DANÇARINA DO VENTRE NA IRLANDA – Cida Arcanjo | Bolder Podcast 511

Da Secretária Executiva ao Palco: A Trajetória de Cida Arcanjo na Irlanda

Viver fora do Brasil exige coragem para recomeçar, mas para Cida Arcanjo, a imigração foi o palco para transformar um hobby em uma carreira artística sólida. No episódio 511 do Bolder Podcast, Fillipe conversou com a dançarina que, há quase duas décadas, quebra tabus e ensina a arte da dança do ventre em Dublin. Com uma história que mistura resiliência, superação de preconceitos e uma transição de carreira do mundo corporativo para os palcos, Cida revela os bastidores de ser uma artista brasileira na Ilha Esmeralda.

O Início: Entre o Francês e o Chamado da Dança

A jornada de Cida não começou com o plano de ser dançarina profissional. Em São Paulo, ela atuava como secretária executiva em grandes empresas, como a Peugeot Citroën. Após morar na França para aprimorar o idioma, percebeu que o inglês era a peça que faltava em seu currículo. Em 2006, decidiu tirar um ano sabático na Irlanda para estudar — plano que acabou se tornando permanente.

Curiosamente, a semente da dança do ventre foi plantada ainda na França, em Toulouse, onde Cida começou a dançar axé em bares brasileiros. Ao ser desafiada por um espectador árabe sobre sua técnica na dança oriental, ela decidiu que aprenderia a arte de verdade. De volta ao Brasil, estudou por cinco anos antes de levar suas roupas de dança na mala para a Irlanda.

Desafios e o Mercado de Trabalho na Irlanda

Diferente do que muitos imaginam, Cida conta que a profissionalização aconteceu de forma muito orgânica em Dublin. Apenas três semanas após chegar, ela conseguiu seu primeiro trabalho como dançarina residente em um restaurante libanês, cargo que ocupou por 13 anos.

Superando Preconceitos

Bolder questionou sobre a recepção de uma brasileira dançando uma arte egípcia. Cida trouxe um dado interessante: no Brasil, ela enfrentava preconceitos por não ser loira, já que muitas casas exigiam um padrão estético específico para shows de dança do ventre. Na Irlanda, sua aparência foi vista como “exótica” e autêntica, aproximando-a da imagem das mulheres egípcias e marroquinas, o que abriu portas em vez de fechá-las.

Dança do Ventre na Irlanda: Vale a Pena?

Para quem se pergunta se é possível viver da arte no exterior, Cida mostra que o mercado é diversificado. Além de restaurantes (que diminuíram o volume de shows após a pandemia), ela atua em:

  • Eventos Corporativos e Casamentos: Cida é frequentemente contratada para festas multiculturais, batizados romenos e até casamentos entre pessoas do mesmo sexo, onde a dança é apreciada puramente como entretenimento artístico.
  • Aulas e Empreendedorismo: Desde 2008, ela ensina a técnica, tendo desenvolvido métodos para ministrar aulas em inglês e gerenciar sua própria companhia, a Yala.

Situações Inusitadas em Casamentos

Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi o relato de um casamento em 2017 no Shellbourne Hotel. Cida foi contratada pelo noivo egípcio para fazer uma surpresa à noiva irlandesa. No entanto, a noiva odiou a surpresa e Cida foi retirada do palco após apenas três minutos de apresentação. Anos depois, o mesmo homem a contratou para sua festa de 50 anos, criando um reencontro inusitado com a agora ex-esposa.

Muito Além da Estética: Saúde e Comunidade

Cida defende que a dança do ventre é uma ferramenta poderosa de saúde mental e aceitação corporal. Em suas aulas, ela recebe mulheres de todas as idades (com alunas de até 70 anos) e nacionalidades, inclusive árabes, indianas e egípcias.

Como funciona o benefício físico?

  • Consciência Corporal: A dança exige controle muscular profundo, servindo como uma alternativa dinâmica à academia.
  • Saúde Interna: Os movimentos de ondulação funcionam como uma massagem nos órgãos internos, auxiliando na circulação e até no alívio de cólicas.
  • Inclusão: Não há um “corpo de bailarina” padrão; a modalidade acolhe todos os biotipos, promovendo um “boost” de energia e autoestima.

A Arte como Identidade na Imigração

A história de Cida Arcanjo no Bolder Podcast é um exemplo de como a imigração permite a reinvenção. Mesmo mantendo um pé no mundo corporativo para suporte financeiro, ela construiu uma identidade artística respeitada na Irlanda, provando que a paixão e a técnica podem superar barreiras linguísticas e culturais.

Se você tem curiosidade sobre a vida de imigrante ou quer conhecer mais sobre essa arte milenar, confira o episódio completo no canal do Bolder Podcast. Não esqueça de deixar seu comentário: você teria coragem de transformar seu hobby em profissão em outro país?

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