pior momento possível para executar o plano original. Escolas fecharam, a imigração parou e o primeiro emprego foi difícil. Mesmo assim, a experiência forneceu o material que fez o canal encontrar um público mais claro.
Ser youtuber na Irlanda, no caso dela, nasceu da combinação entre formação audiovisual, trabalho e curiosidade por outros países. O vídeo completo mostra como o intercâmbio de oito meses virou uma vida de quase quatro anos — sem apagar o custo real de chegar até ali.
