Morar na Europa vale a pena quando a trajetória começa com apenas €300, uma tentativa de entrar na Legião Estrangeira e nenhum domínio de outro idioma? Carlos Henrique Ventura responde a essa pergunta a partir de cinco anos vividos entre França, Portugal e Irlanda.
No Bolder Podcast, o criador do canal Jeito Gringo conta a Bolder como deixou Cuiabá, trabalhou seis meses como motorista de aplicativo para comprar a passagem, apresentou-se em uma unidade militar francesa e acabou construindo uma vida completamente diferente da planejada.
Seis meses dirigindo para comprar a passagem
Antes de sair do Brasil, Carlos vendia facas e brindes para empresas do agronegócio em Mato Grosso. Depois, passou a dirigir por aplicativo com um carro alugado. Morava de favor na casa da família de um amigo, pagava a própria alimentação e direcionava o restante ao plano de viajar.
A rotina era intensa: ele comia dentro do carro e trabalhava o máximo de horas possível. Ao mesmo tempo, treinava corrida e exercícios físicos porque seu objetivo não era fazer intercâmbio. Carlos queria se apresentar à Legião Estrangeira francesa.
A tentativa de entrar na Legião Estrangeira
Carlos descobriu a Legião por meio de uma conversa e pesquisou sozinho os requisitos. Sem experiência militar no Brasil, organizou passagem, hospedagem e deslocamento usando informações da internet e aplicativos de tradução.
Ele desembarcou na França sem falar francês ou inglês. Primeiro foi a Paris; depois seguiu de trem para a base de seleção. Ao se apresentar, entregou o passaporte, passou por avaliações iniciais e entrou em uma rotina controlada, sem acesso normal ao telefone.
No episódio, Carlos descreve exames físicos, testes, convivência com candidatos de diferentes países e o treinamento rígido. A experiência terminou antes da incorporação definitiva. Ele saiu com a possibilidade de tentar novamente depois de um período, mas tomou outra direção.
De €300 a três anos em Portugal
Ao deixar a seleção, Carlos e outros brasileiros decidiram ir a Portugal. A ideia inicial era esperar alguns meses e voltar à França. Uma passagem de ônibus custou pouco mais de €50 e Lisboa parecia uma opção viável por causa do idioma.
O plano provisório transformou-se em três anos. Carlos morou em Carcavelos, trabalhou primeiro na construção civil e depois como garçom em um restaurante na praia. Ele destaca que aceitou o trabalho disponível sem tratar aquela função como destino definitivo.
Portugal aparece no relato como o lugar de melhor estilo de vida: clima, praia, alimentação e convivência lhe agradavam. O ponto fraco era o salário e o poder de compra, especialmente quando comparados à Irlanda.

Por que Carlos trocou Portugal pela Irlanda
Em Portugal, Carlos conheceu uma irlandesa. Os dois começaram a conversar usando tradutor e construíram um relacionamento. Quando ela engravidou, decidiram mudar para a Irlanda para ficar perto da família dela durante o nascimento da filha.
A mudança trouxe outra equação. A Irlanda oferece salários mais altos e maior poder de compra, mas cobra um preço em clima e moradia. Carlos gosta da organização e da segurança, embora considere o cotidiano português mais agradável.
Quando Bolder pede uma comparação direta, a resposta é clara: se pudesse receber o salário irlandês e viver em Portugal, escolheria essa combinação. Como isso não é possível, ele reconhece que cada país entrega vantagens diferentes.
Portugal ou Irlanda: qual é melhor?
Poder de compra
Na experiência de Carlos, a Irlanda vence. O salário permite pagar despesas e ainda viajar com mais facilidade. Passagens de baixo custo tornam possível visitar outros países europeus sem o orçamento exigido para sair do Brasil.
Clima e estilo de vida
Portugal é a preferência dele. Sol, praia e vida ao ar livre pesam muito para alguém que saiu do calor de Cuiabá. A chuva irlandesa aparece como uma das principais limitações.
Trabalho e moradia
Nos dois países, começar pode exigir funções fora da área desejada. A Irlanda paga mais, mas a procura por casa é difícil e o depósito inicial exige planejamento. Carlos recomenda usar plataformas conhecidas, grupos e rede de contatos, sempre com cuidado contra golpes.
O canal Jeito Gringo
Já na Irlanda, Carlos percebeu que perguntas recebidas nas redes poderiam virar conteúdo. Criou o Jeito Gringo para falar sobre vida no país, moradia, trabalho e desenvolvimento pessoal.
O canal parte da mesma lógica usada em sua viagem: informações que parecem simples para quem já vive fora podem economizar tempo e evitar erros de quem está planejando sair do Brasil. Ele também usa o Instagram para mostrar rotina, treino e decisões pessoais.
Perguntas frequentes sobre morar na Europa
É possível mudar com pouco dinheiro?
A história de Carlos mostra que aconteceu com ele, mas não torna a decisão segura ou recomendável para todos. Passagem, documentação, depósito, aluguel e emergência exigem reserva. Entrar e trabalhar legalmente depende da nacionalidade e da permissão de cada pessoa.
Portugal paga menos do que a Irlanda?
No relato de Carlos, sim. Comparações atuais devem considerar salário líquido, aluguel, cidade, profissão e situação migratória. Um salário maior pode ser absorvido por moradia mais cara.
Vale a pena aceitar qualquer emprego no começo?
Ele aceitou obra e restaurante para se manter, mas continuou procurando alternativas. A lição não é suportar abuso: é separar um trabalho temporário do objetivo de médio prazo.
Depois de cinco anos, valeu a pena?
Carlos não voltou ao Brasil durante os cinco anos retratados no episódio. Formou uma família, viveu em três países e transformou a experiência em conteúdo. Sua avaliação é positiva, mas não esconde chuva, aluguel, trabalho pesado e incerteza.
A resposta para morar na Europa vale a pena depende do que cada pessoa prioriza. Para Carlos, Portugal oferece o melhor estilo de vida; a Irlanda, as melhores condições financeiras. O vídeo completo mostra como ele chegou a essa conclusão por um caminho que começou muito longe de qualquer plano convencional.
