Qual é o custo de vida na Irlanda para quem trabalha como lavador de pratos? Artur abriu seu orçamento em Dublin e mostrou quanto pagava de aluguel, energia, alimentação, telefone, lazer e transporte na época da gravação, em 2024.
O vídeo não apresenta uma média oficial. É o retrato de uma pessoa solteira, com cidadania italiana, que divide apartamento, usa bicicleta e mantém uma alimentação econômica. Mesmo assim, os números ajudam a entender como salário, horas trabalhadas e escolhas pessoais afetam as contas.
Quem é Artur e por que voltou para Dublin?
Artur é de São Paulo e já havia feito intercâmbio em Toronto. Depois decidiu viver uma experiência mais longa em Dublin, mas a pandemia interrompeu os planos. Ele passou cerca de um ano na Irlanda, foi para Lisboa, morou na região do Vêneto, na Itália, e retornou depois de conquistar a cidadania italiana.
Na terceira passagem pela Irlanda, queria retomar a experiência iniciada em 2019 e 2020. Entre os pontos positivos, cita segurança, poder de compra e liberdade para circular de bicicleta. Entre os negativos, destaca o transporte público e a dificuldade histórica para encontrar moradia.
Quanto custa alugar um quarto em Dublin?
Artur pagava €1.000 por mês por um quarto individual em um apartamento de dois quartos. Dividia o imóvel com apenas mais uma pessoa e tinha contrato direto com a proprietária.
O apartamento ficava em Dublin 8, perto da Guinness e a aproximadamente 15 ou 20 minutos a pé do centro. O quarto era amplo, tinha cama de casal e uma mesa, fator que pesou na escolha.
Durante a procura, ele encontrou opções entre cerca de €800 e €1.300. Chegou a visitar três imóveis e escolheu o melhor equilíbrio entre localização, tamanho e custo. A vaga apareceu num grupo do Facebook, mas ele também recebeu respostas por WhatsApp e pelo Daft.
Energia, internet e outras contas
Naquele momento, a eletricidade ficava perto de €200 para o apartamento, ou €100 por morador. Artur ainda não tinha vivido um inverno completo no local e reconhecia que o aquecimento poderia elevar a conta.
O imóvel não tinha internet fixa. Ele usava um plano móvel da Three de €20 por mês, com dados ilimitados, mas pretendia contratar Wi-Fi no futuro. Água e outras despesas do prédio não apareciam separadamente no orçamento apresentado.
Trabalho como kitchen porter na Irlanda
No Brasil, Artur havia trabalhado em banco e com suporte de TI. Na Irlanda, passou por funções operacionais, como descarregar caminhões em armazém e arrumar quartos de hotel. No período do vídeo, trabalhava como kitchen porter — função que inclui lavar pratos e apoiar a organização da cozinha de um pub.
Na primeira semana de procura, recebeu três oportunidades e pôde escolher. O salário mencionado era o mínimo vigente na gravação: €12,70 por hora. Como cidadão europeu, podia trabalhar em tempo integral.
O maior problema era a variação da escala. Em uma semana podia fazer cerca de 45 horas; em outra, menos de 20. Considerando duas semanas recentes, calculava uma média próxima de €500 brutos por semana, ou aproximadamente €2.000 por mês. A renda real, portanto, dependia diretamente das horas oferecidas.
O impacto do emergency tax
Artur também relata que, no início, parte do pagamento foi retida pela tributação emergencial. Isso pode acontecer quando emprego e dados fiscais ainda não estão corretamente associados no Revenue. Depois da regularização, a situação muda conforme créditos tributários e renda individual.
Impostos não devem ser calculados apenas pelos percentuais comentados no vídeo. Quem começa a trabalhar precisa registrar o emprego e consultar o Revenue para verificar a própria situação.
Quanto ele gastava com alimentação?
O supermercado custava entre €20 e €30 por semana, algo em torno de €100 a €150 por mês. É um orçamento particularmente baixo. Artur não comia carne vermelha, priorizava vegetais e, em alguns dias, conseguia se alimentar no trabalho.
Ele cita pão e queijos como produtos acessíveis e diz que embalagens maiores podiam compensar. Ao mesmo tempo, reforça que seus hábitos mudaram desde a primeira temporada na Irlanda. Outra pessoa, com dieta e rotina diferentes, pode gastar muito mais.
Para comer fora, reservava de €20 a €40 por saída e costumava ir aproximadamente uma vez por semana. Bebidas alcoólicas podiam acrescentar de €6 a €10 à conta.
Transporte de bicicleta em Dublin
Artur praticamente não tinha despesa mensal de transporte. Comprou uma bicicleta usada por €150 e fazia a maior parte dos trajetos pedalando ou a pé.
O investimento não terminou na bicicleta: um cadeado resistente custou quase o mesmo valor. Ele considera furto de bicicleta um risco importante em Dublin e prefere pagar por proteção adequada.
A bicicleta também resolvia duas insatisfações de uma vez: em muitos trajetos era mais rápida do que o ônibus e ainda funcionava como exercício físico.
Roupas, lazer e saúde
Artur gastava pouco com roupas. Como exemplos, menciona camisetas de baixo custo na Primark e um tênis que caiu de €100 para €40 numa promoção online. O acesso a marcas não significava comprar com frequência.
O lazer variava. Parques eram gratuitos, apresentações menores podiam custar entre €5 e €10 e shows de artistas brasileiros geralmente começavam perto de €30 ou €40, segundo a experiência dele.
Até a gravação, Artur não havia usado o sistema de saúde irlandês nem contratado seguro privado local. Estava pesquisando opções depois de ouvir relatos negativos de conhecidos. Essa percepção é pessoal e não substitui informações oficiais sobre atendimento, seguro e elegibilidade.
Dá para viver bem como lavador de pratos na Irlanda?
No orçamento apresentado, Artur conseguia pagar as despesas e guardar entre 15% e 20% depois dos custos essenciais. Isso era possível graças à localização, divisão do apartamento, bicicleta, alimentação econômica e direito de trabalhar sem a limitação de horas aplicada a determinados estudantes.
O ponto de atenção é a instabilidade da escala. Um mês com menos turnos pode reduzir bastante a renda, enquanto aluguel e contas continuam iguais. Por isso, ele recomenda chegar com planejamento e uma reserva maior do que o mínimo.
O vídeo mostra que é possível viver com um trabalho de entrada, mas não promete facilidade. Moradia pesa muito, o inverno altera gastos e cada situação migratória muda as possibilidades de emprego. Assista ao episódio completo para ver o apartamento e acompanhar todos os cálculos feitos por Artur e Bolder.
Os valores são pessoais e correspondem a 2024. Aluguéis, salários, impostos e preços mudam; confira dados atuais antes de montar seu orçamento.
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