Videomaker na Irlanda: como Bruno Pinheiro transformou networking em carreira

Trabalhar como videomaker na Irlanda foi o resultado de uma trajetória que misturou design, animação, realidade virtual, impressão 3D e uma busca muito ativa por contatos profissionais. No primeiro episódio do Bolder Podcast, Bruno Pinheiro explica como chegou ao país com um plano, precisou aceitar um trabalho pesado quando o dinheiro começou a acabar e, depois de diferentes experiências, voltou ao audiovisual.

A história ajuda a entender por que networking não significa apenas pedir emprego. Bruno frequentou eventos técnicos mesmo quando ainda tinha dificuldade para acompanhar o inglês, mostrou conhecimento nos estandes, conversou com profissionais e construiu uma imagem mais segura da própria experiência. Anos depois, um contato feito por Bolder também participaria de sua mudança da impressão 3D para o vídeo.

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Do design e da realidade virtual à Irlanda

Bruno começou a estudar design em 2001. Trabalhou com web, passou para animação 3D e fez uma pós-graduação na área. No Brasil, também teve uma empresa de realidade virtual em Campina Grande e voltou a trabalhar com vídeo antes de decidir fazer o intercâmbio.

O destino que ele desejava inicialmente era o Canadá. Bruno vinha juntando dinheiro desde 2009, mas, quando chegou o momento de organizar a viagem, encontrou regras que não atendiam ao plano de estudar inglês e trabalhar de forma regular. Ao pesquisar alternativas disponíveis naquela época, considerou Irlanda e Nova Zelândia e escolheu o território irlandês.

Importante: o episódio foi gravado em outro contexto migratório. As permissões para estudantes, duração dos cursos e condições de trabalho citadas na conversa são históricas. Quem planeja viajar hoje deve confirmar as regras vigentes diretamente nos canais oficiais.

Um plano de quatro meses que não saiu como esperado

Bruno chegou com dinheiro suficiente, segundo seus cálculos, para passar seis meses sem emprego. Dividiu os primeiros quatro meses em etapas: usaria o primeiro para melhorar o inglês, o segundo para ampliar o networking, o terceiro para começar as candidaturas e esperava estar contratado até o quarto.

A realidade mudou o cronograma. Embora sua escola no Brasil o classificasse próximo do nível avançado, ele encontrou dificuldade para compreender o inglês falado na Irlanda e se percebeu mais perto do intermediário. Também gastou a reserva mais rápido do que previa. Quando chegou ao quarto mês sem emprego na área e com pouco dinheiro, precisou procurar outra atividade.

O trabalho pesado na logística

A oportunidade apareceu numa operação de logística ligada ao abastecimento de supermercados. Bruno separava frutas, carnes e outros alimentos em um ambiente refrigerado, empurrando carrinhos e organizando as caixas destinadas a diferentes lojas. Passava o dia em pé e chegava em casa com as pernas latejando de cansaço.

Os horários menos procurados podiam pagar melhor, especialmente fins de semana e madrugada. Ainda assim, ele já havia decidido que não permaneceria na Irlanda para repetir indefinidamente um trabalho físico que conhecia desde o Brasil. Enquanto cumpria a rotina, continuou fazendo entrevistas. Primeiro conseguiu um estágio numa empresa de realidade virtual; cerca de uma semana e meia depois, recebeu a confirmação de outra vaga.

Como o networking ajudou Bruno a conseguir trabalho

Antes mesmo de estar empregado, Bruno procurava encontros ligados a 3D, tecnologia e realidade virtual. O primeiro foi desconfortável: apesar de o assunto ser familiar, ele diz que não entendeu praticamente nada e não conseguiu conversar com um irlandês que tentou puxar assunto. Em vez de desistir, passou a usar os estandes como ponto de partida.

Ele testava produtos, fazia perguntas e oferecia observações técnicas. Quando encontrava novamente as mesmas pessoas em outro evento, já não era um desconhecido. Um participante podia apresentá-lo a outro como “Bruno, do Brasil”, e a rede começava a crescer. O objetivo não era distribuir currículos indiscriminadamente, mas ser reconhecido como alguém capaz de contribuir.

Outra mudança veio depois de receber ajuda para reorganizar o currículo. Ao contar sua trajetória a uma profissional, Bruno percebeu que subestimava a própria experiência. A versão escrita por alguém de fora destacou projetos que ele já tratava como comuns. Com mais confiança, passou a se apresentar nos eventos não apenas como estudante de inglês, mas como alguém que já havia administrado uma empresa de realidade virtual no Brasil.

  • Procure eventos diretamente relacionados à sua área.
  • Converse sobre o produto ou a apresentação antes de falar em emprego.
  • Mostre conhecimento com perguntas e observações específicas.
  • Volte aos encontros e mantenha contato com quem conheceu.
  • Adapte currículo e apresentação pessoal ao mercado local.

O emprego com impressão 3D e o visto de trabalho

A empresa que o contratou procurava um profissional versátil. O histórico de Bruno reunia Flash, HTML, animação, vídeo e 3D, enquanto outro integrante da equipe era mais especializado. Essa combinação de habilidades ajudou na seleção e permitiu que ele assumisse funções diferentes.

O trabalho envolvia uma impressora 3D industrial, descrita por ele como aproximadamente do tamanho de um quarto. Alguns projetos ultrapassavam três metros de altura. Depois da impressão em resina, era necessário preencher imperfeições, lixar as camadas e limpar a área. Portanto, a função combinava criação digital com uma parte manual e fisicamente exigente.

A companhia patrocinou sua permissão de trabalho. Bruno permaneceu ali por aproximadamente dois anos e meio, incluindo o tempo de processamento do documento e o período ligado às condições existentes naquela época. Quando pôde mudar, decidiu procurar algo que usasse mais sua capacidade criativa e oferecesse uma rotina mais flexível.

Bruno Pinheiro fala sobre trabalhar como videomaker na Irlanda
Bruno explica como uniu experiência em 3D, produção audiovisual e networking na Irlanda.

A mudança para o trabalho de videomaker na Irlanda

A transição começou durante a pandemia. Bolder marcou Bruno numa publicação de uma empresa que procurava alguém para produzir uma animação em 3D. Ele fez o primeiro trabalho por um valor baixo, mas a cliente voltou meses depois porque a peça havia funcionado bem nas redes sociais. Dessa vez, Bruno reajustou o preço.

A demanda cresceu rapidamente. Entre outubro, novembro e dezembro, ele produziu cerca de 70 vídeos, incluindo campanhas de Black Friday, Natal e Ano Novo. Mesmo durante as férias no Brasil, levou o computador e continuou trabalhando. Aos poucos, o escopo passou da animação 3D para After Effects, motion graphics, edição e gravação.

Quando decidiu sair da empresa de impressão 3D, Bruno propôs uma troca direta: se fosse contratado, assumiria o trabalho audiovisual em tempo integral. A mudança eliminou a rotina de lixamento e limpeza, reduziu gastos com deslocamento, combustível e pedágio e colocou a criação no centro do dia a dia.

Gravar ou editar: qual parte permite trabalhar remotamente?

Bruno faz uma distinção prática. A edição, a animação e os videografismos podem ser realizados de praticamente qualquer lugar. A filmagem exige presença, equipamento e disponibilidade no horário da produção. Como ele passou a acumular as duas tarefas, ganhou estabilidade, mas perdeu parte da liberdade de trabalhar remotamente por longos períodos.

No momento da entrevista, a maior parte de sua rotina já estava na edição e as gravações eram menos frequentes. Ainda assim, podia passar o dia filmando e receber à noite o pedido de um corte de 15 segundos para as redes sociais. A experiência mostra por que empresas menores costumam buscar um profissional que filme, edite, anime e entregue diferentes formatos.

Os desafios que não aparecem no vídeo pronto

Nem todo desafio é técnico. Bruno fala sobre pedidos urgentes que acabam não sendo publicados, feedbacks enviados em etapas e mudanças de fonte, cor ou música depois de a edição já estar sincronizada. Alternar entre projetos também tem um custo mental: mesmo que os arquivos abram rapidamente, o editor precisa recuperar o raciocínio e a intenção de cada peça.

Entre as lições mais úteis do episódio estão a necessidade de combinar prazo, reunir alterações de forma organizada e entender onde o conteúdo será exibido. Um vídeo para Instagram pode ser assistido sem som, enquanto uma peça para YouTube ou televisão exige outro cuidado com áudio, duração e narrativa.

Vale a pena trabalhar com vídeo na Irlanda?

Para Bruno, a mudança trouxe mais valorização profissional e uma rotina conectada ao que ele sabia fazer. Isso não significa que o caminho tenha sido rápido. Ele chegou com experiência, mas precisou melhorar o inglês, aceitar um emprego fora da área, rever o currículo, construir contatos e passar anos numa empresa de impressão 3D antes de retornar integralmente ao audiovisual.

O relato mostra que uma carreira de videomaker na Irlanda pode começar por habilidades que parecem separadas. Web, animação, realidade virtual, 3D e produção de conteúdo acabaram formando o perfil generalista procurado pelas empresas. Assista ao episódio completo para conhecer os exemplos de Bruno sobre networking, trabalho remoto e produção de vídeo durante a pandemia.