Quanto custa o aluguel na Irlanda? Valores reais de brasileiros

Quanto custa o aluguel na Irlanda? Para sair das estimativas genéricas, Bolder foi às ruas de Dublin perguntar diretamente a brasileiros e outros imigrantes quanto pagam, onde moram e que tipo de acomodação conseguem por esse valor. As respostas mostram quartos compartilhados a partir de €400, quartos individuais entre €550 e €800 e apartamentos que podem chegar a €1.750 ou mais.

Os números não contam toda a história. Algumas pessoas dividem a casa com seis, nove ou até mais moradores; outras aceitaram viver longe do centro para pagar menos. Há ainda quem comprometa metade da renda com moradia, tenha medo de receber uma notificação do proprietário ou já tenha perdido dinheiro com depósito e reparos.

Publicidade

Quanto custa o aluguel na Irlanda em 2026?

Os valores abaixo foram relatados pelos entrevistados em outubro de 2026. Eles são exemplos reais, mas não representam uma tabela oficial de preços. Localização, tamanho, estado do imóvel, quantidade de moradores e inclusão de contas mudam completamente a comparação.

  • €400: quarto dividido em Drogheda, com contas incluídas.
  • €400: quarto individual em Cork, num contrato antigo cujo proprietário não aumentou o aluguel durante nove anos.
  • €550: vaga num quarto triplo encontrada por um recém-chegado logo no primeiro dia.
  • €550: quarto individual em Drogheda.
  • €650: quarto individual pequeno em Dublin 9, numa casa com nove moradores.
  • €800: quarto individual num bairro distante do centro de Dublin.
  • €1.200: estúdio em Dublin 6, considerado uma oportunidade incomum pelo próprio morador.
  • €1.750: apartamento pequeno de um quarto numa região central.

Um dos relatos mais fora da curva veio de Cork. O entrevistado paga €400 por um quarto individual no centro e mantém o mesmo valor desde que chegou, há nove anos. Ele reconhece que não encontraria hoje uma condição parecida. O caso mostra a diferença entre um contrato antigo e o preço enfrentado por quem procura uma nova acomodação agora.

Os dados oficiais ajudam a dimensionar essa distância. No primeiro trimestre de 2026, o índice do Residential Tenancies Board registrou aluguel médio padronizado de €1.839 para novas locações no país, contra €1.513 para contratos existentes. A estatística considera imóveis completos registrados, não vagas em quartos, mas confirma que entrar agora no mercado costuma custar mais.

Dividir quarto ainda é a saída para pagar menos

A maior parte dos entrevistados começou a vida na Irlanda compartilhando casa. Em alguns casos, compartilhar significa ter um quarto próprio e dividir cozinha e banheiro. Em outros, duas ou três pessoas dormem no mesmo quarto.

Uma recém-chegada encontrou por €550 uma vaga num quarto triplo. Ela estava havia apenas dois dias no país e conseguiu a oportunidade por indicação de um conhecido. Outra entrevistada contou que pagava €750 em acomodação central e passou a dividir quarto com outras três pessoas por um valor parecido. Para ela, a agência de intercâmbio não havia mostrado com clareza a realidade financeira e habitacional que encontraria.

O problema não é apenas perder privacidade. Uma casa projetada para poucas pessoas pode acabar com muitos moradores, pouca ventilação, mofo, filas para usar áreas comuns e dificuldade para receber visitas. Um dos participantes viveu numa casa com 16 pessoas; outro paga €650 por um quarto pequeno numa residência com nove moradores.

Morar sozinho em Dublin virou um luxo?

Quem decidiu morar sozinho explicou que abriu mão de viagens e de outros gastos para preservar a própria privacidade. Um entrevistado paga €1.200 por um estúdio em Dublin 6. Ao pesquisar alternativas, encontrou anúncios a partir de aproximadamente €1.500 e concluiu que teve sorte.

Outro casal paga €1.750 por um apartamento pequeno de um quarto perto do centro. Antes de conseguir o imóvel, teve seis meses para sair da residência anterior e passou cinco meses e meio procurando. Quando a aprovação veio, faltavam cerca de 15 dias para o prazo terminar.

É justamente essa combinação de preço e escassez que produz ansiedade. Mesmo pessoas capazes de pagar temem receber uma notificação e não encontrar outra opção a tempo. Algumas evitam comprar móveis ou objetos grandes porque sabem que podem precisar mudar novamente.

Dublin, Cork ou Drogheda: morar longe fica mais barato?

Os relatos indicam que sair do centro de Dublin pode reduzir o aluguel, mas não resolve automaticamente o problema. Em Drogheda, apareceram exemplos de €550 por quarto individual e €400 por uma vaga compartilhada com contas incluídas. Um entrevistado que antes morava sozinho na cidade pagava cerca de €1.300 por um apartamento.

Em Cork, um casal contou que procurou por aproximadamente um mês e enviou mais de 20 candidaturas antes de receber uma resposta. A estabilidade profissional e a permissão de trabalho ajudaram na aprovação. Outro morador de Cork, que paga o contrato antigo de €400, prefere continuar na cidade e diz não ter interesse em se mudar para Dublin.

A escolha envolve mais do que aluguel. Cidades menores podem oferecer acomodações mais acessíveis, enquanto Dublin concentra escolas, transporte e oportunidades de emprego. O que se economiza na casa pode aparecer no tempo e no custo do deslocamento.

Bolder conversa com morador sobre aluguel e acomodação na Irlanda
Os entrevistados compararam valores, localização, privacidade e quantidade de moradores.

Quanto do salário vai embora com o aluguel?

As respostas variaram de aproximadamente um quarto da renda até mais da metade do salário do casal. Alguns entrevistados estimaram gastar entre 35% e 50% apenas com aluguel. Quando eletricidade, condomínio, transporte e outras contas entram na soma, sobra menos para viajar, guardar dinheiro ou planejar a compra de uma casa.

Um morador resumiu sua situação dizendo que trabalha duas de cada quatro semanas apenas para manter um teto. Outro observou que o aluguel alto se torna mais administrável quando o salário acompanha, mas é especialmente duro para estudantes limitados a uma jornada parcial ou para recém-chegados ainda procurando emprego.

Depósito, reparos e conflitos com o proprietário

Os entrevistados também relataram problemas que não aparecem no preço do anúncio. Uma pessoa perdeu o depósito porque o proprietário usou o dinheiro para consertar um chuveiro que, segundo ela, não era de sua responsabilidade. Outra precisou mudar quando disseram que o valor pago correspondia a uma vaga compartilhada e que manter o quarto individual custaria mais.

As regras oficiais são mais específicas do que muitos acordos informais. O RTB informa que o proprietário não pode exigir depósito superior a um mês de aluguel nem mais de um mês adiantado. Ao iniciar uma locação, a lista de verificação para inquilinos recomenda visitar o imóvel, obter recibo do depósito, registrar quem ficará com o dinheiro e manter um contrato escrito.

Guardar fotografias do estado do imóvel, comprovantes de pagamento, mensagens e inventário pode fazer diferença numa disputa. Quando há retenção indevida do depósito, notificação inválida ou outra violação, o inquilino pode procurar o serviço de resolução de conflitos do RTB.

Golpes de aluguel: a pressa aumenta o risco

A concorrência por quartos cria o cenário perfeito para golpes. Há anúncios falsos, pessoas que pedem depósito antes da visita e imóveis oferecidos simultaneamente a várias vítimas. No vídeo, os participantes repetem um conselho: sempre que possível, visite o local e confirme quem está autorizado a alugá-lo antes de transferir dinheiro.

Chegar com algumas semanas de acomodação temporária reduz a pressão para aceitar a primeira oferta. Uma agência pode prestar apoio, mas não existe garantia universal de que todo pagamento será devolvido se algo der errado. A proteção depende do contrato, do prestador e da natureza da acomodação.

A crise de moradia faz brasileiros pensarem em sair?

Para alguns entrevistados, sim. Houve quem dissesse discutir quase toda semana a possibilidade de voltar ao Brasil ou tentar Portugal e Espanha. Outros pensam em deixar Dublin por Cork, Drogheda ou outra cidade. O aluguel reduz viagens, dificulta a poupança e adia planos familiares.

Ao mesmo tempo, várias pessoas disseram que ainda vale a pena viver na Irlanda. Elas citaram poder de compra, carreira, experiência internacional e oportunidades profissionais. A resposta depende muito da renda: pagar caro por uma boa casa pode ser sustentável para quem recebe um salário proporcional, mas sufocante para quem trabalha poucas horas ou aceita uma vaga mal remunerada.

Como se preparar para procurar acomodação na Irlanda

  • Pesquise preços reais na cidade e no bairro antes da viagem.
  • Reserve acomodação temporária suficiente para visitar os imóveis sem desespero.
  • Prepare referências, comprovantes de renda e documentos pedidos nas candidaturas.
  • Não envie depósito apenas para “segurar” um imóvel que você não verificou.
  • Peça contrato, recibo e identificação do proprietário ou agente.
  • Fotografe o imóvel e faça um inventário ao entrar.
  • Calcule aluguel, contas e transporte — não apenas o preço do quarto.
  • Considere outras cidades, mas confira emprego, escola e deslocamento.

Não existe uma experiência única. No mesmo vídeo, uma pessoa encontrou quarto no primeiro dia; outra levou quase seis meses para conseguir um apartamento. Contatos ajudam, mas planejamento financeiro e cautela continuam essenciais.

A realidade do aluguel na Irlanda

Os depoimentos mostram que a pergunta “quanto custa o aluguel na Irlanda?” precisa vir acompanhada de outras: é um quarto ou um imóvel inteiro? Quantas pessoas vivem na casa? As contas estão incluídas? Qual é a distância do trabalho? O contrato é novo ou antigo?

Um valor baixo pode esconder superlotação e falta de privacidade; um aluguel maior pode representar segurança e qualidade de vida. Antes de emigrar, o mais importante é montar uma reserva compatível com a realidade atual e entender que encontrar uma casa pode exigir dezenas de candidaturas. Assista ao vídeo completo para ouvir cada experiência e comparar os diferentes tipos de acomodação apresentados por Bolder.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *