Aluguéis em Dublin estão entre os mais caros da Europa e superam cidades como Paris e Helsinque

Dublin figura entre as capitais europeias com maior custo de aluguel, impulsionada pela escassez de oferta e alta demanda, contrastando com políticas habitacionais mais robustas em outras cidades.

Os preços de aluguel em Dublin continuam a se destacar negativamente no cenário europeu, consolidando a capital irlandesa como uma das cidades mais caras para se viver no continente. Dados recentes mostram que alugar um apartamento novo de dois quartos, com cerca de 73 metros quadrados, custava em média €2.241 no final de 2025. Para inquilinos antigos, o valor médio era de aproximadamente €1.892, evidenciando também a diferença entre novos contratos e arrendamentos mais antigos.

Esse cenário coloca Dublin à frente de cidades como Paris e Helsinque, e próxima de centros financeiros globais como Londres e Zurique. A principal explicação está na combinação de alta demanda, crescimento populacional e uma oferta habitacional que não acompanha o ritmo necessário, criando um mercado altamente competitivo.

Em Paris, os preços também são elevados, mas ligeiramente inferiores aos de Dublin. O aluguel médio para um imóvel semelhante gira em torno de €2.120. A capital francesa conta com um sistema de controle de aluguéis, que estabelece limites de aproximadamente €27 a €29 por metro quadrado em áreas centrais. No entanto, a eficácia dessas medidas é questionada, já que cerca de um terço dos contratos não cumpre as regras. Além disso, a dificuldade em encontrar moradia acessível tem levado muitos moradores a deixarem o centro da cidade em busca de alternativas mais baratas.

Já Viena apresenta um cenário bastante diferente e frequentemente é apontada como referência internacional em políticas de habitação. Cerca de 73% da população vive de aluguel, mas isso não se traduz em custos elevados. Isso ocorre porque aproximadamente metade das moradias disponíveis faz parte de programas de habitação social ou acessível, subsidiados pelo governo.

O modelo vienense tem raízes históricas que remontam à década de 1920, quando o governo local iniciou um amplo programa de construção de moradias públicas. Hoje, esse sistema inclui mais de 220 mil unidades municipais, além de cooperativas financiadas com apoio estatal. Como resultado, o aluguel médio pode ficar em torno de €700 mensais para um apartamento de dois quartos. No entanto, novos moradores enfrentam barreiras, como a exigência de residência mínima na cidade, o que pode elevar os preços iniciais para algo entre €1.400 e €1.600.

Apesar de amplamente elogiado, o modelo também enfrenta críticas. Especialistas apontam que a possibilidade de transferência de contratos entre familiares e a estabilidade prolongada dos aluguéis podem gerar distorções, beneficiando moradores antigos em detrimento de novos entrantes no mercado.

Helsinque, por sua vez, apresenta um equilíbrio entre mercado privado e habitação subsidiada. Os aluguéis na capital finlandesa são mais acessíveis do que em Dublin e Paris, com média de €1.460 para um apartamento de dois quartos no mercado privado. Em unidades subsidiadas, esse valor pode cair para cerca de €1.095.

Outro fator relevante é que Helsinque registrou recentemente uma queda nos preços do aluguel privado, resultado de um aumento na oferta de imóveis disponíveis. Ainda assim, o sistema de habitação social segue critérios rigorosos, priorizando pessoas com maior necessidade e renda mais baixa.

Quando se analisa a relação entre renda e custo de vida, a Irlanda apresenta um fator que ameniza parcialmente o impacto dos altos aluguéis: os salários. Com uma média anual de €61.051, os rendimentos no país estão acima da média europeia. Ainda assim, isso não significa que o problema esteja resolvido.

Estudos indicam que famílias de renda média enfrentam as maiores dificuldades no país. Isso porque estão acima dos limites para acessar habitação social, mas ainda assim têm dificuldade em arcar com os altos preços do mercado privado. Esse “vazio” no sistema habitacional irlandês evidencia uma das principais fragilidades do modelo atual.

Além disso, ao contrário de países como a Áustria, onde sistemas de aluguel a custo controlado são amplamente difundidos, a Irlanda ainda apresenta uma divisão mais rígida entre habitação social e mercado privado. Isso limita as opções disponíveis para grande parte da população.

Com projeções indicando que a população da Irlanda pode chegar a 6,45 milhões até 2057, a pressão sobre o mercado imobiliário tende a aumentar ainda mais. Sem mudanças estruturais, como ampliação da oferta e desenvolvimento de modelos mais acessíveis de aluguel, Dublin deve continuar figurando entre as cidades mais caras da Europa para se viver.

Diante desse cenário, o debate sobre políticas públicas de habitação ganha cada vez mais relevância, especialmente ao se observar exemplos internacionais que conseguiram equilibrar melhor oferta, demanda e acessibilidade.

💬 Na sua opinião, qual cidade tem o melhor modelo de habitação hoje? E Dublin, tem solução a curto prazo?

Fonte: RTÉ News – (05/04/2026) – www.rte.ie/news

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