Tecnologia da informação não é uma única profissão. Desenvolvimento de software, experiência do usuário, testes, inteligência de negócios e recrutamento são algumas das áreas que convivem dentro do setor. Mesmo com essa diversidade, mulheres ainda são minoria em várias especialidades, especialmente na programação.
No Bolder Podcast, Carmin, Letícia e Juliana conversam sobre formação, preconceito, mudança de carreira e busca por emprego no exterior. As experiências são diferentes, mas apontam para desafios recorrentes: poucas referências femininas, exigências migratórias, entrevistas técnicas e a dificuldade de conquistar a primeira oportunidade no mercado irlandês.


A presença feminina muda conforme a área
As convidadas destacam que a proporção de mulheres varia dentro da própria tecnologia. Desenvolvimento de software costuma ter uma presença feminina menor, enquanto áreas como UX, testes e inteligência de negócios podem apresentar equipes mais equilibradas. Ainda assim, os cursos de formação mostram como a desigualdade começa cedo.
Letícia relembra uma turma com cerca de 60 estudantes e somente quatro mulheres. Juliana conta que apenas duas mulheres concluíram seu curso. A falta de modelos, a ideia de que tecnologia seria uma área masculina e o medo de matemática afastam possíveis candidatas, embora muitas funções dependam mais de raciocínio lógico, prática e resolução de problemas do que de matemática avançada.
Preconceito e mudança de trajetória
Letícia ouviu de um supervisor que mulher não seria adequada para programação. Mais tarde, tornou-se desenvolvedora. Juliana entrou no setor depois de trabalhar com telemarketing e atendimento, estudou análise e desenvolvimento de sistemas, começou em suporte e avançou para inteligência de negócios e data warehouse.
Esses percursos mostram que a porta de entrada nem sempre é a função ideal. Cursos ajudam a construir fundamentos, mas o aprendizado diário, os projetos práticos e a capacidade de resolver problemas têm peso importante. O primeiro emprego pode funcionar como ponte para uma especialização mais próxima do objetivo profissional.
Procurando trabalho na Irlanda
Uma das estratégias mencionadas foi mudar a localização do LinkedIn para a Irlanda antes da mudança. Isso aumentou a visibilidade para recrutadores e gerou entrevistas. O obstáculo mais frequente, porém, era a autorização de trabalho. Algumas empresas precisavam contratar rapidamente e não estavam preparadas para lidar com processos migratórios.
As participantes recomendam que o candidato saiba explicar sua situação de forma objetiva, mas sem deixar que o assunto domine a apresentação inicial. Primeiro é necessário mostrar competência e correspondência com a vaga. Quando a empresa reconhece o valor profissional, pode estar mais disposta a compreender os procedimentos necessários.
Entrevistas técnicas e exemplos concretos
Processos de tecnologia frequentemente têm duas ou três etapas. A primeira avalia currículo e adequação geral. Depois podem aparecer testes, exercícios de código ou entrevistas técnicas, seguidos de uma conversa com a equipe ou a liderança.
Para perguntas comportamentais, preparar exemplos no formato situação, tarefa, ação e resultado ajuda a organizar a resposta. Já na parte técnica, não basta acumular nomes de ferramentas no currículo. As convidadas defendem que desenvolver domínio real em uma especialidade costuma ser mais valioso do que afirmar conhecimento superficial em muitas tecnologias.
A primeira vaga costuma ser a mais difícil
Reprovação não significa necessariamente falta de capacidade. Pode existir um candidato interno, outra pessoa com experiência mais próxima ou simplesmente uma diferença de momento. Manter vários processos ativos reduz a pressão colocada sobre uma única entrevista e transforma cada conversa em preparação para a próxima.
Segundo as convidadas, conquistar o primeiro trabalho na Irlanda tende a ser a fase mais difícil. Depois que o profissional reúne experiência local, referências e compreensão do mercado, novas movimentações se tornam mais acessíveis. A conversa também reforça a importância de mulheres ocuparem espaços de tecnologia e se tornarem referências para quem ainda considera entrar na área.
As experiências migratórias relatadas correspondem ao período em que o episódio foi gravado. Regras de vistos e permissões podem mudar e devem ser confirmadas em fontes oficiais.
Assista ao episódio completo no vídeo acima.
