Como é a vida de um padre brasileiro na Irlanda? No Bolder Podcast, Frei Severino Pinheiro conta a Bolder como uma vocação percebida ainda na infância o levou do interior do Rio Grande do Norte à missão de acompanhar brasileiros em Dublin.
Uma vocação que começou na infância
Frei Severino nasceu em Caiçara do Norte, no litoral potiguar. Na alfabetização, enquanto muitos colegas diziam querer ser jogadores de futebol, ele escreveu que queria ser padre. A ideia ficou mais discreta durante a adolescência, mas o desejo de servir à Igreja voltou com força pouco depois.
A família acolheu a decisão sem pressioná-lo. A espiritualidade franciscana ganhou espaço por meio das histórias de São Francisco e, mais tarde, da formação religiosa. Além dos estudos no Brasil, Severino viveu três anos na Itália, estudou teologia bíblica e passou períodos em Jerusalém, na Inglaterra e nos Estados Unidos.
Como Frei Severino chegou à Irlanda
A primeira passagem pela Irlanda aconteceu em 2012, durante as férias, para estudar inglês. Naquela viagem ele conheceu a comunidade católica brasileira de Dublin, participou de uma missa discretamente e voltou ao Brasil.
Cinco anos depois, seus superiores falaram sobre a necessidade de um frade para cuidar da comunidade brasileira na capital irlandesa. Severino se ofereceu. Ele chegou definitivamente no fim de 2018, depois de oito anos de trabalho pastoral em Catolé do Rocha, na Paraíba.

A comunidade católica brasileira em Dublin
No episódio, Frei Severino explica que a comunidade já existia havia cerca de 11 anos, mas a capelania com um sacerdote residente era mais recente. Antes disso, padres que falavam português se revezavam nas celebrações. A decisão de ter um capelão brasileiro veio depois de a Arquidiocese perceber uma comunidade ativa e numerosa.
O papel do sacerdote vai além de celebrar missa em português. Para quem imigrou, a igreja também pode ser um ponto de apoio diante da distância da família, da barreira do idioma e da sensação de isolamento. Frei Severino resume a missão como a criação de um espaço em que o brasileiro possa se sentir em casa.
Por que celebrar em português faz diferença?
Aprender inglês é parte da adaptação, mas expressar sentimentos profundos em outro idioma continua sendo difícil. A possibilidade de rezar, conversar e pedir orientação em português ajuda quem ainda está construindo sua rede de apoio na Irlanda.
O impacto da pandemia sobre a missão
O período mais duro relatado na conversa foi a pandemia. Frei Severino havia vindo para visitar, ouvir e reunir pessoas, mas passou meses sem poder exercer justamente essas atividades. Para ele, dizer aos fiéis que não poderiam entrar na igreja contrariava a própria natureza do trabalho pastoral.
A comunidade buscou manter contato à distância, mas Severino destaca que chamadas e transmissões não substituem completamente o encontro presencial. O isolamento, somado ao inverno e à experiência de viver fora do próprio país, tornou aquele período especialmente difícil.
Uma história de fé e imigração
A trajetória de Frei Severino mostra que a experiência do imigrante não se limita a emprego, documentos e moradia. Pertencimento, idioma e comunidade também pesam na adaptação. Assista ao episódio completo para conhecer a formação do frade, sua chegada a Dublin e o trabalho realizado junto aos brasileiros.
