Jornalista brasileiro na Irlanda: Rubinho Vitti e o E-Dublin

Rubinho Vitti construiu uma carreira como jornalista brasileiro na Irlanda sem abandonar a experiência acumulada no Brasil. No episódio 152 do Bolder Podcast, ele conta como saiu de um jornal impresso no interior de São Paulo e passou a produzir notícias, guias e vídeos para o E-Dublin.

A trajetória mostra a transformação da profissão: da reportagem com bloco de notas à escrita otimizada para buscas, da rotina de redação à velocidade das redes sociais e da apuração local à responsabilidade de explicar regras irlandesas para brasileiros.

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O plano de morar na Irlanda começou em 2011

Rubinho é de Piracicaba e decidiu, junto com três amigos, que moraria fora do Brasil. O grupo se desfez antes da viagem: duas pessoas desistiram, e apenas um amigo seguiu para a Irlanda.

Rubinho também adiou o plano, mas por um motivo importante. Ele foi contratado por um jornal impresso, exatamente o tipo de trabalho que desejava desde a faculdade. A oportunidade acabou adiando a mudança por seis anos.

Ele possuía cidadania italiana e poderia ter emigrado antes, mas preferiu aproveitar a experiência profissional. Quando percebeu que o mercado de jornais impressos enfrentava uma redução cada vez maior, retomou o projeto de 2011.

Seis anos de jornal impresso em Piracicaba

Rubinho começou no jornalismo cultural, entrevistou artistas e acompanhou eventos, mas a rotina de um jornal regional o levou por diversas editorias. Ele cobriu acidentes, política, gastronomia, turismo e até uma visita do papa ao Rio de Janeiro.

Também participou de reportagens especiais: percorreu o centro da cidade em uma cadeira de rodas para compreender os problemas de acessibilidade, saltou de paraquedas apesar do medo de altura e trabalhou como Papai Noel de shopping por um dia.

Com o tempo, tornou-se editor. Além de escrever, passou a organizar pautas, revisar textos e decidir quais assuntos mereciam mais destaque. Essa experiência seria útil mais tarde na organização do conteúdo do E-Dublin.

A mudança para Dublin em 2017

Em outubro de 2017, Rubinho pediu demissão, vendeu o carro, organizou uma venda de garagem e reuniu uma reserva para a mudança. A cidadania europeia facilitou a entrada e o trabalho, mas não resolveu o principal desafio: o inglês.

Durante os primeiros seis meses, ele viveu das economias e frequentou aulas. Depois, começou a trabalhar no setor de catering da Microsoft, preparando espaços e servindo reuniões. A rotina prática ajudou a desenvolver a compreensão e a fala de uma maneira diferente da escola.

No começo, Rubinho via Dublin com grande entusiasmo e escreveu artigos descrevendo a limpeza e a segurança da cidade. O contato diário com as notícias irlandesas trouxe uma visão mais equilibrada sobre os problemas e qualidades do país.

Como Rubinho começou no E-Dublin

Rubinho não esperou conseguir um emprego formal em jornalismo. Pouco depois de chegar, enviou dois textos para a então editora de conteúdo do E-Dublin: um sobre a relação da Irlanda com Star Wars e outro sobre o festival dedicado a David Bowie.

Os artigos foram aprovados, e ele começou como redator freelancer, produzindo aproximadamente dez textos por mês. Como estava vivendo o intercâmbio naquele momento, escrevia guias baseados nas dúvidas práticas de quem precisava obter documentos, organizar a chegada ou entender a vida na Irlanda.

Essa colaboração evitou um intervalo longo no currículo: Rubinho saiu do jornal em setembro e retomou o trabalho jornalístico em dezembro ou janeiro, mesmo mantendo o emprego de catering.

Do jornal impresso ao jornalismo digital

A transição exigiu uma nova forma de escrever. No impresso, o texto era fechado e o retorno dos leitores era raro. Na internet, comentários e correções chegam imediatamente, e o conteúdo precisa ser encontrado por mecanismos de busca.

Rubinho precisou aprender SEO. A repetição controlada de uma palavra-chave parecia contrariar regras aprendidas na redação, mas ele percebeu que era possível otimizar o artigo sem deixá-lo artificial ou cansativo.

Ele também passou a trabalhar com métricas, atualizações e correções. No papel, um erro permanece na edição publicada. No digital, a equipe pode corrigir rapidamente, mas precisa acompanhar a informação e ser transparente sobre mudanças.

Por que o E-Dublin começou a publicar notícias diárias

Depois de um período como freelancer, Rubinho propôs ampliar a cobertura de notícias. O portal já ajudava quem planejava fazer intercâmbio, mas muitos leitores deixavam de acompanhá-lo depois de se estabelecer na Irlanda.

As notícias diárias permitiram continuar relevante para quem já morava no país. O trabalho envolve filtrar o noticiário irlandês e selecionar aquilo que afeta a comunidade brasileira: imigração, mudanças administrativas, trabalho, transporte, eventos e decisões do governo.

Não basta traduzir tudo o que aparece nos jornais. Rubinho explica que uma ocorrência local sem relação com o público pode não ser pertinente, enquanto uma mudança de documentação precisa ser tratada com atenção, pois um erro pode interferir no planejamento de centenas de pessoas.

O desafio de informar brasileiros durante a pandemia

A pandemia transformou a rotina em um acompanhamento quase contínuo. Regras de entrada, níveis de restrição, viagens e funcionamento de escolas mudavam rapidamente. Rubinho preparava estruturas de matérias antes dos anúncios e completava o texto depois da divulgação oficial.

Em vários casos, os jornais irlandeses não respondiam às dúvidas específicas de brasileiros. A equipe buscava confirmação com órgãos do governo, com a embaixada da Irlanda no Brasil e com o consulado responsável pelos pedidos.

O episódio também mostra a importância de recuar quando o contexto não está suficientemente claro. Rubinho relata ter retirado uma matéria para apurar melhor uma regra que, embora verdadeira, podia levar o público a uma interpretação equivocada. No ambiente digital, velocidade importa, mas não substitui contexto e responsabilidade.

De jornalista de bastidores a apresentador nas redes sociais

Rubinho passou a maior parte da carreira atrás do computador. Quando as notícias do E-Dublin começaram a ganhar vídeos no Instagram, ele precisou aparecer diante da câmera.

A timidez e a exposição a comentários tornaram essa uma das maiores dificuldades. Ainda assim, a presença de uma pessoa explicando a notícia aproximou o público. Rubinho passou a ser reconhecido nas ruas e procurado por leitores com dúvidas sobre a Irlanda.

Com o tempo, ele também aprendeu edição de vídeo e formatos curtos. A mudança não eliminou o trabalho escrito: os vídeos funcionam como outra forma de distribuição do conteúdo produzido nos bastidores.

Pós-graduação em marketing digital pelo Springboard

Na época da entrevista, Rubinho havia iniciado uma pós-graduação online em marketing digital pelo Springboard. O programa subsidiava cursos ligados a áreas consideradas relevantes para o mercado irlandês.

Ele pagou uma pequena parte do valor porque estava empregado e passou a aplicar no E-Dublin conceitos que estudava no curso. Os critérios do programa, a elegibilidade e o percentual de subsídio podem mudar, por isso devem ser confirmados diretamente antes de uma candidatura.

Como trabalhar com jornalismo na Irlanda?

A história de Rubinho sugere alguns caminhos práticos para jornalistas que querem atuar fora:

  • produzir textos ligados ao país mesmo antes de existir uma vaga formal;
  • mostrar conhecimento do público que pretende atender;
  • aprender SEO, redes sociais, métricas e edição de vídeo;
  • manter rigor com fontes oficiais, especialmente em imigração e saúde;
  • desenvolver o inglês na escola e em situações reais de trabalho;
  • adaptar a experiência do Brasil ao formato digital, em vez de descartá-la.

Rubinho não abandonou o jornalismo para conseguir morar na Irlanda. Ele aceitou um trabalho inicial fora da área, mas criou uma colaboração desde os primeiros meses e transformou seis anos de redação impressa em base para uma carreira digital.

Assista ao episódio completo para conhecer a trajetória de Rubinho Vitti e os bastidores do trabalho no E-Dublin.