COMO FOI ENFRENTAR O CÂNCER E A IMIGRAÇÃO À IRLANDA – Lígia Martins | Bolder Podcast 502

Decidir morar fora do Brasil já é, por si só, um dos maiores desafios que alguém pode enfrentar. Mas imagine receber uma proposta de emprego dos sonhos na Europa e, na mesma semana do embarque, descobrir um diagnóstico de câncer. Foi exatamente isso que aconteceu com Lígia Martins, convidada do Bolder Podcast, em uma história que mistura resiliência, burocracias de visto e uma urgência absoluta de viver.

Neste post, detalhamos os pontos principais dessa conversa com Fillipe Cardoso (o Bolder), explorando como Lígia navegou pelo sistema de saúde, manteve seu emprego na Ryanair e o que ela aprendeu sobre a vida após enfrentar o diagnóstico no meio de uma mudança de país.

O Diagnóstico no “Minuto 45” do Segundo Tempo

Lígia trabalhava na TV Globo, no Rio de Janeiro, quando recebeu uma proposta via LinkedIn para trabalhar como Scrum Master na Ryanair, na Irlanda. Com a passagem marcada para o dia 17 de agosto, ela decidiu fazer um check-up de última hora por conselho de uma amiga que já morava na Ilha Esmeralda.

A mamografia, realizada apenas cinco dias antes do embarque, revelou uma imagem suspeita. O conselho mais valioso veio de sua mãe: “O que temos para hoje é uma suspeita. Vá para a Irlanda e, quando se confirmar (ou não), pensamos no próximo passo”. Foi com essa mentalidade que Lígia embarcou com seis malas e um diagnóstico pendente.

Como Funciona o Tratamento de Câncer para Imigrantes?

Uma das maiores dúvidas de quem pensa em mudar de país é: vale a pena confiar no sistema de saúde estrangeiro em casos graves? No caso de Lígia, a confirmação do câncer maligno veio por videochamada enquanto ela já estava em um hotel em Swords, Dublin.

O Dilema do Emprego e o Visto Critical Skills

Lígia chegou à Irlanda com o visto de habilidades críticas (Critical Skills), mas ainda não possuía o PPS (equivalente ao CPF irlandês) ou o seguro de saúde local. Diante da necessidade de quimioterapia e de uma micrometástase descoberta após a cirurgia, ela tomou uma decisão ousada: trabalhar remotamente do Brasil durante o tratamento.

Bolder e Lígia discutiram como as leis irlandesas protegem funcionários doentes, mesmo em período probatório (probation). A Ryanair aceitou o acordo, e Lígia trabalhou das 4h da manhã às 2h da tarde (horário de Dublin) diretamente do Brasil, enfrentando os efeitos colaterais da quimioterapia enquanto entregava resultados.

A Volta para a Irlanda e a Vida em Remissão

Após 208 dias de tratamento no Brasil, Lígia retornou à Irlanda em fevereiro de 2023. Ela destacou alguns pontos práticos e emocionais dessa fase:

  • Acompanhamento no Beaumont Hospital: Atualmente, ela faz o bloqueio hormonal na Irlanda, recebendo injeções mensais patrocinadas pelo governo irlandês.
  • Comprando Casa sem Seguro de Vida: Lígia revelou um dado importante para o SEO e para a comunidade: na Irlanda, se você receber três negativas de seguradoras de vida (comuns para pacientes oncológicos), o banco pode conceder a hipoteca (mortgage) sem essa exigência.
  • O Trauma Invisível: Ela compartilhou abertamente que o retorno foi mais difícil do que o diagnóstico inicial, pois foi o momento em que a “ficha caiu” e o luto acumulado precisou ser vivido.

Dicas Práticas da Lígia para quem quer morar na Irlanda

Para quem pergunta “como se preparar para imigrar?”, Lígia é enfática:

  1. Check-up é Essencial: Não saia do Brasil sem exames completos. O sistema de saúde na Irlanda é diferente e pode levar tempo até você ser inserido nele.
  2. Rede de Apoio: Ela mencionou o grupo “Amor Simples de Doar”, que apoia brasileiros com câncer na Irlanda, ajudando inclusive com tradução em consultas.
  3. Reserva Financeira: Imprevistos acontecem, e ter um suporte financeiro é o que diferencia uma crise de um desastre.

Conclusão: A Urgência do Agora

A história de Lígia Martins não é sobre a doença, mas sobre a forma como ela escolheu viver após o susto. Hoje, ela vive na Irlanda com o marido e o filho, comprou sua casa e relançou o livro “Somos Todos Insubstituíveis”. Como ela mesma resumiu para o Bolder: “Se eu compro um vinho bom, eu bebo hoje. Não sei o que vai ser de amanhã”.

Assista ao episódio completo no YouTube para ouvir todos os detalhes dessa jornada inspiradora: Assista Aqui.