A trajetória de Roger Santos mostra como funciona o trabalho em pubs na Irlanda para quem começa sem experiência local. No Bolder Podcast, ele conta como saiu de uma multinacional em São Paulo, enfrentou dificuldades com o inglês e passou por funções como kitchen porter, barback e bartender até chegar à gestão de bares.
Roger também está por trás da Resenha dos Amigos, projeto que transformou churrascos e rodas de pagode em eventos voltados à cultura brasileira. A conversa conecta carreira, recrutamento, integração e música sem apresentar a imigração como um caminho linear.
De Diadema para a Irlanda
Roger é de Diadema, na Grande São Paulo. Antes de emigrar, trabalhava na área de supply chain da Novartis. Era uma empresa grande, com bom salário e perto de casa, mas a possibilidade de morar na Irlanda o acompanhava desde criança.
A primeira referência surgiu quando um colega de escola contou que receberia um PlayStation enviado pelo tio que vivia no país. Anos depois, esse mesmo tio voltou ao Brasil falando inglês e com uma nova profissão. A lembrança ajudou Roger a imaginar que também poderia construir uma experiência no exterior.
Quando seu setor passou por mudanças e demissões, Roger pediu uma cotação a um amigo que trabalhava com intercâmbio. Em aproximadamente uma semana, fechou o programa. A viagem aconteceu cerca de três meses depois, após uma longa sequência de despedidas com amigos e familiares.
O inglês estudado no Brasil foi suficiente?
Roger havia estudado inglês durante aproximadamente dois anos e acreditava estar preparado. Ao chegar, encontrou sotaques, velocidade de fala e situações práticas muito diferentes dos áudios claros usados nas aulas. A dificuldade apareceu até ao pedir informações simples ou resolver documentos.
Em um atendimento para obter o PPS, não conseguiu entender qual comprovante faltava e ouviu que deveria voltar quando soubesse inglês. O episódio quase o fez desistir. Em vez disso, levou o documento para a escola, pediu ajuda à professora e passou a estudar as situações de comunicação de que realmente precisava.
Uma entrevista para catering também revelou o tamanho da lacuna. Roger respondeu às primeiras perguntas, mas logo deixou de compreender a recrutadora. Depois disso, buscou mais convivência com irlandeses e usou o trabalho como ambiente de prática.
Como começar a trabalhar em pubs na Irlanda
O primeiro emprego foi como kitchen porter em um café no centro de Dublin. A função envolvia lavar grande quantidade de louças, panelas e utensílios. Com poucas horas semanais e aluguel para pagar, Roger percebeu que precisava ampliar a renda e procurar outra oportunidade.
Depois de diferentes experiências em cozinha e catering, conseguiu uma vaga como barback. Essa pessoa dá suporte ao bar: repõe bebidas e gelo, organiza materiais, recolhe itens e permite que os bartenders se concentrem nos clientes. É uma função de entrada que oferece contato direto com a operação.
Observando os colegas e assumindo novas tarefas, Roger aprendeu o trabalho de bartender. Mais tarde, candidatou-se a vagas na função e continuou avançando. Na época da entrevista, já era gerente da área de bar de um restaurante, ajudava também no salão e participava da preparação de uma segunda unidade.
Precisa ter experiência para trabalhar em bar?
A história de Roger indica que é possível começar em uma função de apoio e aprender dentro do estabelecimento. Isso não elimina a importância do inglês, da pontualidade e da disposição física. Trabalhos de hospitality exigem comunicação rápida, colaboração e atenção durante horários de grande movimento.
As regras de contratação, salários e documentos podem mudar. Por isso, quem procura emprego atualmente deve conferir as exigências migratórias e trabalhistas vigentes, sem usar valores ou processos antigos do episódio como orientação atual.
Roger também passou a ajudar no recrutamento
Ao conhecer melhor o setor, Roger começou a conectar pessoas a vagas. Ele administrava um grupo com centenas de participantes voltado a oportunidades de trabalho e recebia pedidos de gerentes que precisavam contratar profissionais para cozinha, bar e atendimento.
Essa rede nasceu da própria experiência de depender de indicações no começo. Em hospitality, uma recomendação pode levar o currículo à pessoa certa, mas o candidato ainda precisa demonstrar disponibilidade, comunicação e capacidade para executar a função.
Como nasceu a Resenha dos Amigos
No Brasil, Roger já gostava de reunir amigos para churrasco, futebol e pagode. Embora conhecesse muitas músicas, ainda não tocava instrumentos. Em Dublin, continuou organizando encontros e conheceu Bruno, cantor e profissional experiente da noite local.
A amizade começou depois que Roger o convidou para jogar futebol. Os dois passaram a frequentar festas e organizar churrascos juntos. Em um desses encontros, músicos fizeram uma roda de pagode dentro de uma casa; à medida que o público cresceu, o projeto ganhou o nome Resenha dos Amigos.
Durante a quarentena, Roger decidiu aprender pandeiro. Comprou instrumentos, pediu orientação a amigos músicos no Brasil, assistiu a vídeos e treinou ouvindo as músicas. Na Resenha, passou a tocar pandeiro e fazer apoio de voz, enquanto também participava da produção.
Mais do que uma roda de pagode
O nome “resenha” representa a proposta de socialização. Não é apenas chegar, assistir ao show e ir embora: Roger e a equipe procuram estimular conversas, brincadeiras e novos contatos. Segundo ele, amizades e até relacionamentos começaram nos eventos.
O projeto também passou a produzir noites com sertanejo, funk, MPB e outros estilos, convidando bandas e artistas quando Roger e Bruno não estavam no palco. Assim, a marca tornou-se uma plataforma de eventos, não somente o nome de um grupo musical.
Levar cultura brasileira para o público irlandês
Embora a maioria do público seja brasileira, a Resenha também atrai irlandeses e pessoas de outras nacionalidades. Roger recorda um evento em Galway no qual havia poucos brasileiros e muitos estrangeiros tentando acompanhar o samba.
Para ele, apresentar música, comida e convivência é uma forma de combater a visão limitada de que o Brasil se resume aos problemas de segurança. O país tem dificuldades reais, mas também possui uma cultura musical ampla que desperta curiosidade na Europa.
O que aprender com a trajetória de Roger Santos
- O inglês da sala de aula precisa ser testado em situações práticas.
- Funções de apoio podem ser a porta de entrada para crescer em pubs e restaurantes.
- Observar colegas e assumir responsabilidades ajuda na progressão profissional.
- Redes de contato facilitam indicações, mas não substituem preparo e comprometimento.
- Projetos culturais podem criar comunidade e também apresentar o Brasil a outros públicos.
Assista ao episódio completo para conhecer os perrengues do começo de Roger, a passagem de barback a gerente e os bastidores da criação da Resenha dos Amigos na Irlanda.
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