Mah Marra chegou à Irlanda em 2011 para estudar inglês, mas a viagem que deveria ser temporária acabou mudando sua carreira e sua vida. Nesta conversa com Bolder, ela explica como passou de professora e tradutora no Brasil a sócia do E-Dublin, construiu uma trajetória dentro do Airbnb e retomou projetos ligados à música.
O episódio também mostra o trabalho que existe por trás de um canal conhecido. Mah fala sobre produção de conteúdo, viagens patrocinadas, eventos, a separação de Edu Giansante e a necessidade de se reinventar quando os planos deixam de funcionar.
Quem é Mah Marra e como nasceu o interesse por idiomas
Antes de morar na Irlanda, Mah dava aulas de inglês para públicos muito diferentes. Durante o dia, trabalhava com crianças pequenas; à noite, ensinava conversação para adultos e advogados. Também atuava com tradução e interpretação.
O interesse por idiomas começou cedo e ganhou força por meio da música. Ela recorda que uma das canções que despertaram essa curiosidade foi “Sympathy for the Devil”, dos Rolling Stones. Aprender letras e procurar significados virou uma maneira prática de ampliar o vocabulário.
Na universidade, Mah cursou Letras. Ela chegou a ser aprovada em Psicologia e pensava em teatro, mas escolheu um caminho ligado à linguagem e ao ensino — área que já fazia parte de sua rotina.
Por que Mah escolheu fazer intercâmbio na Irlanda
Mah queria viver fora do Brasil e considerou destinos como Londres e Nova York. A Irlanda se tornou a opção viável porque, naquele momento, combinava estudo, possibilidade de trabalho e um custo mais acessível.
Ela desembarcou em maio de 2011. Já conhecia o trabalho de Edu Giansante e Dan pelas publicações do E-Dublin, que era uma das principais referências em português para quem pesquisava intercâmbio na Irlanda.
Um curso abaixo do nível que ela já tinha
Como Mah já falava inglês em nível avançado, a escola teve dificuldade para encaixá-la em uma turma convencional. A solução foi abrir um curso voltado a professores para ela e outra brasileira. O episódio reforça um ponto da conversa: o intercâmbio não serviu apenas para aprender gramática, mas para transformar conhecimento linguístico em experiência internacional.
Como Mah Marra entrou no E-Dublin
A aproximação com o E-Dublin começou de maneira prática. Quando passou a dividir apartamento com Edu, Mah ajudava a responder e-mails e mensagens no Facebook. Depois, começou a prospectar clientes, organizar demandas e participar cada vez mais das decisões.
Ela não entrou como sócia por causa de um cargo criado previamente. A sociedade surgiu depois de um período longo de trabalho, envolvimento e confiança no potencial do projeto. Essa construção gradual ajuda a explicar por que o E-Dublin deixou de ser apenas um blog pessoal e passou a funcionar como negócio e plataforma de conteúdo.
Do texto aos vídeos sobre a vida na Irlanda
O projeto começou concentrado em artigos. A entrada no vídeo contou com a participação de Dani e Eline, profissionais com experiência em reportagem e câmera. Um dos primeiros conteúdos a ganhar repercussão mostrava uma ida ao supermercado Tesco — tema simples, mas muito útil para quem ainda estava no Brasil tentando entender o custo e a rotina do intercâmbio.
Com o tempo, o canal passou a produzir guias, entrevistas e viagens. Mah explica que as ideias eram discutidas em equipe e adaptadas para blog, YouTube e redes sociais. O público via o vídeo pronto, mas nos bastidores havia negociação, roteiro, gravação, edição, atendimento comercial e uma rotina de trabalho intensa.
Do atendimento ao gerenciamento de projetos no Airbnb
Antes do Airbnb, Mah trabalhou na área de retenção da Sky. A função exigia convencer clientes a não cancelar serviços, algo que a incomodava quando ela própria não acreditava na solução oferecida.
Em 2014, uma indicação abriu a porta para o atendimento em português no Airbnb. A identificação com a proposta “Belong Anywhere” pesou na decisão de entrar. Ao longo de cerca de seis anos, ela passou por novas funções e chegou à coordenação de projetos.
Na mudança de área, a experiência do E-Dublin foi decisiva. Mesmo sem um cargo formal anterior de gerente de projetos, Mah conseguia mostrar projetos reais: organização de pautas, trabalho com parceiros, produção de eventos e coordenação de entregas. A carreira também proporcionou viagens a São Francisco, França e ao Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos.
Visto, cidadania portuguesa e um susto na imigração
Quando chegou, Mah entrou como estudante e logo percebeu que queria permanecer no país. Como o ensino de inglês não oferecia um caminho simples para um visto de trabalho, ela avançou no processo de cidadania portuguesa.
Em uma viagem, quase teve a entrada negada porque sua permissão havia vencido um dia antes. Ela levava documentos da cidadania apenas em português e precisou explicar sua situação aos agentes. O registro de que voltaria ao trabalho na Sky no dia seguinte ajudou, mas ainda foi necessário conseguir uma confirmação em inglês da embaixada portuguesa.
Esse relato descreve as regras e a experiência vivida na época da gravação. Processos migratórios mudam e devem ser conferidos em fontes oficiais antes de qualquer decisão.
O fim do relacionamento sem apagar a história construída
A relação de Mah e Edu era pública, por isso o término também despertou perguntas do público. Eles decidiram falar sobre o assunto meses depois, quando já conseguiam explicar a situação com mais tranquilidade.
Mah destaca que o fim do namoro não eliminou a amizade nem o trabalho construído em conjunto. Eles continuaram como parceiros no E-Dublin. Para ela, relações podem mudar de formato sem transformar todo o passado em fracasso.
Quando a pandemia cancelou um evento para mil pessoas
Um dos momentos mais difíceis aconteceu no Brasil, quando a equipe preparava o E-Dublin XP para cerca de mil participantes. Na véspera, São Paulo suspendeu grandes eventos por causa da pandemia.
Em vez de abandonar todo o trabalho, a equipe reorganizou as palestras em formato online e direcionou parte do esforço para instituições que apoiavam famílias. Mah resume a experiência com uma ideia recorrente na entrevista: não é possível controlar todos os acontecimentos, mas é possível escolher como responder a eles.
Música, rua e a coragem de retomar projetos pessoais
A música sempre acompanhou Mah. Ela cantou em bandas no Brasil e apareceu cantando em conteúdos do E-Dublin, mas por muito tempo o projeto ficou em segundo plano. Na Irlanda, retomou essa parte da vida e chegou a cantar nas ruas de Dublin com o músico Johnny, depois de obter a licença necessária.
A experiência de tocar em locais como Grafton Street e Henry Street representou mais do que uma apresentação. Foi uma forma de voltar a fazer algo que tinha sido deixado de lado enquanto outras responsabilidades cresciam.
O que a trajetória de Mah Marra ensina
A entrevista não apresenta a imigração como uma sequência automática de conquistas. Mah mudou de área, conciliou emprego e projeto próprio, enfrentou incerteza migratória, encerrou um relacionamento público e viu um grande evento ser cancelado na última hora.
O fio que conecta essas etapas é a disposição de adaptar o caminho sem abandonar aquilo que fazia sentido. Para quem pensa em morar fora ou transformar um projeto de conteúdo em negócio, o episódio mostra a importância de construir experiência real, documentar resultados e não esperar que uma oportunidade venha pronta.
Assista à entrevista completa para conhecer os bastidores do E-Dublin, a passagem de Mah pelo Airbnb e a relação dela com a música e com a Irlanda.
Continue acompanhando o Bolder
Histórias reais de brasileiros pelo mundo: imigração, intercâmbio, carreira e vida fora do Brasil.
💥 Recursos para você
Alguns links são de parceiros e podem apoiar o Bolder sem custo adicional para você.
🤝 Parceiros
Conheça as empresas que apoiam o Bolder Podcast.
📱 Mais Bolder
#irlanda #intercambio #imigracao
