Golpe antes do intercâmbio: a história do casal 2 na Irlanda

Leo e Gabriel quase perderam o dinheiro do intercâmbio na Irlanda antes mesmo de sair do Brasil. No Bolder Podcast, o casal responsável pelo perfil 2 na Irlanda conta como uma conta financeira foi bloqueada, como recuperaram milhares de euros e por que decidiram manter o plano de viver em Dublin.

A entrevista também percorre os primeiros trabalhos, a procura por moradia, o processo de casamento e a criação de um perfil dedicado a mostrar uma Irlanda menos idealizada. É uma história de planejamento, sustos e apoio mútuo, sem a narrativa fácil de que tudo funcionou desde o primeiro dia.

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A vida de Leo e Gabriel antes da Irlanda

Os dois são do Rio de Janeiro. Gabriel é farmacêutico e trabalhava em farmácia e hospital. Leo é engenheiro de produção e atuava como gerente de uma empresa de móveis planejados, usando a formação para reorganizar lojas, acompanhar projetos e melhorar processos.

Em um período de instabilidade profissional, Leo transformou a própria casa em hospedagem durante as Olimpíadas. Ele e Gabriel reformaram o imóvel e receberam hóspedes. A obra quase terminou em tragédia quando Leo caiu de aproximadamente sete metros ao tentar consertar um ar-condicionado. Apesar do impacto, os exames não apontaram fraturas ou lesões graves.

Gabriel, além da farmácia, tinha interesse por confeitaria. Fez um curso e abriu uma pequena produção para complementar a renda destinada à viagem. Os dois já viviam juntos e buscavam uma mudança que combinasse inglês, experiência internacional e novas oportunidades.

Por que o casal escolheu a Irlanda?

A Irlanda não era o destino óbvio. Leo conheceu melhor o país conversando com a filha de uma colega, que já morava ali. Gabriel também tinha um amigo fazendo intercâmbio e começou a pesquisar o modelo que permitia estudar inglês e trabalhar.

Os dois já tinham uma viagem marcada para a França. Em vez de voltar diretamente ao Brasil, resolveram seguir para Dublin e iniciar o intercâmbio. Contrataram a escola diretamente, sem agência, e verificaram endereço, registros e reputação antes de pagar.

O golpe que quase acabou com o intercâmbio

Para levar a reserva financeira, Leo e Gabriel colocaram praticamente todos os euros numa conta da LeoPay, serviço financeiro sediado em Malta e utilizado por pessoas em diferentes países europeus. Cerca de dois meses antes da viagem, as contas foram congeladas.

Naquele momento, o casal já havia vendido bens, cancelado internet e plano de saúde e preparado a saída do Brasil. Cada um tinha aproximadamente € 4 mil na plataforma. Sem acesso ao dinheiro, começaram a considerar que a viagem não seria mais possível.

As autoridades permitiram temporariamente que clientes antigos retirassem os recursos, mas o processo não era simples. O dinheiro precisava ser transferido para outra conta compatível, e as tentativas de saque falhavam. Leo enviou mensagens repetidas ao atendimento e buscou uma solução envolvendo a antiga TransferWise, hoje Wise.

Depois de apresentar documentos e comprovar a titularidade, conseguiram recuperar a quantia. Parte chegou a ser retirada em espécie no Brasil, deixando o casal com uma grande soma em dinheiro físico pouco antes do embarque.

Como reduzir o risco ao guardar o dinheiro do intercâmbio?

  • Verifique quem regula a instituição e como funciona a proteção ao cliente.
  • Evite concentrar toda a reserva em uma única conta ou plataforma.
  • Teste transferências e saques antes de movimentar a quantia principal.
  • Guarde contratos, extratos, comprovantes e conversas com o atendimento.
  • Mantenha uma parte da reserva acessível para os primeiros dias da viagem.

Serviços e regras financeiras mudam com frequência. O caso narrado é histórico e não representa uma avaliação das plataformas disponíveis atualmente.

A procura por acomodação em Dublin

O casal chegou perto do período de St. Patrick’s Day com apenas uma semana de acomodação incluída pela escola. Encontrar uma casa foi difícil. Eles visitaram imóveis, fizeram contatos e acabaram morando inicialmente numa residência compartilhada com aproximadamente dez pessoas em Dublin 15.

A adaptação teve improvisos, incluindo problemas com cama e colchão. Ainda assim, a rede construída nas visitas ajudou: brasileiros conhecidos durante a procura indicaram oportunidades e explicaram como funcionavam contratos e quartos compartilhados.

Os primeiros empregos de Leo e Gabriel

Gabriel conseguiu trabalho numa padaria brasileira, usando também a experiência com confeitaria. Mais tarde, enfrentou um processo demorado de documentação e verificação de antecedentes para trabalhar no aeroporto, onde as regras de acesso eram mais rígidas.

Leo passou por serviços de limpeza, inclusive em hospitais distantes do centro. Em uma escala dividida, trabalhava pela manhã, esperava horas num shopping e voltava para outro turno. O desgaste o levou a pedir demissão mesmo sem ter uma alternativa imediata.

Depois, conseguiu uma vaga ligada à Estée Lauder no aeroporto. O contato diário com clientes e gerentes de diferentes nacionalidades melhorou significativamente seu inglês. Gabriel continuou tentando retornar à formação e, após diversas entrevistas, entrou na indústria farmacêutica.

A pandemia e a documentação do casal

Leo e Gabriel se casaram por procuração no Brasil em outubro de 2019, pois precisavam organizar a permanência do casal. Também tentaram realizar o processo em Portugal por causa da cidadania, mas enfrentaram exigências e desencontros de informação.

A marcação migratória de Gabriel estava prevista para a véspera do fechamento causado pela pandemia. Sem o documento concluído, ele ficou temporariamente impossibilitado de trabalhar ou acessar determinados apoios. Durante parte daquele período, os dois dependeram apenas do salário de Leo.

A situação mudou quando descobriram a possibilidade de obter uma carta provisória. Gabriel voltou ao mercado e, pouco depois, avançou no processo seletivo da área farmacêutica. O episódio reforça uma constante da história: quando um estava sem renda, o outro sustentava as despesas.

Como surgiu o perfil 2 na Irlanda

O Instagram foi criado aproximadamente uma semana depois da chegada. Leo e Gabriel queriam registrar lugares, viagens e rotina, mas perceberam que grande parte do conteúdo disponível se concentrava no intercambista que permanece pouco tempo no país.

O 2 na Irlanda passou a mostrar também quem tenta construir uma vida permanente: trabalho, mudança de casa, documentação, dias bons e frustrações. Eles destacam que não vivem um conto de fadas e preferem publicar experiências reais a apresentar somente paisagens bonitas.

O que a história ensina

O golpe financeiro poderia ter encerrado o projeto antes do embarque. Depois vieram moradia difícil, trabalhos pesados, pandemia e burocracia. O que manteve o plano foi uma combinação de reserva, pesquisa, capacidade de adaptação e parceria entre os dois.

Assista ao episódio completo para conhecer os detalhes da recuperação do dinheiro, os primeiros empregos e a construção da vida de Leo e Gabriel na Irlanda.