A Irlanda pode endurecer os critérios para obtenção da cidadania por naturalização. Segundo reportagem de Jennifer Bray publicada pelo The Sunday Times em 23 de agosto de 2026, o ministro de Estado da Migração, Colm Brophy, defende que o período de residência exigido passe de cinco para oito anos.
A proposta relatada também inclui a criação de um teste de inglês, verificações de antecedentes mais rigorosas e critérios para avaliar se o candidato consegue sustentar a si próprio e sua família. Essas medidas, porém, ainda não constituem uma nova regra em vigor.
Regra atual continua sendo de cinco anos
Atualmente, a regra geral permite solicitar a naturalização após cinco anos de residência computável na Irlanda. O candidato precisa ter vivido continuamente no país durante o ano imediatamente anterior ao pedido e acumular outros quatro anos de residência nos oito anos anteriores.
Essa referência aos oito anos já aparece na legislação atual, mas não significa uma espera obrigatória de oito anos. Ela representa a janela dentro da qual os quatro anos adicionais podem ser contabilizados. Para cidadãos de fora da União Europeia, do Espaço Econômico Europeu, da Suíça e do Reino Unido, o requisito normalmente corresponde a 1.825 ou 1.826 dias de residência computável.
A página oficial do Immigration Service Delivery, atualizada em abril de 2026, ainda informa que adultos podem solicitar a cidadania com cinco anos de residência legal. Também não existe atualmente uma prova obrigatória de inglês para naturalização.
Autossuficiência e benefícios sociais já estavam nos planos do governo
Parte do endurecimento não surgiu agora. Em novembro de 2025, o governo já havia aprovado a elaboração de mudanças legislativas para exigir que candidatos à cidadania demonstrassem autossuficiência financeira e não estivessem recebendo determinados pagamentos de proteção social nos dois anos anteriores ao pedido.
O próprio governo esclareceu na ocasião que a intenção não era impedir a naturalização de qualquer pessoa que já tivesse recebido algum benefício. A proposta deve distinguir pagamentos que poderão ser considerados daqueles que não afetarão a solicitação, mas os detalhes completos ainda dependem de legislação e regulamentação.
Outra mudança anunciada anteriormente elevou de três para cinco anos o período aplicável a pessoas reconhecidas como refugiadas. A orientação atual do ISD estabelece cinco anos contados a partir da data exata da concessão da proteção internacional.
Brophy quer ampliar as exigências
O que há de novo na reportagem do Sunday Times é a defesa de uma espera geral de oito anos e de uma avaliação formal do domínio do inglês. Brophy também pretende reforçar verificações de antecedentes e a análise da capacidade financeira dos candidatos.
Até o momento, não foi publicado um projeto de lei estabelecendo essas duas exigências. Também não estão claros o nível de inglês que seria exigido, as possíveis isenções ou se o prazo de oito anos alcançaria igualmente cônjuges de cidadãos irlandeses, refugiados, pessoas apátridas e menores.
Pedidos de cidadania aumentaram nos últimos anos
A discussão ocorre em meio a um aumento expressivo na demanda. Dados oficiais divulgados em janeiro mostram que a Citizenship Division passou de cerca de 12 mil processos anuais para mais de 20 mil em 2023 e quase 31 mil em 2024.
Segundo os números citados pelo Sunday Times, mais de 31 mil pedidos foram apresentados tanto em 2024 quanto em 2025, enquanto aproximadamente 61 mil solicitações aguardavam decisão. Esses números mais recentes ainda precisam ser detalhados em uma publicação estatística oficial.
O que muda para quem pretende solicitar agora
Neste momento, candidatos devem continuar seguindo as regras publicadas pelo Immigration Service Delivery: cinco anos de residência computável para a maioria dos adultos, comprovação de identidade e residência, intenção de permanecer no país e requisito de boa conduta.
O aumento para oito anos e o teste de inglês devem ser tratados como propostas defendidas pelo ministro de Estado, e não como requisitos já aprovados. Qualquer mudança dependerá da publicação e aprovação da legislação correspondente, além da definição de regras de transição para quem já vive na Irlanda ou está próximo de completar o período exigido.
