O canal Passei na Imigração nasceu de uma mudança para a Irlanda que quase foi interrompida antes de começar. No Bolder Podcast, Mari e Elias contam como venderam móveis, deixaram os empregos e organizaram quatro malas para viajar em abril de 2020 — justamente quando a pandemia fechou fronteiras e desfez os planos.
A conversa acompanha a espera no Brasil, a escolha de Limerick para o intercâmbio, o processo de cidadania italiana de Elias, a mudança para Dublin e a produção de vídeos que mistura informação, rotina e humor.
Quem são Mari e Elias?
Mari é formada em Publicidade e Propaganda, mas trabalhava como compradora em uma rede de farmácias em Blumenau. Elias é engenheiro civil e passou quase nove anos em um escritório de projetos e consultoria na mesma cidade.
Ela nasceu em São Paulo e viveu em diferentes cidades do Sul antes de chegar a Blumenau. Elias é natural da cidade. Os dois se conheceram no fim de 2014 e construíram juntos o plano de passar uma temporada fora.
Elias já conhecia a história italiana da família. Parentes haviam iniciado um processo anos antes, mas perderam uma convocação do consulado. Ele retomou a pesquisa e enxergou na cidadania uma possibilidade de trabalhar legalmente na Europa depois do intercâmbio.
A viagem cancelada pela pandemia
O casal tinha passagem marcada para abril de 2020. Antes da data, pediu demissão, vendeu móveis e eletrodomésticos e reduziu a vida a quatro malas. Quando a viagem foi cancelada, já não havia casa montada nem emprego para onde voltar.
Mari e Elias ficaram quase um ano com a irmã dela. Depois, alugaram um apartamento mobiliado enquanto aguardavam uma nova oportunidade de viajar. O período de incerteza exigiu refazer o planejamento sem abandonar o objetivo.
Durante a espera, Mari descobriu uma nova habilidade. Depois de assistir a tutoriais no YouTube, começou a produzir bonecos personalizados, inspirados no estilo Funko, inteiramente à mão. O primeiro pedido veio de uma colega de Elias e a procura cresceu pelas redes sociais. Ela calcula ter produzido aproximadamente 200 peças no Brasil.
Por que eles escolheram Limerick?
Antes da mudança, Mari e Elias fizeram uma viagem de reconhecimento e passaram por Limerick, Cork, Waterford e Dublin. Eles já sabiam que não queriam começar na capital e gostaram da posição de Limerick, com acesso a diferentes regiões do país.
Foi em Limerick que fizeram o curso de inglês e viveram o primeiro ano. A escolha por uma cidade menor não significava isolamento: o casal encontrou a estrutura de que precisava para estudar e organizar a etapa seguinte.
A cidadania italiana durante o intercâmbio
Quando o período de aulas terminou, Elias viajou para a Itália e permaneceu cerca de dois meses e meio no país para concluir o processo de cidadania pela via administrativa. Ele já havia preparado os documentos antes da viagem.
Enquanto tinha apenas a permissão de estudante, recrutadores chegaram a procurá-lo no LinkedIn, mas as vagas não avançavam por causa da autorização de trabalho. Depois do reconhecimento da cidadania, Elias retomou os contatos, participou de entrevistas e recebeu uma proposta de uma empresa em Dublin.
A contratação trouxe uma nova pressão: o casal teve aproximadamente três semanas para encontrar moradia e se mudar. Sem grande margem de escolha, aceitou o primeiro apartamento viável que apareceu.
Trabalho, tatuagem e os bonecos personalizados
A trajetória de Mari não ficou restrita a uma única atividade. Além dos bonecos, ela se interessou por tatuagem, fez curso online e começou a praticar. A mudança para um apartamento pequeno em Dublin, porém, limitou a possibilidade de montar um espaço adequado.
Ela retomou a produção de peças personalizadas na Irlanda e o trabalho passou a ocupar parte do tempo livre. No episódio, o casal fala abertamente sobre conciliar emprego em tempo integral, projetos criativos e produção para o YouTube.
Como surgiu o canal Passei na Imigração?
O canal começou com a vontade de Mari de registrar a rotina em vlogs. Elias inicialmente não se animou com a ideia, mas mudou de opinião quando percebeu que muitas dúvidas se repetiam nos grupos de brasileiros.
Os primeiros vídeos informativos abordaram cidadania italiana, tipos de visto, PPS e outros temas práticos. A proposta passou a combinar três formatos:
- vlogs sobre o cotidiano do casal;
- vídeos longos de referência, construídos a partir de pesquisa;
- quadros de notícias e comentários sobre situações da comunidade brasileira.
O quadro “Irlanda que não te contam” nasceu de publicações curiosas encontradas em grupos. Em vez de apenas debochar das perguntas, eles decidiram usá-las como ponto de partida para explicar temas como habilitação, moradia e documentação.
Informação sobre imigração exige pesquisa
Elias chama atenção para respostas dadas com muita segurança e pouca base em grupos de redes sociais. Em assuntos de visto, uma orientação errada pode causar um problema sério. Por isso, ele consulta páginas oficiais e transforma a pesquisa em vídeos mais completos.
O casal reconhece que regras de imigração mudam e que nem todo criador é especialista. O conteúdo serve para organizar dúvidas e indicar caminhos, mas documentos e permissões devem ser confirmados nos canais oficiais.
A comunidade que cresceu em torno do canal
Os primeiros inscritos eram parentes e amigos. Com o tempo, pessoas desconhecidas começaram a acompanhar, comentar e pedir temas. Embora o canal priorize vídeos longos, Mari e Elias valorizam especialmente o grupo que participa com frequência e depois compartilha a própria chegada à Irlanda.
Para eles, o melhor resultado do projeto foi conhecer pessoas. Alguns espectadores que receberam ajuda nos vídeos acabaram se mudando e se tornaram contatos na vida real.
O que a trajetória de Mari e Elias ensina?
A história do Passei na Imigração não é uma mudança linear. Houve viagem cancelada, meses sem casa própria, adaptação a duas cidades, limitação de visto e reinvenção profissional. O planejamento funcionou porque o casal ajustou o caminho sem perder o objetivo.
Assista ao episódio completo para conhecer a rotina de Mari e Elias, os bastidores do canal e as experiências que transformaram dúvidas de imigração em conteúdo para outros brasileiros.
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