Irlanda pode superar 40 mil novas moradias em 2026, maior número desde a crise de 2008, mas ainda abaixo da meta até 2030

A Irlanda poderá superar a marca de 40 mil novas moradias concluídas em um único ano pela primeira vez desde a crise financeira e imobiliária de 2008. Os números mais recentes mostram uma aceleração da construção, mas também revelam que o país ainda precisa aumentar significativamente o ritmo das entregas para cumprir sua meta até 2030.

Dados do Central Statistics Office, o órgão oficial de estatísticas da Irlanda, mostram que 10.154 imóveis foram concluídos entre julho e setembro de 2026. O resultado representa um crescimento de 10,4% em relação ao mesmo trimestre de 2025.

Nos primeiros nove meses deste ano, foram entregues 26.833 novas moradias, aumento de 10,6% na comparação anual. O total inclui 13.634 casas construídas em conjuntos residenciais, 8.748 apartamentos e 4.451 casas individuais.

Projeção aponta para cerca de 42 mil moradias até dezembro

O economista-chefe da consultoria Davy, Kevin Timoney, afirmou que o último trimestre normalmente concentra o maior número de entregas do ano. A empresa estima que aproximadamente 42 mil imóveis poderão ser concluídos até dezembro, ligeiramente abaixo da projeção anterior de 43 mil.

Esse número ainda é uma previsão, e não o resultado definitivo de 2026. Para que seja alcançado, a construção precisará crescer aproximadamente 25% no último trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior.

Trabalhador em obra de construção residencial
Construção residencial. Foto: Shraga Kopstein/Unsplash

Por que os construtores estão acelerando as entregas

Parte do aumento está ligada a incentivos introduzidos em 2024. O Governo concedeu uma isenção temporária de taxas de conexão de água e de determinadas contribuições cobradas pelos municípios para reduzir o custo de construção.

Para aproveitar integralmente essas economias, os empreendimentos precisam ser concluídos até o fim de 2026. Por isso, incorporadoras estão correndo para finalizar unidades iniciadas há cerca de dois anos antes que o prazo termine.

A aceleração ajuda a aumentar o número de casas disponíveis, mas também levanta uma questão: parte do crescimento pode estar concentrada neste ano por causa do encerramento dos incentivos. Os avisos de início de novas obras e as permissões de planejamento ainda não estão no nível necessário para garantir que a produção continue crescendo nos próximos anos.

Maior resultado desde 2008, mas ainda abaixo da necessidade

Se a Irlanda chegar a 42 mil unidades, esse será o maior resultado anual desde 2008, quando 51.724 moradias foram concluídas. Aquele ano marcou o início do colapso do mercado imobiliário irlandês e da crise financeira que atingiu profundamente o país.

Apesar da recuperação atual, a oposição argumenta que 40 mil ou 42 mil casas ainda são insuficientes. O Governo pretende entregar 300 mil novas moradias até 2030. Segundo o porta-voz de habitação do Sinn Féin, Eoin Ó Broin, o país precisaria construir uma média próxima de 56 mil unidades por ano a partir de 2027 para compensar o ritmo mais baixo e alcançar o objetivo.

O porta-voz de habitação do Partido Trabalhista, Conor Sheehan, também afirmou que o setor ainda não possui capacidade suficiente para superar de forma sustentável a marca de 50 mil unidades por ano.

Crescimento não ocorreu igualmente em todas as regiões

Embora seis das oito regiões analisadas tenham registrado crescimento, duas apresentaram queda. As conclusões diminuíram 8% no Mid-West, região formada por Clare, Limerick e Tipperary, e 6% na região de fronteira, que inclui Cavan, Donegal, Leitrim, Monaghan e Sligo.

Entre julho e setembro, foram concluídos 3.464 apartamentos em todo o país, aumento de 9,8% em relação ao mesmo período de 2025. As casas construídas em conjuntos residenciais somaram 5.163 unidades, enquanto 1.527 casas individuais foram entregues.

O ministro da Habitação, James Browne, classificou os números como encorajadores, mas afirmou que o Governo não considera o problema resolvido. Para quem procura comprar ou alugar, o aumento da oferta é positivo, mas seus efeitos sobre preços e disponibilidade dependerão de a produção continuar crescendo de forma consistente nos próximos anos.

Fontes

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