Muitos brasileiros chegam à Ilha da Esmeralda com o sonho de viver em Dublin, mas o que poucos exploram é a possibilidade de cruzar a fronteira rumo ao norte. Neste episódio, o Bolder conversa com Eric e Talita, dois brasileiros que decidiram trocar a República da Irlanda pela Irlanda do Norte. Se você já se perguntou se vale a pena morar na Irlanda do Norte, este post detalha as motivações reais, os custos envolvidos e como funciona a vida em cidades como Belfast e Bangor.
Por que trocar a República da Irlanda pela Irlanda do Norte?
A decisão de mudar de país dentro da mesma ilha geralmente passa por dois fatores críticos: o custo de vida proibitivo de Dublin e a busca por estabilidade. Eric, que trabalhava como cuidador no interior da Irlanda, relata que seu plano inicial era permanecer na República, mas a dificuldade de conseguir um visto de trabalho e o alto custo de moradia o fizeram repensar.
Já Talita, que viveu seis anos em Dublin, admite que no início tinha uma visão negativa de Belfast, achando a cidade “estranha” e com uma “energia pesada”. No entanto, a transição para uma nova fase de vida — o desejo de casar e formar família — a fez perceber que o estilo de vida pacato e organizado do Norte era exatamente o que ela precisava.
Custo de vida: A diferença astronômica entre Dublin e Belfast
Um dos pontos mais impactantes levantados pelo Bolder durante as entrevistas foi a comparação de preços. Eric e Talita apresentaram dados que mostram por que o Norte tem atraído quem busca economizar sem perder qualidade de vida.
- Moradia: Eric paga cerca de £500 de mortgage (financiamento) por uma casa inteira com dois quartos, quintal e escritório. Para comparação, ele mencionou que pagava quase esse mesmo valor para dividir um quarto com várias pessoas em Dublin. Talita reforça que uma casa similar na República da Irlanda custaria entre 3 e 4 mil euros por mês.
- Contas fixas: A conta de energia elétrica de Eric em Belfast gira em torno de £50 para seis semanas, enquanto na República da Irlanda os valores chegam a ser triplicados para períodos menores.
- Aluguel para estudantes: Enquanto em Dublin é raro encontrar um quarto por menos de €800, em Belfast estudantes conseguem acomodações individuais por valores entre £250 e £400.
O mercado de trabalho e as oportunidades de visto
Muitos se perguntam: como funciona o visto para brasileiros na Irlanda do Norte? A resposta é complexa, pois envolve as leis do Reino Unido pós-Brexit.
Área de Saúde e Cuidado (Care Assistant)
Eric seguiu a carreira de Care Assistant (cuidador de idosos). Ele explica que há uma carência enorme de mão de obra nessa área, o que facilita a obtenção de patrocínio para visto para quem tem inglês intermediário e disposição para o trabalho. Atualmente, ele trabalha via agência, o que lhe garante flexibilidade de horários e uma remuneração que pode chegar a £22 por hora, dependendo do turno.
Mundo Corporativo
Talita observou que, pela dificuldade de visto no Reino Unido, há menos imigrantes qualificados competindo por vagas em escritórios. Para quem já possui permissão de residência (como o visto de cônjuge), a inserção no mundo corporativo em Belfast pode ser mais rápida do que em Dublin.
A vida além de Belfast: O charme de Bangor
O Bolder também visitou Bangor, uma cidade litorânea a cerca de 20 minutos de trem de Belfast. Talita escolheu morar lá por querer resgatar a conexão com o mar que tinha no Brasil. Ela destaca que a cidade oferece toda a infraestrutura necessária — médicos, supermercados e bons restaurantes locais — sem a necessidade de se deslocar para a capital no dia a dia.
A segurança é outro ponto alto citado por ambos. Eric menciona que, comparada a Dublin, Belfast é extremamente tranquila, sem os problemas frequentes de baderna juvenil ou insegurança nas ruas centrais.
Vale a pena a mudança?
A Irlanda do Norte pode não ter o “fervo” e a vida noturna agitada de Dublin, mas oferece uma rota de fuga para quem busca uma vida estável, segura e financeiramente viável. Como o próprio marido de Talita costuma dizer: “é o lado bom da ilha”.
Se você tem passaporte europeu (especialmente o irlandês, que permite morar no Reino Unido sem burocracia) ou está disposto a investir no processo de visto britânico — que pode custar caro, chegando a milhares de libras em taxas — a Irlanda do Norte é um destino que merece ser explorado.
